04 de dezembro de 2020
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QUEIMADAS

Fogo destrói Pantanal há uma semana e PMA diz que incêndios são criminosos

Qualidade do ar deve piorar em MS, favorecendo os impactos do coronavírus na Saúde

O Paraguai-Mirim, região do Pantanal de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, está sendo consumido pelo fogo há aproximadamente uma semana. A região sofre o período mais seco iniciado em julho. As queimadas lá devem impactar negativamente o ar em todo o estado, revela estudo climático divulgado nesta 3ª-feira (7.julho), pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec). Nesta manhã foi divulgado em matéria vinculada ao Portal do MS, alerta da Polícia Militar Ambiental (PMA). A PMA pede que as pessoas evitem uso do fogo, especialmente neste período de prolongada estiagem, e informa que quase 100% dos incêndios registrados e que causam transtornos ambientais e à saúde são de origem humana e criminosos.

A úmidade relativa do ar pode registrar mínimas de 20%, o que é considerado crítico por especialistas de saúde. A temperatura também deve ficar elevada, acima da média, isso é, podem registrar até 38°C, ou mais. Na avaliação da Defesa Civil, o quadro agrava também a situação de pandemia devido a redução da qualidade do ar.

“São indicadores que afetam diretamente a saúde da população, onde uma das consequências diretamente associada ao coronavírus é a questão respiratória, que piora devido à fumaça”, explicou o coronel Fábio Catarinelli, coordenador da Defesa Civil do Estado.

Neste período (1º de julho a 30 de setembro), os órgãos ambientais do Estado não expedem licenças para a queima controlada em Mato Grosso do Sul, estendendo-se até 31 de outubro no Pantanal. “Além disso – informa a PMA -, nenhum município autoriza realização de queima em perímetro urbano em qualquer período”.

Provocar incêndio em mata ou floresta pode gerar prisão em flagrante. A pena prevista é de dois a quatro anos de reclusão, além de o infrator ser autuado administrativamente e multado em R$ 1.000,00 por hectare ou fração, em área agropastoril ou vegetação não protegida por lei, e R$ 5.000,00 por hectare em vegetação protegida.

FOGO NO PANTANAL

Aceiro protegeu a escola. Foto - PMA, Corpo de Bombeiros e IHP

Um dos maiores municípios do país, com 65 mil quilômetros de extensão, dos quais 70% de Pantanal, Corumbá lidera o ranking (69,7%) dos focos de calor, com 165 ocorrências somente nas últimas 24 horas. De janeiro a junho, foram 15.097 focos na região, enquanto em todo o Estado, foram registrados 21.652.

Focos de calor na região pantaneira. Foto - PMA, Corpo de Bombeiros e IHP. 

Há uma semana ocorre um grande incêndio na região do Paraguai-Mirim (Norte de Corumbá), próximo ao Rio Paraguai, que teria destruído cerca de dez mil hectares no entorno da escola rural Jatobazinho, que atende crianças e jovens ribeirinhos no sistema de internato. Cinco bombeiros de Corumbá, seis brigadistas e funcionários da escola combatem o fogo.

Fogo se propaga com a força do vento na região do Paraguai-Mirim, Pantanal de Corumbá: mais de 10 mil hectares queimados. Foto - PMA, Corpo de Bombeiros e IHP.  

“A situação está sob controle no entorno da escola, que esteve ameaçada pelo fogo devido a rápida propagação causada pelo vento, mas as chamas avançam pela vegetação”, informou Ângelo Rabelo, do Instituto Homem Pantaneiro (IHP). “A escola foi protegida por aceiros abertos com uso de tratores e esteiras”, completou.

EMPRESA MULTADA 

Enquanto na região de Corumbá a PMA iniciou investigações para apurar as causas da queimada, a corporação militar autuou, por meio de denúncias, uma usina sucroenergética no município de Costa Rica devido a um incêndio ocorrido em uma área plantada de cana-de-açúcar, às margens da MS-135, na última semana de junho.

“O fogo era tão intenso que chegou a atingir a área urbana da cidade”, informou a PMA, que multou a empresa em R$ 294 mil. O fogo se originou na lavoura, conforme levantamento de campo, e destruiu 294 hectares de canavial. Segundo a PMA, a empresa alegou que o incêndio foi criminoso, porém não apresentou provas, bem como comprovação de licença ambiental para a queima controlada, proibida no período.

Fonte: *Com texto de Sílvio de Andrade – Subsecretaria de Comunicação (Subcom).