01 de julho de 2022
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FEMINICÍDIO | TERENOS (MS)

Érica é assassinada pelo marido e filhos dormem abraçados ao cadáver

Homem matou mulher a tiros na Colônia Jamic, em Terenos

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Érica Miranda Souza, de 27 anos, foi vítima de feminicídio, às 23h do domingo (22.mai.22), na Chácara Recanto da Vó Dete, dentro da Colônia Jamic, em Terenos (MS). O suspeito do assassinato era marido dela, Diogo Cardoso de Souza, de 28 anos, que acabou preso nesta segunda-feira (23.mai) tentando fugir para Minas Gerais, de onde é natural.  

Segundo o boletim de ocorrência, às 6h desta segunda-feira (23.mai), uma criança de 9 anos, filho da vítima, chegou desesperada na casa de uma vizinha chamada 'Marciene' dizendo que seu padrastro havia matado sua mãe. 

A criança contou que o padrastro usou uma arma para matar Erica e que depois ordenou que o enteado de 9 anos fosse se deitar junto com o irmão de 2 anos na mesma cama em que a mãe já estava morta. A criança disse à vizinha que gritou diversas vezes para a mãe acordar, mas ela não o respondia. 

Depois de ordenar que os enteados ficassem com a mãe morta na cama, o suspeito ainda disse que o garoto de 9 anos deveria esperar amanhecer para ir pedir ajuda na vizinhança.  

DEPOIMENTOS

Marciene disse aos policiais que na noite do domingo, apesar do som alto vindo da residência do suspeito, ouviu um disparo de arma de fogo por volta das 23h.

Jamir Costa Gomes, de 58 anos, é proprietário da chácara onde o crime ocorreu. Ele disse aos policiais que havia 2 armas na sua propriedade, uma espingarda de calibre.22 que foi apreendida e uma arma de pressão. Apesar disso, com o suspeito ficava apenas a espingarda de pressão. O chacareiro disse que provavelmente o suspeito pegou a espingarda do crime sem sua permissão. Além da arma de fogo, o suspeito estaria em posse de bebidas alcóolicas e um aparelho de som que não o pertencia.

Outro vizinho, morador da Chácara Morro Verde, Oscar Varela, de 39 anos, relatou que o suspeito chegou em sua casa às 3h da madrugada desta segunda-feira, pedindo uma carona até Campo Grande. Na ocasião, o suspeito mentiu ao vizinho que alguém tinha matado seu pai em um outro estado.

Diante do pedido, Oscar Varela e sua esposa, Ana Maria, levaram Diogo até o aeroporto da Capital. O casal detalhou à polícia que o suspeito usava uma calça jeans rasgada e carregava uma mochila vermelha. Ao chegarem na estação aeroportuária, o suspeito desembarcou à procura de um Uber. Concomitantemente, Ana Maria recebeu uma ligação de Marciene esclarecendo o de fato havia ocorrido. Diante disso, imediatamente Oscar ligou para a Polícia Militar.

A cena mais triste de todas, foi quando a Polícia Militar chegou à casa para resgatar o corpo de Érica. Os militares relataram ter encontrado o filhinho dela, de 2 anos, abraçado ao cadáver da mãe. 

PRISÃO

O suspeito havia conseguido se evadir do aeroporto, mas nesta tarde a prisão foi confirmada pelo delegado Antenor Batista, responsável pelas investigações.

O criminoso foi abordado e preso na MS-240, entre as cidades de Água Clara e Paranaíba, no interior de Mato Grosso do Sul.

Diogo tentava chegar a capital mineira, onde mora a sua família. Ele pagaria R$ 3 mil para um motorista de aplicativo pela viagem.

Além do Grupo de Operações e Investigações (GOI), policiais da Polícia Militar Rodoviária (PMR) também participaram da prisão. 

O caso é investigado pela Polícia Civil de Terenos e foi registrado como "Feminicídio majorado, se praticado na presença de descendente ou de ascendente da vítima".