MS Notícias

tera, 02 de junho de 2020

ECONOMIA

Bolsa em queda e mercado do dólar a R$ 5 é 'novo normal'

No começo de março, quando o dólar estava a R$ 4,65, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a cotação poderia ir a R$ 5 caso "muita besteira" fosse feita

Por: FOLHAPRESS05/05/2020 às 08:25
ComentarCompartilhar
O presidente Jair Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald TrumpO presidente Jair Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald TrumpFoto: ALAN SANTOS/PR

s estimativas para o dólar ao fim de 2020 seguem em trajetória de alta. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, que reúne a mediana das projeções de economistas para o Brasil, a moeda terminará o ano a R$ 5. Na semana anterior, a projeção era de R$ 4,80.

Nesta segunda-feira (4), o dólar fechou a R$ 5,5208, alta de 1,490%. O turismo está a R$ 5,7405. Os fatores que levaram a moeda a subir na sessão são os mesmos que a impulsionam neste ano: impactos negativos da pandemia de coronavírus na economia, cenário externo de aversão a risco, crise política no Brasil e juros mais baixos.

No começo de março, quando o dólar estava a R$ 4,65, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a cotação poderia ir a R$ 5 caso "muita besteira" fosse feita. "Pode chegar a R$ 5? Ué, se o presidente pedir para sair, se todo mundo pedir para sair. É um câmbio que flutua, se fizer muita besteira, ele pode ir para esse nível", afirmou Guedes no dia 5 de março.

Leia Também: OMS nega ter ignorado avisos sobre transmissão do vírus entre humanos

Uma semana depois, a moeda americana ultrapassou os R$ 5 pela primeira vez durante o pregão e, no dia 16 de março, fechou acima desse patamar, que se mantém desde então.

Quando Sergio Moro, ex-ministro da Justiça, pediu para sair do governo de Jair Bolsonaro, a moeda foi a máxima recorde de R$ 5,7450 durante o pregão.

O recorde, porém, é nominal, ou seja, não leva a inflação em conta. Em 2002, entre o primeiro e o segundo turno das eleições que levaram Lula à Presidência, a moeda dos EUA foi ao recorde de R$ 4,00 durante o pregão - fechou a R$ 3,99. Hoje, corrigido pela inflação brasileira e americana, esse valor equivale a cerca de R$ 7,86.

Segundo especialistas, o patamar atual de R$ 5 da moeda veio para ficar, pelo menos, a curto prazo. "Por um tempo, a gente deve ficar nos R$ 5 pela crise política, que piora a imagem do país no exterior. Os estrangeiros continuam saindo do Brasil", afirma Cristiane Quartaroli, economista da Ourinvest.

Enquanto as divisas de outros países latinos se desvalorizam entre 10% a 20% no ano, o real perde 37,6% do seu valor ante o dólar, que ficou R$ 1,51 mais caro desde o fim de 2019. Dentre todos os países do mundo, a moeda brasileira tem a maior queda em 2020.

"Apesar do real ser uma das moedas emergentes mais líquidas, grande parte dessa alta são fatores internos. Não vejo motivos para o câmbio cair, mas, para subir, são todos", diz Cristiane.

Além da saída de Moro, a atual crise entre os Poderes, acentuada pela participação do presidente Bolsonaro de mais uma manifestação com críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao Congresso no último domingo (3), é apontada como uma das condicionantes da depreciação do real.

"O que deixa o mercado com medo é que uma crise política pode ter uma consequência pior que o coronavírus porque, por pior que seja o impacto da pandemia, uma hora ela tem fim, fora que o mundo todo está lançando medidas econômicas para combater o seus efeitos", diz Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos.

Salomão aponta que outra causa para o dólar acima de R$ 5 é a deterioração fiscal do Brasil, com o aumento de gastos para combater a pandemia de Covid-19 e seus efeitos econômicos.

"Estávamos com uma série de medidas para que o déficit fiscal do Brasil se reduzisse e, pelo coronavírus, essa economia está indo para o ralo. Essas medidas têm que ser feitas, mas o problema é como são feitas para não abrirmos precedentes e perdermos o controle dos gastos", diz o analista.

