18 de junho de 2021
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PANORAMA | PANDEMIA

Nove Estados puxam avanço da Covid-19 e país pode ficar sem insumos para vacinas

Declarações de Bolsonaro causaram mau-estar na China e agora freiam liberação de ingrediente farmacêutico ativo da Coronavac ao Brasil

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Hoje pela manhã (12.mai.2021) o Estado de São Paulo e Instituto Butantan entregaram o segundo lote - de três previstos para essa semana - ao Ministério da Saúde e, a partir disso, não haverá mais insumos para produzir a Coronavac no país, e o cronograma de junho pode ficar prejudicado, segundo informou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan na última 2ª feira (10.mai.2021). Aliada à essa notícia, os casos de coronavírus voltam a avançar no Brasil e estão sendo puxados por 9 Estados.

Vale ressaltar que, é evidente que a realidade é bem pior do que os números oficiais revelam, com a clara e enorme subnotificação de dados da Covid-19 no Brasil, que mantém-se constante. Mesmo que várias pessoas infectadas não tenham feito testes, estimativas apontam que essa diferença entre dados e realidade foi praticamente a mesma em março, abril ou maio.

Quanto ao futuro da produção de vacina, informações da Folhapress indicam que a China, fabricante do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), mantém separadas e prontas para embarque uma remessa de 10 mil litros, sendo que o governo paulista aguarda a autorização do país oriental.

Ainda hoje (12.mai) acontece uma reunião, entre o Butantan e autoridades chinesas, que busca uma resposta para liberação do embarque de um lote de IFA, cuja chegada, se autorizada, será no próximo dia 18.

Sem previsão de quando a remessa chegará ao Brasil, o governador João Doria disse ainda que o governo pode decidir pela liberação dos dez mil litros ou menos e que o problema não é referente ao contrato e sim entre as autoridades chinesas e o governo brasileiro.

"O laboratório Sinovac tem prontos, refrigerados e separados 10 mil litros para produzir a Coronavac e poderá liberar 4.000, 6.000 ou os 10 mil litros, mas nós temos um entrave diplomático, é preciso deixar claro isso", disse.

Toda a liberação está suspensa por declarações do governo federal, principalmente de Jair Bolsonaro (Sem partido), contra o país asiático.

Junto do anúncio feito por Dimas Covas, na 2ª feira (10.mai), o número de infecções atingiu o maior patamar em três semanas, segundo apurações da BBC Brasil. Os números da doença no país indicam que os casos atingiram, em 27 de março, o recorde de 77 mil notificações diárias e, desde então, registraram queda.

ANÁLISE DOS DADOS

Ainda ontem (11.mai.2021) o país registrou a média de 1.980 óbitos nos últimos sete dias, sendo essa a primeira vez, em quase 60 dias, que a média móvel de mortes esteve abaixo de 2 mil.


Em panorama da doença, a Covid-19 registrou no Brasil o seu pico de óbitos em 12 de abril, duas semanas depois do auge de infecções, que aconteceu em 27 de março, segundo análise feita pela BBC Brasil.

Sendo assim, o aumento de contágio notado hoje levará dias até se refletir no número de mortes. Um recuo, tanto de infecções, hospitalizações e até do número de mortes, acontece pelos efeitos de um distanciamento social mais rígido e vacinação ampla.

Entretanto, o comportamento negacionista, aliado à flexibilização das regras, maior circulação de pessoas e a identificação de variantes mais transmissíveis, não deixam que o país tome as rédeas da situação.

Cientistas apontam que, suspender as restrições rígidas antes que a transmissão estivesse controlada, pode fazer com que os casos parem de cair e voltem a subir rapidamente.

No caso do Brasil, cientistas apontam que restrições mais rígidas surtiram efeito em março, mas a suspensão delas antes que a transmissão do vírus estivesse de fato controlada levou a essa reversão de tendência em diversas partes do país. Ou seja, os casos podem parar de cair e voltar a subir rapidamente.

Hoje, os nove Estados brasileiros que impulsionam o avanço da doença são:  Alagoas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

Mato Grosso do Sul encontra-se, junto de outros 12, classificados como "relativamente estáveis", ao lado de  Acre, Amapá, Bahia, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.

Quedas foram registradas apenas no Distrito Federal; Amazonas; Espírito Santo; Goiás e Mato Grosso.

Com base nos dados, o mapa de tendência de casos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que, com exceção do Rio de Janeiro, haverá uma manutenção do patamar atual em todas as unidades da federação.

Com apenas sete unidades federativas fora da "zona crítica", a Fiocruz alerta que é possível frear novos avanços.

EFEITOS

Essa piora na pandemia refletiu diretamente nos indicadores do setor de serviço, que voltou a cair (4%) em março, se comparado com fevereiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Se comparado com o mesmo período de 2020, esse setor subiu 4,5%, mas fechou o primeiro trimestre de 2021 com retração de 0,8%. E,no acumulado de 12 meses, a baixa foi de 8%. Além da maior intensidade da Covid-19, a paralisação de programas de estímulo, como o próprio Auxílio Emergencial [retomado em abril] freou a economia após a virada do ano. 
 

** (Com informações Folhapress e BBC Brasil)