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GOLPE CONTINUADO

Prints mostram protagonismo de secretário da ACICG na tentativa de golpe

Golpistas que escaparam do Xandão sonham com a derrubada do veto para seguir tramando contra o Brasil

Ex-candidato a governo organizou ônibus para o golpismo em Brasília em defesa da manutenção de Jair Bolsonaro no cargo, mesmo ele não tendo sido eleito. Fotos: Reprodução

A laçada que a Polícia Federal (PF), o Ministério Público Federal e o Judiciário deram durante o 08 de janeiro, em Brasília, não alcançou todos os participantes dos distúrbios produzidos para criar um quadro propício a uma ruptura institucional que desaguaria num golpe de Estado. Diversos protagonistas daquela criminosa mobilização atuaram à distância, recrutando, financiando e disseminando a ideia de que seria possível depor Lula, o presidente eleito, e recolocar no poder o candidato derrotado nas urnas, Jair Bolsonaro (PL).

O vandalismo que antecederia o golpe teve contribuições de todos os estados. Mato Grosso do Sul, de tradição direitista, forneceu dinheiro e peças humanas para a engrenagem golpista. Entre as entidades civis e personagens sul-mato-grossenses que se sobressaíram nas manifestações antidemocráticas em Brasília estavam a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) e o seu mais exibido porta-voz, o 1º secretário e advogado Roberto Oshiro.

Ele se desdobrou, sobretudo nas redes sociais, para reforçar o recrutamento de apoiadores com destino à capital federal. Nem Oshiro nem a ACICG se importaram com a exposição de suas insidiosas atitudes nas redes sociais, conforme atestam vários posts que ambos publicaram no Instagram naquele oito de janeiro.

Em um de seus diálogos com a claque extremo-direitista, Oshiro saúda as notícias sobre a invasão e a vandalização do Congresso Nacional e sedes do Judiciário e do Executivo, fazendo o papel de recrutador ou financiador: "Estou organizando um ônibus também. Com o pastor Anderson"! 

Além de Oshiro, na conversa está um número identificado como Drogaria Freire — um rede de farmácias campo-grandense de nome jurídico Azpt Medicamentos e Perfumaria Ltda, CNPJ 12.509.749/0001-48. A rede é comandada por Antônio Freire, Zélia Nolasco, Patrícia e Tales Freire.  

Quem recebia os PIX para o golpismo era Rodrigo de Souza Lins, ligado ao partido antigo de Capitão Contar (PRTB), que agora está filiado ao PL. Lins e a assessora parlamentar de Rafael Tavares, Aline Paiva Lopes chegaram a ser alvos da 16ª fase da Operação Lesa Pátria — que mirou achar e prender os articuladores do ataque a sede dos Três Poderes em 8 de Janeiro de 2023.  

Também participam da conversa Nilsom Collor, Valéria, Jose, Juliana Arantas e Augusto. No grupo é possível ver que estão CJE e Dona Reni.  

APARECIDO

Advogado tributarista e dirigente interlocutor da ACICG, Oshiro foi candidato a vice-prefeito de Campo Grande nas eleições de 2024. Adora os holofotes e aparições na mídia para abordar geralmente assuntos sobre economia. Em sua ficha corrida nos negócios, tocou sem sucesso diferentes empresas na cidade.

A PF não chegou até Oshiro quando iniciou as investigações para localizar os fomentadores da frustrada tentativa de golpe. Porém, as suas façanhas já são bastante conhecidas nos diversos escalões da política – e com sérias restrições, tanto no terreno governista como nos domínios das forças oposicionistas locais e nacionais.

Com o veto integral de Lula ao PL da Dosimetria, a direita golpista joga todas as suas fichas na reação do Congresso. Tem a maioria e aposta na derrubada do veto presidencial, mas terá que enfrentar a manifestação do Supremo Tribunal Federal, cujas decisões nos últimos anos têm sido sempre favoráveis à preservação do Estado Democrático de Direito, pela aplicação das leis e sem tolerância com quaisquer ameaças à estabilidade política e constitucional do País.