08 de maio de 2021
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RACISMO ESTRUTURAL

Policial que matou jovem negro nos EUA diz que "amou cada minuto [da carreira]" ao pedir demissão

A profissional de segurança argumentou que confundiu a taser com arma de fogo. Chefe de polícia também renunciou

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Após o terceiro dia de protestos em várias cidades americanas nesta terça-feira (13. abril), a policial norte-americana Kim Potter, de 48 anos, autora do disparo que matou Daunte Wright, de 20 anos, no domingo (11. abril), pediu demissão do Departamento de Polícia do Brooklyn Center, em Minnesota. A atiradora disse em carta de demissão, que “amou cada minuto [da carreira]” que atuou como policial. Ela estava no departamento há 26 anos. 

Wright, foi morto a tiros na cidade de Brooklyn Center, subúrbio de Minneapolis. Ela puxou sua pistola e a segurou por sete segundos, gritando três vezes: “Taser, taser, taser” (a arma de eletrochoque, em inglês). Em seguida, ela dispara contra Wright. “P..., atirei nele”, disse Kim, surpresa, dando a compreender que não sabia que arma que disparou era de fogo.  

O que levou a manifestações em Nova York, onde uma multidão marchou do bairro do Brooklyn até a ilha de Manhattan, em Minneapolis, Kansas City, Omaha, Los Angeles, Portland e Seattle, onde foi montada uma vigília com velas acesas. Os manifestantes pedem o fim do extermínio de pessoas negras, mortas em várias situações, em decorrência da cor de pele nos EUA.

Com o pedido de demissão da policial o chefe de polícia, Tim Gannon, também renunciou. Wright foi morto a poucos quilômetros de onde está sendo realizado o julgamento do ex-policial Derek Chauvin, acusado de assassinar outro negro, George Floyd, no ano passado. 

A VÍTIMA 

Daunte Wright era um jovem negro de 20 anos, pai de um menino de 2 anos. O pai do jovem, Aubrey Wright, disse que o filho vinha trabalhando em restaurantes de fast-food para sustentar seu filho e planejava voltar à escola que largou devido a dificuldade no aprendizado. "Ele era um ótimo garoto", disse Aubrey Wright. “Ele era uma criança normal, nunca teve problemas sérios. Ele gostava de passar o tempo com seu filho de dois anos".

A mãe dele, Katie, disse que Wright amava basquete. “Meu filho era incrível, um filho amoroso. Ele tinha um coração enorme”, disse Katie, acrescentando que o jovem era amado por seus irmãos e irmãs.

Wright tinha um mandado de prisão, emitido no início deste mês, por não ter comparecido ao tribunal. Ele havia sido acusado duas vezes por contravenção por porte de arma sem permissão e por fugir de policiais de Minneapolis no ano passado.