18 de maio de 2021
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DENÚNCIA

Árvore que servia sombra à negocio de cadeirante é envenenada: 'Isso aí é inveja' diz ele

Completamente seca, falta de sombra das folhas afeta fluxo de clientes e até carregamento de cocos, que ficam expostos ao pé da árvore

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Nos altos da Avenida Afonso Pena, Nivaldo Lima é proprietário do ônibus "Central Lanches" e, em frente ao - futuro - Aquário do Pantanal, ele denuncia que a árvore que aproveita para expôr os carregamentos de côcos foi envenenada. Na semana passada, em 15 de abril, ele postou um apelo nas redes sociais e o MS Notícias conversou com o trabalhador: "Isso aí é inveja mesmo, esse negócio de matança de árvore não é de hoje não", disse.

"Hora que baixou o côco para cinco reais, olha o que fizeram. Eu trouxe três agrônomos para confirmar, que eu falei que não tinha furo nem nada e eles falaram que não precisa, que é só jogar um líquido no pé da árvore que some. Vendo tudo lanche, açaí, água de côco, enquanto a maioria dos coqueiros vende só água de côco, então meu movimento é muito bom, trabalho com uma média de 40, 50 jogos de mesa.", explica Nivaldo.

Árvore que sofreu o carregamento ficava com os côcos do negócio expostos ao pé.

Mesmo com a pandemia Nivaldo manteve o ponto, assumiu o novo ambiente em junho de 2020 e manteve certo fluxo de vendas, mas não entende ao certo o que pode ter motivado o crime. "É sacanagem isso, porque o preço que eu vendo, para mim é justo. O que eles pagam, eu pago também, onde eles compram eu compro também no mesmo depósito, pagamos R$2,50. Eu vendo a cinco reais e ganho 100%, pra mim tá bom, vendo quatro mil côco por semana, ganho R$2.500 só de côco, não tá bom? E a gente lutando. O duro é matar uma árvore tão bonita, que uma dessas não é fácil de morrer não", argumenta ainda.

Ele diz ainda que não foi a única vítima do ataque, revelando que o sr. Raimundo, também vendedor de côco na Avenida dos Poetas, sofreu do mesmo mal e que na árvore "dele" (um pé de jatobá) haviam os furos onde é colocado o veneno, enquanto o meu foi colocado no pé. 

"Se eu soubesse quem fosse já tinha ido para cima, que isso é crime ambiental. Tô aí, sou cadeirante mas isso não me segura a nada, trabalho igual todo mundo. Nunca demos trabalho para a Semadur, para polícia, para Guarda, Polícia Civil, ninguém. Estamos aqui a disposição dos nossos clientes e aconteceu isso". 

Atualmente com 56 anos, há cerca de 21 que Nivaldo é cadeirante, após ter sofrido um acidente de moto e faz lanches pela Av. Afonso pena há 16 anos, mas desde meados de 2010 se instalou em frente ao Aquário do Pantanal e segue trabalhando, trazendo diferencial ao seu ponto, inclusive com a instalação de tendas. " 

"Tenho lá duas camas elásticas e um outro brinquedo que coloco no estacionamento debaixo, para as crianças brincarem de graça. Não cobro de cliente, que chegam com os filhos e brincam a vontade. A maioria gosta da gente, é muito bom o nosso movimento mas deu uma caída com esse negocio da árvore por causa da sombra, ninguém quer ficar no sol". 

Nivaldo expõe que vende em média três mil cocos por semana, depois que abaixou o preço, além de que a árvore fornecia sombra para seus clientes, já que atende de 07h até 20h (com o toque de recolher da pandemai), sendo que a copa servia de proteção para o carregamento dos milhares de côcos empilhados que agora ficam ao sol. 

Ele suspeita que a inveja, por conta da prosperidade nos negócios, tenha motivado o ataque, mas revela que irá manter o ponto. "A gente é muito conhecido ali. Deu uma diminuída [no fluxo de clientes] por causa da falta de sombra. Quando chega a tardezinha pega aquele solzão. A gente colocava mil cocos embaixo da árvore e eles se mantinham verdinhos, agora, anteontem chegou o côco e pensei que tinham mandado côco velho, mas ele falou que era através do sol que os côcos iam ficando pretos", revela.

Árvore Envenenada
Sobre o outro vendedor de côco que também foi prejudicado, ele revela que ambos possuem médias semelhantes de vendas, o que, segundo ele, pode ter deixado o "povo louco". Há 20, 15 anos atrás, tem o dono, o Aruba, que é representante, traz côcos e vende para a cidade inteira, ele tinha um trailer ali também e mataram umas duas árvores dele. Esse negocio vem de concorrência, mas preciso ter provas se não vai acabar me prejudicando. Foi matada foi, mas não julgo ninguém se eu não vi", finaliza ele.