ELEIÇÕES 2026
Reinaldo 'estrangula' candidatura de Nelsinho ao Senado
Bastidores indicam que prefeitos ligados ao PL já receberam o recado de que o grupo terá apenas dois nomes
O senador Nelsinho Trad (PSD) já foi avisado de que, se insistir na candidatura ao Senado nas eleições de 2026, deixará de ser tratado como aliado e passará a ocupar a condição de adversário do grupo político comandado pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL).
A informação foi confirmada por fontes ouvidas pelo MS Notícias. Embora o rompimento ainda não tenha sido oficializado, a movimentação nos bastidores já começou.
A reportagem apurou que Reinaldo iniciou conversas reservadas com aliados, principalmente prefeitos, deixando claro que o projeto do grupo tem apenas dois nomes para a disputa ao Senado: ele próprio e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), derrotado por Eduardo Riedel (PP) no segundo turno da eleição para o Governo do Estado em 2022.
Na prática, o recado é direto: não haverá espaço para uma terceira candidatura dentro da mesma base.
A tendência é que o discurso seja endurecido a partir do sábado (1º.ago.26), quando Reinaldo e Contar deverão ser homologados pela coligação. Até lá, interlocutores afirmam que o grupo evita um rompimento público. Depois da convenção, a disputa deve deixar os bastidores.
O movimento tem endereço certo: os prefeitos.
Mesmo após deixar o PSDB e assumir a presidência estadual do PL, Reinaldo preservou a rede política construída durante os oito anos em que governou Mato Grosso do Sul. São prefeitos, ex-prefeitos, deputados e lideranças regionais que continuam orbitando seu grupo político.
Nos bastidores, a orientação transmitida a esses aliados é concentrar apoio na chapa formada por Reinaldo e Contar, evitando qualquer divisão de votos dentro do campo da direita.
A matemática eleitoral, entretanto, está longe de ser simples.
Além da disputa pelas duas vagas ao Senado, o eleitorado conservador também deverá ser dividido pela corrida ao Governo do Estado. O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) é pré-candidato ao Executivo. No PL, o deputado federal Marcos Pollon também chegou a disputar espaço para a majoritária e trava embates internos desde que foi preterido na disputa ao Senado.
A crise ficou evidente quando o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto — condenado do mensalão — anunciou Capitão Contar como candidato ao Senado, contrariando a indicação pública do ex-presidente Jair Bolsonaro em favor de Pollon. A decisão aprofundou a disputa interna na legenda e expôs divergências entre as principais lideranças bolsonaristas em Mato Grosso do Sul.
Outro elemento que pesa na estratégia do PL é a fragmentação do eleitorado de direita. Além de Reinaldo, Contar, Pollon e Catan, outras lideranças conservadoras também articulam espaço na eleição de 2026, tornando mais difícil a construção de um palanque único.
Até o momento, Nelsinho ainda é tratado como parceiro político. Pessoas próximas às negociações afirmam, porém, que esse cenário muda imediatamente após a homologação das candidaturas. Mantida sua decisão de disputar o Senado, o parlamentar passará a enfrentar diretamente o grupo comandado por Reinaldo.
O roteiro lembra 2022. Na disputa pelo Governo do Estado, o então candidato Marquinhos Trad viu parte de antigos aliados migrar para outros projetos políticos durante a campanha, reduzindo seu espaço de articulação na reta final da eleição.
Nos bastidores do PL, interlocutores admitem que a mesma estratégia de isolamento político poderá ser adotada contra Nelsinho caso ele mantenha a candidatura fora da composição construída por Reinaldo.
Diferentemente da extrema direita, o campo progressista chega mais organizado à disputa pelo Senado. Já oficializaram candidatura o deputado federal Vander Loubet (PT) e a senadora Soraya Thronicke (PSB), que integram a aliança de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
