01 de julho de 2026
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ELEIÇÕES 2026

Condenado do mensalão, Valdemar anuncia o derrotado Contar ao Senado

Imposição goela abaixo tenta abafar a crise interna de um partido que transformou as eleições em um verdadeiro balcão de negócios

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As núcleo duro do bolsonarismo em Mato Grosso do Sul acaba de escancarar mais uma vez seu fisiologismo. Na noite desta 4ª (1.jul.26), o condenado do mensalão e presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, foi às redes sociais anunciar que o derrotado ao governo, Capitão Contar, é um dos candidatos da sigla ao Senado.

No vídeo, Valdemar chama o ex-deputado e candidato derrotado, de “nosso comandante” e garante que fará questão de desembarcar no estado para o lançamento da candidatura.

A imposição goela abaixo tenta abafar a crise interna de um partido que transformou as eleições em um verdadeiro balcão de negócios.

Esta não é a primeira vez que Valdemar — figura carimbada na Ação Penal 470 por corrupção — se antecipa a lideranças para tentar emplacar Contar. Foi ele o responsável pela filiação e anúncio do ex-candidato no ano passado. Meses depois, recuou, após Jair Bolsonaro divulgar uma carta afirmando que Marcos Pollon seria o seu escolhido.

Ocorre que o cenário mudou. A lista oficial com os nomes apoiados por Bolsonaro, prevista para sair no dia 10 de junho, foi adiada após uma série de confusões e vazamentos desastrosos.

Como mostramos aqui no MS Notícias, Pollon protagoniza agora a suspeita de um achaque eleitoral. Anotações manuscritas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) flagraram o expoente do armamentismo cobrando a bagatela de R$ 15 milhões ao partido para "não sair candidato". Com o aliado em desgraça, Valdemar viu o caminho livre para ressuscitar Contar.

CURRÍCULO DE GOLPISMO E REVESES

A cartada de Valdemar coroa a trajetória de um político que coleciona derrotas, investigações e companhias indigestas.

A principal derrota política do Capitão ocorreu em 2022, quando perdeu o segundo turno para o Governo do Estado para Eduardo Riedel (PP), obtendo apenas 43,1% dos votos válidos. Naquela corrida eleitoral, Contar forçou a barra para tentar vender à população um apoio exclusivo do ex-presidente. A manobra custou caro: a Justiça Eleitoral proibiu Contar de usar vídeos do mandatário, concluindo que ele tentava "criar, artificialmente, na opinião pública, estados mentais" desformes da realidade, já que Bolsonaro havia lavado as mãos e declarado neutralidade na disputa.

Isolado e sem o aval oficial do ídolo, o "bolsonarista raiz" chegou a se escorar em figuras folclóricas da velha política criminal. Na reta final da eleição, recebeu vídeos de apoio do pastor e ex-prefeito Gilmar Olarte, preso e condenado a oito anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na prefeitura de Campo Grande.

Sem mandato, o parlamentar — que já chamou a população para gastar gasolina a quase R$ 8 em motociatas — mergulhou de vez no radicalismo.

Contar também respondeu na Justiça Federal por, supostamente incitar atos golpistas. Ele foi intimado, ao lado de João Henrique Catan e Sandro Benites, por insuflar militantes de extrema direita em frente ao Comando Militar do Oeste (CMO). Na ocasião, o trio apelava por intervenção militar com o intuito claro de derrubar a democracia e impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. “Ficar em casa não muda nada”, disparou Contar aos radicais na época.

Enquanto as instituições democráticas seguem punindo os terroristas que depredaram Brasília, o PL oferece o Senado como prêmio de consolação. O anúncio de Valdemar Costa Neto desmascara, mais uma vez, a narrativa de purismo da extrema direita. No partido onde princípios ideológicos são flexíveis e alianças de conveniência ditam as regras, o combate à velha política termina exatamente onde começa o cálculo eleitoral.