O ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) está foragido da Justiça há seis dias. A defesa do político já teve acesso ao mandado judicial e articula a queda da prisão preventiva.
O advogado Ricardo Souza Pereira sustenta que o decreto não apresenta fatos novos ou contemporâneos que exijam a segregação cautelar neste momento.
Sobre uma eventual apresentação às autoridades, a defesa disse que a decisão cabe exclusivamente ao ex-parlamentar.
A visão do Judiciário vai na contramão. A prisão foi decretada sob a justificativa de risco iminente à ordem pública.
O Gaeco aponta Neno Razuk como o principal líder de um esquema criminoso que ainda estaria operando em pleno vapor.
A captura visa interromper a continuidade delitiva e blindar as investigações em curso.
A caçada ao ex-deputado é o capítulo mais recente da Operação Successione, que o tem como alvo desde dezembro de 2023.
Ele já carrega uma condenação em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão.
Até então, respondia em liberdade por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração da máfia do jogo do bicho.
O cenário começou a ruir em maio deste ano. Uma recontagem de votos pela Justiça Eleitoral cassou o mandato de Razuk na Assembleia Legislativa.
A perda do cargo pulverizou seu foro privilegiado, empurrando os processos para a Justiça comum.
O cerco inclui também o status de réu na quarta fase da Successione, deflagrada em novembro de 2025.
As investigações desvendaram uma teia que mistura corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.
No Direito Penal brasileiro, não existe crime por tentar escapar da cadeia. A legislação entende que o indivíduo não é obrigado a facilitar o próprio encarceramento.
A punição, no entanto, recai sobre quem oferecer abrigo ao foragido.
Configurado como favorecimento pessoal, o crime rende até seis meses de detenção. Apenas pais, filhos, cônjuges ou irmãos do ex-deputado ficam isentos dessa pena caso o escondam.











