16 de agosto de 2022
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Travessias Cotidianas

Nós mulheres

Nós mulheres

Desde 1975 temos reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) o 8 de março como dia internacional da mulher. Essa data oficializa uma história de luta por melhores condições de trabalho, remuneração e existência. Na atualidade, o que imaginamos como importante na pauta feminina é a interseccionalidade, pois quando falamos de Mulher precisamos pensar em recortes sendo uma variedade o ser mulher. O decisivo está em como somar lutas, já que sabemos das desigualdades.

Lacan aponta que não existe “A mulher”. Sim, a mulher com letra maiúscula e que se parece com outras não existe. Nós somos mulheres, no plural: na diversidade da castração a existência particular forma vida e lutas. 

Na internet circula uma escrita: metade do mundo é mulher e a outra metade são os filhos delas. Essa frase me provoca as seguintes questões: onde está o homem-metade no dia a dia da violência e desigualdade que atinge as mulheres? Um tio, pai, irmão, sobrinho, amigo, filho... patrão... o seu ele (masculino) fere-mata ou protege/soma? Seja na palavra ou no ato, eu pergunto a você: como não violentar uma mulher? Como acolher uma dor que não é sua? Como fazer diferente da expectativa? Porque é isso que precisamos: quebrar expectativas. Nisso, outra coisa também é difícil: deixar de escutar o que outro espera da gente.

No papel da vida, como igualar o salário de um homem e de uma mulher? As mulheres negras recebem remuneração menor do que todos os outros grupos sociais. Uma pesquisa do IBGE apresentou que mulheres e homens negros não chegam a 3% na diretoria ou gerência de grandes empresas, desse total as mulheres negras ocupam 1%, enquanto o homem negro ocupa o restante. Restante... O que nos resta? (Sim, eu sou mulher negra). As mulheres no geral somam 3% em cargos de alta liderança e mais uma vez as mulheres negras estão com 1%. Lembro do que Freud diz: não há indivíduo sem o social. Assim, reconhecer as diferenças é um caminho para a equidade. Mulheres com deficiência, negras, brancas, amarelas, indígenas, trans, lésbicas... Somos diversas e sentir-se mulher é atuar na resistência às violências desiguais. 

Falando em desigualdade, no cotidiano, o homem precisa estar na relação com as mulheres de outra forma. O masculino nos foi introduzido socialmente como sinônimo de força, sendo o homem aquele que dá conta de tudo e que não dá trabalho ao outro, aquele que não chora. Mas, como expressar os sentimentos assim? 

O corpo homem pode: andar na rua no horário que desejar, estar sozinho, rir e beber o quanto quiser. Querer. Quem pode dizer o que se quer? Não se cale. 

Além de tudo, a gente perde ou ganha tempo quando diante de uma piada racista/sexista/homofóbica interferimos? Podemos perguntar quem está rindo disso ou ainda voltar a pergunta ao interlocutor em outro tom. Sim, a brincadeira algo diz. A linguagem que circula no real faz do simbólico violento um ato. Quando foi que escutou que uma mulher não pode andar sozinha ou que uma mulher negra não pode ser doutora? Quais são os assédios que você faz ou passa? 

Conto um causo. Eu, andando na rua central de Campo Grande-MS, sofro: um homem chega no meu cangote e diz boa tarde. Eu tremia de medo e raiva. Precisei me calar pra me proteger. 

Na véspera do dia internacional da mulher deste ano uma divulgação pela ONG Foro de Segurança Pública continua a assustar: a cada dez minutos uma mulher foi estuprada no Brasil em 2021 e em cada 7 horas um feminicídio. Nosso país ocupa a 78ª posição em ranking sobre igualdade de gênero — em 144 países pesquisados! Somos o quinto país em número de casamento infantil. Sim! Parece outro mundo, mas está bem aqui. Repetindo pra ver se cola: não se cale! Também não cale o outro. 

Certa vez, escutei na vizinhança, após um leve choro de um menino: chega de chorar!

Então, escrevo aqui, homem, criança, menino, tudo bem você chorar. Por isso, seja você Ele ou Ela, não dá pra rir de algo que sabemos que mata e não dá pra dizer quando um luto precisa terminar. Pois, no Brasil sabemos quais grupos concentram os maiores índices de mortalidade: população indígena, homens negros, mulheres e população LGBTQIA+.

Aqui, alguém morre por aquilo que é, por causa de quem ama, pela cor que tem e pelo amor que deseja para si. Já imaginou alguém dizer pra você quem amar? Do que gostar? Ainda, apontar uma roupa certa para vestir pra ser bem atendido nos espaços sociais? 

Pode ser que as coisas não estejam tão bem como o sonhado desejo impossível. Então, é isso... como escapar do mal que há? Para e pense: no que você quer ser melhor pra você e o que você pode ser melhor para a coletividade? 

“Vagos desejos insinuam esperanças” Conceição Evaristo.

Karoline M. de Oliveira (Karô Castanha) 

Psicóloga - CRP: 14/06647-2

 

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