28 de janeiro de 2022
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PROJETO ELEITOREIRO

Inicialmente contra auxílios, Bolsonaro agora quer dar R$ 400 ao mês para 17 milhões de pessoas

Marcou para 17h desta terça (19.out.21) o lançamento do Auxílio Brasil, o novo Bolsa Família

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comunicou em reunião na tarde da segunda-feira (18.out.21) no Palácio do Alvorada, que pretende aumentar o valor do Bolsa Família para R$ 400. O benefício é pago a 17 milhões de pessoas. Anteriormente contra até mesmo a existência do auxílios-emergenciais em meio a pandemia, agora Bolsonaro quer que o benefício com valor superior aos até apresentados.   

Bolsonaro marcou para 17h desta terça (19.out.21) o lançamento do Auxílio Brasil, o novo Bolsa Família, que nada tem de diferente do anterior, apenas a alteração do nome, em suma.  

O auxílio-emergencial está programado para acabar no próximo dia 31 de outubro.

Em 12 de março desse ano, no cercadinho em frente ao Alvorada, Bolsonaro criticou que ideia propostas por alguns estados de oferecer auxílio em meio a pandemia. “O pessoal vai devagar, devagar, tirando seus meios, tirando sua esperança, tirando teu ganha pão. Você passa a ser obrigado a ser sustentado pelo Estado. Você viu que tem governador agora falando em auxílio emergencial. Eles querem fazer o Bolsa Família próprio. Quanto mais gente viver de favor do Estado, mais dominado fica esse povo”, atacou.  

Os ministros que disputam eleição em 2022 (mais da metade) pressionaram Bolsonaro para que o valor total do Bolsa Família + coronavoucher chegasse a R$ 500. O Poder360 apurou que o valor de R$ 600 foi aventado. Afinal, todos querem reeleger Bolsonaro, mas também querem eles próprios sair vitoriosos das urnas.

O GUEDES

O desafio é chegar ao novo valor determinado pelo presidente. Técnicos da Economia agora se debruçam para encontrar uma fonte. Há uma possibilidade grande, segundo auxiliares, de que o custo para aumentar ainda mais o valor do sucessor do Bolsa Família fiquem de fora do teto de gastos, medida rechaçada por Guedes.

Na reunião de segunda, Bolsonaro disse estar ciente dos riscos de furar o teto e de aumentar a inflação disponibilizando mais recursos para o programa social, mas foi incisivo ao determinar que os técnicos cheguem ao valor desejado.

A ala política do governo também defende o pagamento de valor maior para o novo programa social. Para o presidente, com inflação de quase 10%, o benefício de R$ 300 é considerado baixo demais.

Em cerimônia em São Roque (MG), na manhã de segunda-feira (19.out.21), Bolsonaro já havia dito, sem entrar em maiores detalhes, que "está batido o martelo no seu valor". No fim de semana, ele se encontrou com Guedes, Roma, Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência) e Pedro Guimarães (Caixa Econômica) para discutir o tema.

"Se Deus quiser, nós resolveremos esta semana a extensão do auxílio emergencial, como devemos resolver também esta semana a questão do preço do diesel", disse, no evento.

O preço dos combustíveis também foi tema discutido pelos técnicos em reunião no Palácio do Alvorada. O presidente também quer que a equipe econômica dê uma solução para diminuir o preço, em especial, do diesel.

O plano para pagar o auxílio no próximo ano depende ainda da aprovação da reforma do Imposto de Renda, que servirá de fonte de compensação para o novo gasto, além de uma abertura no Orçamento por meio da limitação de gastos com precatórios -dívidas do governo reconhecidas pela Justiça.

Mesmo membros do Ministério da Economia argumentam que o país não pode ficar sem um sistema de assistência social reforçado e dizem que a ausência de uma iniciativa nesse sentido seria um crime.

O argumento é que além da perda de renda dos mais pobres provocada pela pandemia, a aceleração da inflação precisa ser compensada de alguma forma para trazer alívio à população vulnerável.

Com o imbróglio do programa social caminhando para uma definição, a pressão que o Planalto vinha fazendo sobre Paulo Guedes tende a diminuir.

De acordo com interlocutores da ala política, houve mudança de postura da equipe econômica, que passou a admitir soluções como furar o teto de gastos.

A Folha noticiou que o Palácio do Planalto vinha aumentando a pressão em Paulo Guedes por conta da indefinição do auxílio.

Chegou a circular, inclusive, rumor de demissão do ministro e de um nome do ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida como "plano B" como eventual sucessor.

A interlocutores, o economista-chefe do banco BTG Pactual tem negado que tenha sido sondado, mas mesmo assim mantém conversas com o Planalto, assim como ministérios e o Congresso.

*Com Poder360.