BICHEIRO
Ex-deputado bolsonarista de MS é preso na Bolívia após um mês em fuga
Dias antes, o nome dele foi incluso na lista de Difusão Vermelha da Interpol
Foragido da Justiça brasileira desde julho, o ex-deputado estadual de extrema direita, Neno Razuk (PL), foi preso neste domingo (2.ago.26) na Bolívia.
A detenção não ocorreu em cumprimento a um mandado internacional, mas por irregularidades migratórias. Segundo as informações apuradas até o momento, as autoridades bolivianas identificaram que Roberto Razuk Filho permanecia no país sem situação legal.
Dias antes da prisão, a Justiça de Mato Grosso do Sul havia autorizado a inclusão do nome do ex-parlamentar na lista de Difusão Vermelha da Interpol. O procedimento, porém, ainda não estava concluído, o que significa que não havia ordem internacional de captura em vigor.
Agora, a tendência é que o brasileiro seja entregue às autoridades do país de origem. O procedimento, entretanto, depende das tratativas entre Brasil e Bolívia.
Defensor da "moral e dos bons costumes", declaradamente bolsonarista, Neno foi condenado em primeira instância a 15 anos, sete meses e 15 dias de prisão. A sentença envolve os crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, investigados na Operação Successione.
O ex-deputado também responde a outra ação decorrente da quarta fase da mesma operação. Nesse processo, é acusado de integrar suposto esquema envolvendo organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, roubo e contravenção ligada aos jogos de azar.
Em maio deste ano, Neno perdeu o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul após a recontagem de votos determinada pela Justiça Eleitoral. Com a saída do cargo, deixou de ter foro por prerrogativa de função.
Procurada, a defesa afirmou que ainda não havia sido oficialmente comunicada da prisão. O advogado Ricardo Souza Pereira disse não ter recebido confirmação "nem do cliente, nem de autoridades".
Até o fechamento desta reportagem, os governos brasileiro e boliviano ainda não haviam informado quando poderá ocorrer a transferência do ex-deputado para o Brasil.
