12 de março de 2026
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GENIAL/QUAEST

72% veem excesso de poder no STF, aponta pesquisa

Levantamento indica apoio a candidatos ao Senado favoráveis ao impeachment de ministros e mostra queda na confiança na Corte

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Uma pesquisa divulgada nesta 5ª feira (12.mar.26) pelo instituto Genial/Quaest indica que uma parcela majoritária da população brasileira considera que o Supremo Tribunal Federal (STF) exerce influência além do que seria adequado. Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados avaliam que o tribunal concentra poder excessivo.

O estudo também aponta que 66% dos brasileiros consideram importante eleger, nas próximas eleições, candidatos ao Senado comprometidos com a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 6 e 9 de março e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Outro dado medido pelo levantamento é o nível de confiança da população no STF. De acordo com os resultados, 49% afirmaram não confiar na instituição, enquanto 43% disseram confiar. Em comparação com novembro de 2022, houve mudança no cenário: naquele período, 56% declaravam confiança no tribunal e 40% afirmavam não confiar.

A pesquisa também investigou como os entrevistados percebem a relação do tribunal com o governo federal. Para 59% dos participantes, o STF atua como aliado da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre eleitores que se identificam com o ex-presidente Jair Bolsonaro ou com grupos de direita não ligados diretamente ao bolsonarismo, esse percentual chega a 84%.

Apesar das críticas registradas no levantamento, parte dos entrevistados reconhece a atuação institucional da Corte. Segundo os dados, 51% consideram que o STF teve papel relevante na preservação da democracia no Brasil, enquanto 38% discordam dessa avaliação.

O levantamento também abordou a repercussão da prisão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em operação da Polícia Federal. Cerca de dois terços dos entrevistados afirmaram já ter ouvido falar do caso antes da realização da pesquisa, enquanto 33% disseram ter tomado conhecimento do episódio apenas durante o questionário.

Quando questionados sobre quais atores tiveram maior desgaste de imagem com o escândalo, 40% afirmaram que todos os envolvidos foram afetados. Entre instituições específicas, o STF e o Judiciário aparecem como os mais citados, com 13%. Na sequência aparecem o governo Bolsonaro, com 11%, o governo Lula, com 10%, o Banco Central do Brasil, com 5%, e o Congresso Nacional do Brasil, com 3%.

A pesquisa também mediu possíveis impactos eleitorais do caso. Segundo os dados, 38% disseram que evitariam votar em candidatos que tenham relação com o escândalo envolvendo o Banco Master. Outros 29% afirmaram que o episódio seria considerado junto com outros fatores na decisão de voto, enquanto 20% declararam que a situação não influenciaria sua escolha.

As investigações sobre as atividades empresariais de Vorcaro apontaram relações com diferentes autoridades públicas. Desde a liquidação do Banco Master, no ano passado, nomes ligados ao Congresso, governos estaduais e à administração federal passaram a ser mencionados nas apurações.

Reportagens também citaram que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, firmou contrato de prestação de serviços com o banco que poderia alcançar valores de até R$ 129 milhões. Na semana anterior, vieram a público mensagens que teriam sido enviadas entre Moraes e Vorcaro no dia da primeira prisão do empresário. O ministro declarou que não recebeu essas mensagens.

O caso teve inicialmente como relator no STF o ministro Dias Toffoli. Após a divulgação de reportagens sobre possíveis vínculos envolvendo o magistrado, o resort Tayayá e o Banco Master, aumentaram os pedidos para que ele se afastasse da condução do processo.

Na 4ª feira (11.mar.26), Toffoli declarou-se suspeito para participar do julgamento que levou à prisão do empresário. O ministro também afirmou estar impedido de relatar um pedido para que o Congresso Nacional do Brasil instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).