CARTAS MARCADAS -
Alvo do Gaeco, empreiteiro soma R$ 15 milhões em contratos em 3 prefeituras
Corguinho é apontada como um dos QGs da organização
O empresário Rogério Luís Ribeiro amanheceu, nesta 3ª feira (10.fev.26), como figura central da Operação Cartas Marcadas. Investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apontam que suas empresas — Marsoft Informática e RS Construções — movimentaram cifras milionárias em contratos com o poder público no interior de Mato Grosso do Sul.
Levantamento preliminar indica que, somadas, as licitações vencidas por Rogério nas prefeituras de Corguinho, Rochedo e Terenos ultrapassam a marca de R$ 15 milhões.
O "FILÉ" DAS OBRAS EM ROCHEDO
Embora a investigação aponte Corguinho e Rio Negro como bases operacionais do esquema, foi em Rochedo que a empreiteira RS Construções garantiu seus contratos mais vultosos, totalizando quase R$ 9 milhões.
A empresa assumiu obras emblemáticas na cidade. Apenas na construção do Balneário Municipal, os empenhos somam mais de R$ 6,3 milhões — divididos entre a primeira etapa, iniciada em julho de 2023, e a segunda fase, contratada em maio de 2024.
A RS também venceu a licitação para a Praça de Eventos de Rochedo, ao custo de R$ 2,5 milhões, além de fornecer luminárias de LED para o município.
TERENOS E CORGUINHO
Em Terenos, a atuação do empresário envolveu mais de R$ 5,5 milhões em serviços. O portfólio na cidade incluiu a reforma do paço municipal durante a gestão do prefeito afastado Henrique Budke (PSDB).
Já em Corguinho, apontada como um dos QGs da organização, a RS Construções manteve contratos menores, porém constantes, entre 2022 e 2025. A empresa faturou R$ 239 mil cuidando da manutenção predial e da rede elétrica local. Curiosamente, apesar de ser investigado no município de Rio Negro, Rogério não possui contratos ativos em seu nome naquela prefeitura.
"CARTAS MARCADAS"
Como mostramos mais cedo aqui no MS Notícias, a ofensiva deflagrada nesta manhã cumpriu 46 mandados de busca e apreensão em cinco cidades. O objetivo foi desarticular uma engrenagem que fraudava o caráter competitivo das licitações. Segundo o Ministério Público, o "jogo" era manipulado desde o início para favorecer empresas pré-selecionadas.
A investigação revela que o esquema não era gerido apenas por empresários, mas liderado por agentes políticos com núcleos de atuação definidos. Servidores eram cooptados para garantir que apenas os parceiros do grupo vencessem os certames.
O Gaeco chegou aos alvos após cruzar dados extraídos de celulares apreendidos em ofensivas anteriores, especificamente nas operações Turn Off e Malebolge. O compartilhamento de provas, autorizado pela Justiça, expôs o vínculo entre os empreiteiros e a classe política local.
Além das buscas, o Judiciário determinou o afastamento de cinco servidores públicos, a suspensão de três contratos vigentes e proibiu 22 pessoas e empresas de firmarem novos acordos com a administração pública. A ação contou com apoio de tropas de elite da Polícia Militar, incluindo o Bope e o Batalhão de Choque.
