25 de novembro de 2020
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ENTREVISTA - Herbert Assunção

Campo Grande fomenta o empreendedorismo com ações concretas contra a crise

Secretário destaca trabalho do Codecon, que este ano aprovou 28 projetos de R$ 189 milhões e 939 empregos diretos

Escalado pelo prefeito Marquinhos Trad (PSD) para enfrentar e dar respostas efetivas a um dos mais complexos desafios da gestão municipal, Herbert Assunção arregaçou as mangas e exigiu o máximo de sua determinação. Estar à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, de Ciência e Tecnologia (Sedesc) em tempos de crises agudas e intermitentes não seria nada tranquilo. Entretanto, apoiado no suporte conceitual da gestão, Herbert Assunção conseguiu fazer da Sedesc um instrumento eficiente e resolutivo para potencializar o papel de fomento que cabe ao poder público.

O município tem, hoje, uma bem-acabada proposta de atenção aos diversos segmentos do empreendedorismo, sobretudo com o fortalecimento das economias criativas e agricultura familiar. Em outro viés, o Conselho de Desenvolvimento Econômico (Codecon) opera no estímulo aos investimentos de ponta – em 2019, por exemplo, foram aprovados 28 projetos, que representam a mobilização de R$ 189 milhões da iniciativa privada e a geração de 939 vagas diretas de trabalho.

MS NOTÍCIAS - Escassez de recursos, queda de receitas, corte de gastos. Nessa longa conjuntura de crises, qual a receita que Campo Grande usa e ainda consegue fomentar e diversificar a economia, criando alternativas para o empreendedorismo em vários níveis? 

HERBERT ASSUNÇÃO – Não há como negar que a década que chega ao fim foi marcada por uma das maiores recessões da história do nosso país. Essa postura da economia vai deixar um legado negativo para a década que estará começando dentro de alguns dias. Conforme os economistas, a capacidade de crescimento pode ser determinada por três fatores: o número de trabalhadores na economia; o estoque de capital investido na economia; e a produtividade desses fatores, ou seja, quando é possível produzir para cada unidade de trabalho e de capital. Como ponto positivo, devemos considerar que o Banco Central acena com a possibilidade de um corte adicional da taxa de juros em fevereiro, para 4,25% ao ano.

MSNQuer dizer que existirão outras alternativas?

HA - Diante deste cenário, Campo Grande vem trabalhando, na gestão do prefeito Marquinhos Trad, com variáveis positivas visando atrair novas empresas com incentivos concedidos por meio de mecanismos próprios, neste caso a Lei do Programa de Desenvolvimento Econômico e Social (Prodes). No entanto, fomentar a economia local significa olhar não apenas para os setores industrial, comercial e de serviços, mas também para o agronegócio representado pelas comunidades que compõem o universo da agricultura familiar, de onde sai a produção alimentar que sustenta parte da economia com geração de emprego, renda e, consequentemente, recursos financeiros para o Município. Na visão da Sedesc, fomentar o empreendedorismo passa também pelo apoio incondicional à economia criativa e aos pequenos empreendedores que iniciam sua caminhada nas quatro incubadoras municipais. O Banco Central acena com a possibilidade de um corte adicional da taxa de juros em fevereiro, para 4,25% ao ano.

MSN - A secretaria cumpre tão-somente o papel de fomento que cabe ao poder público ou consegue, entre outras coisas, por exemplo, instigar uma cultura renovada para atrair e seduzir quem quer empreender?

HA – A Sedesc é uma secretaria dinâmica. Suas ações permeiam diversas atividades da gestão municipal, trabalhando diariamente com inovação, criatividade e compromisso firme em apoio a criar um cenário econômico que possa extrapolar os limites de suas atribuições. Já citamos o caso do trabalho desenvolvido nas quatro incubadoras municipais, espaços dedicados ao empreendedorismo e criação de novas tecnologias. Das incubadoras já saíram pequenos empreendedores que hoje atuam no mercado como fornecedores de excelência, inclusive vendendo seus produtos em outros estados. A primeira incubadora de prefeitura no Brasil a ser certificada pelo Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos (Cerne) é de Campo Grande. Trata-se da Incubadora Municipal Norman Edward Hanson, a incubadora de alimentos instalada no Bairro Santa Emília. Estamos preparando o lançamento, nos primeiros meses do próximo ano, do Pólo de Empresas de Tecnologia e Serviços que deverá funcionar na Esplanada Ferroviária. A idéia é criar um ambiente mais abrangente do que um pólo tecnológico.

MSN - Qual, em quantidade e qualidade, o balanço das ações da Sedesc até aqui?

HA -  com 12 reuniões em 2019, onde foram aprovados 28 projetos com expectativa de investimentos da ordem de R$ 189 milhões para criação de 939 novos empregos diretos, o Codecon (Conselho de Desenvolvimento Econômico de Campo Grande) cumpriu seu papel, analisando e aprovando projetos de real importância para o fortalecimento da economia do Município através da geração de emprego, renda e demais recursos. Na questão de atração de novas empresas dois projetos ganham destaque e prometem muitas novidades para 2020: o Pro-Redes, que deverá substituir a atual Lei do Prodes, e o lançamento do futuro Distrito Industrial de Campo Grande. No caso do Pro-Redes, o programa permitirá que a administração municipal tenha maior controle dos incentivos concedidos, assegurando a preservação do interesse público, na medida em que as empresas beneficiárias, reunidas numa rede empresarial, deverão estabelecer um plano de trabalho para quatro anos, com metas a serem atingidas. Quanto ao Distrito Industrial os estudos estão sendo realizados e deverão estar prontos nos primeiros meses de 2020.

MSN - Além de estar próxima de seu primeiro milhão de habitantes, com a concretização da rota bioceânica, Campo Grande será um dos principais polos de referência na dinâmica desse novo mapa econômica e social. A capital está sendo preparada para isso? Como?

HA – A administração municipal está se preparando para o futuro, fortalecendo todos os segmentos nos quais o Executivo atua. As transformações são visíveis, a cidade ‘é outra’. Quanto à implantação da futura Rota Bioceânica, realmente essa ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico deverá transformar Campo Grande no maior centro logístico dessa nova rota devido à sua posição estratégica, portal da futura RILA – Rota de Integração Latino Americana. Um dos pontos fortes desse cenário será a conclusão do TIC – Terminal Intermodal de Cargas de Campo Grande, que deverá também ser um Porto Seco. Essa obra facilitará a tramitação de cargas na Rila, encurtando caminho e burocracia para exportação da produção brasileira. Além disso, a Sedesc estará trabalhando na atração de novas empresas com características para atuar nesse processo de exportação.