MS Notícias

CAMPO GRANDE (MS)

Cabide eleitoral motiva invasão do DSEI em MS

Grupo de indígenas de direita deflagram retaliação político-partidária

Grupo de indígenas de direita invadem sede do DSEI em Campo Grande. - Crédito: Cedido ao MS Notícias

Um pequeno grupo dissidente das aldeias Buriti e Nioaque invadiu e paralisou a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS), nesta 3ª feira (30.jun.26), em Campo Grande (MS).

Segundo apurado pelo MS Notícias, a invasão é motivada por uma briga por emprego e se trata de uma retaliação político-partidária.

Vamos lembrar que em maio desse ano, mais de 100 lideranças indígenas de diversas etnias lotaram o mesmo prédio para apoiar a atual gestão do coordenador distrital do DSEI-MSLindomar Ferreira da Silva, conhecido apenas como Lindomar Terena. 

Esse grupo que invadiu o local hoje é capitaneado por indígenas filiados ao PSDB e MDB, que fazem oposição a gestão de Lindomar.  

De acordo com apurado, ao invadirem a sede do DSEI na Capital, sob ameaças, o grupo expulsou trabalhadores da saúde e a equipe terceirizada de segurança do prédio. 

Procurado, Lindomar Terena, confirmou que houve a invasão do local e disse que já acionou a Polícia Federal (PF) e a cúpula da Funai em Brasília. Ao MS Notícias, Lindomar revelou quais são os cargos políticos dos invasores e uma de suas demandas.  

“Essas lideranças vieram ocupar o distrito é encabeçada ali pelo chefe da FUNAI Campo Grande, pelo chefe da FUNAI Corumbá, que desde que foi nomeado, nunca atuou lá em Corumbá, sempre tá na comunidade dele, que é a Aldeia Buriti, ou seja, ganhando recebendo recurso público sem exercer a função”, denunciou Lindomar.

Outra intenção dos invasores hoje, conforme Lindomar, é reconquistar o cargo do antigo chefe administrativo do Polo Base de Dois Irmãos do Buriti. Indivíduo esse, que foi exonerado recentemente após a gestão descobrir uma fraude grave em seus horários.

“Essa pessoa que foi desligada da chefia administrativa do polo base, ela foi desligado por estar fazendo dupla função. Está nomeado como chefe de polo da saúde indígena nosso lá em Dois Irmãos, mas ao mesmo tempo que ele estava lotado como professor do Estado em período integral, ou seja, ele acabava não exercendo a função no polo base de dois irmão”, explicou o coordenador.

A apuração sugere que estão na linha de frente da invasão o secretário municipal de Assuntos Indígenas de Dois Irmãos do Buriti, Cássio Rodrigues (ligado ao prefeito emedebista "Japão"), e o servidor de carreira Genilson Duarte.

“O seu Genilson Duarte... se autodenomina Conselho do Povo Terena, porém o Conselho do Povo Terena não se restringe apenas eles. O Conselho do Povo Terena ele é composto por todas as lideranças do Conselho Terena de várias aldeias da região norte do estado. E o aqueles que estão ali hoje é apenas uns três, quatro cacique de Dois Irmãos e uns três cacique mais ou menos de de Nioaque. Ou seja, querendo colocar pessoas em funções estratégicas da saúde indígena para não trabalhar, somente para ficar nesses cargos por questão de ego”, cravou Lindomar.

REMÉDIOS TRAVADOS PELO PARTIDARISMO

A aventura política custa caro para quem mora na aldeia. A tomada do prédio congelou a logística inteira do DSEI-MS.

“Traz prejuízo à comunidade, por quê? Nós estamos com medicamento para ser entregue, nós estamos com pagamentos para ser feito para os motoristas da saúde indígena, colaboradores da saúde indígena, licitações em andamento, entrega de viaturas em andamento. E aí, eles vai e fazem isso”, lamentou Lindomar.

TABULEIRO ELEITORAL 

No xadrez político sul-mato-grossense, o objetivo está claro e indica que há um certo desespero eleitoral.

É importante destacar que os invasores de hoje, em meados de junho, haviam tentado forjar uma narrativa de retomadas de terras em Sidrolândia à revelia dos caciques locais, querendo criar um clima de caos para tentar constranger o presidente Lula (PT), que cumpriu agenda no Estado no dia 25. Não deu certo. 

A análise é que esse grupo indígena ligados ao Partido Liberal, tentam capturar votos para a direita e extrema direita em MS, visando atingir negativamente as candidaturas que contam com apoio do presidente Lula no estado.

O despesero se dá, devido ao fato de que Lula detém 47% das intenções de votos do povo brasileiro. Com isso, o presidente pode impulsionar para a vitória aliados sul-mato-grossenses.