A situação se reflete no risco-país brasileiro medido pelo CDS (Credit Default Swap), que funciona como um termômetro informal da confiança dos investidores em relação a economias, especialmente as emergentes. Se o indicador sobe, é um sinal de que os investidores temem o futuro financeiro do país, se ele cai, o recado é o inverso: sinaliza aumento da confiança em relação à capacidade de o país saldar suas dívidas.

No ano, o CDS brasileiro acumula alta de 221%, a 320 pontos, patamar semelhante a 2016, quando o índice iniciou uma tendência de queda após o impeachment de Dilma Rousseff.

No exterior, a pandemia de coronavírus e a retomada do conflito entre Estados Unidos e China também contribui para o fortalecimento do dólar ante as principais moedas globais, já que o ativo é tido como investimento de segurança.

Na última sexta (1º), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o acordo comercial com a China agora é de importância secundária diante da pandemia e ameaçou aplicar novas tarifas de importação sobre Pequim à medida que seu governo elabora medidas de retaliação diante da crise de saúde.

No domingo (3), o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse que há "quantidade significativa de evidências" de que o coronavírus surgiu em um laboratório chinês. "Conforme temos uma perspectiva de fim de lockdown, mais o tema eleições volta ao radar e essas declarações são o início disso", afirma Salomão. Trump concorre à reeleição presidencial contra o democrata Joe Biden neste ano.

Com o cenário de incertezas, com indícios de uma forte crise global, alguns economistas veem o dólar a R$ 6. "Podemos contar já com R$ 6 ao fim do ano. No momento, o ambiente doméstico está bem mais agudo que no exterior. Dependendo do que acontecer aqui, pode ir acima de R$ 6", afirma José Francisco Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

Ele aponta que, apesar da piora na projeção do dólar pelo mercado, a expectativa para a inflação segue em queda "o que corresponde à queda na atividade econômica", diz.

Sem efeitos da alta do dólar nos preços, o Banco Central fica mais confortável para cortar a Selic, cuja função principal é controlar a inflação.

A taxa básica de juros está a 3,75% ao ano e o mercado espera que seja reduzida para 3,25% na reunião de política monetária do BC nesta quarta (6). Segundo o Focus, novos cortes devem ser feitos ao longo do ano, levando a Selic para 2,75% ao fim de 2020.

O cenário de juros baixo também contribui para a alta do dólar por meio do carry trade - prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros.

Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior. Com a Selic na mínima histórica, investir no Brasil fica menos vantajoso, o que contribui com uma fuga de dólares do país, elevando assim sua cotação.

Também pressionada pela crise política brasileira, a Bolsa de Valores fechou em queda de 2,02% nesta segunda, a 78.879 mil pontos. O Ibovespa não conseguiu acompanhar o desempenho positivo de Wall Street.

Apesar das tensões entre EUA e China, o mercado americano acompanhou a alta do petróleo. Dow Jones fechou em leve alta de 0,11%, S&P 500 subiu 0,43% e Nasdaq, 1,23%.

O preço do barril de petróleo Brent (referência internacional) subiu 12%, a US$ 25,27. O WTI teve alta de 4,3%, a US$ 21,27. A matéria-prima está em trajetória de alta desde a última semana, em recuperação das fortes quedas na semana de 20 de abril devido ao aumento nos estoques dos Estados Unidos.

Deixe seu Comentário

TV MS

15 de maio de 2020
Ministério da Cidadania fala sobre auxílio emergencial
Ministério da Cidadania fala sobre auxílio emergencial

Últimas Notícias

Ver Mais Notícias
MS Notícias - Sua referência em jornalismo no Mato Grosso do SulRua José Barnabé de Mesquita, 948
CEP 79100.200 - Vila Duque de Caxias
Campo Grande/MS
 (67) 99309.8172

Editorias

Institucional

Mídias Sociais

© MS Notícias. Todos os Direitos Reservados.
Desenvolvimento Plataforma