24 de setembro de 2021
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YUTUBER E CAMINHONEIRO

Agora famoso, Zé Trovão protagoniza fuga internacional e confronta Bolsonaro

Foragido desde o dia 3 de setembro, caminhoneiro disse hoje para caminhoneiros "retirarem as faixas de apoio a Bolsonaro"

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O youtuber e caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, que agora passou a ser popularmente conhecido como 'Zé Trovão', apostou todas as suas fichas que Jair Bolsonaro (sem partido) daria um golpe militar em 7 de setembro. O golpe não veio e hoje, 9 de setembro, 'Trovão' gravou diversos vídeos, um deles direcionado à Bolsonaro. O foragido da justiça brasileira diz que sua vida está destruída.“(sic) Eu tenho duas coisas para dizer para o senhor, primeiro, a minha vida está destruída. Nós queremos que peça para nós abrir, faça um vídeo. Nós precisamos disso, eu estou lutando pelo seu governo, pelo senhor”, disse o caminhoneiro bolsonarista. Poucas horas depois, porém, Trovão fez um vídeo dizendo que não luta pelo governo de Bolsonaro (veja abaixo).   

Para o caminhoneiro, sua vida está como a de outros apoiadores de Bolsonaro, que já foram presos por agir em atos antidemocráticos e atacar ministros do Supremo com ameaças e ofensas à honra. Atos que Trovão chama de ‘crime de opinião’. 

Trovão está foragido desde o dia 3 de setembro e quando fez o vídeo ao presidente ainda não havia sido localizado. A justiça o acusa de articular ato antidemocrático no dia 7 de setembro e também está legalmente impedido de postar vídeos com ataques ao STF. O caminhoneiro vinha incitando há vários meses nas redes e aplicativos de mensagem ataques a corte além de propagar diversas fake news. Ele passou a ser procurado pela Polícia Federal por ordem da Procuradoria-Geral da República (PGR), com prisão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Nesta quinta (9.set) a PF comunicou à imprensa brasileira que localizou o caminhoneiro. Ele estaria escondido em um hotel na Cidade do México e foi a partir de um dos seus vídeos que os investigadores descobriram onde ele estava.

O vídeo flagrante foi postado há uma semana num grupo do Telegram. Nele, Zé Trovão aparecia segurando um copo de café da rede mexicana Cielito Querido Café. A paisagem ao fundo também indicava se tratar de uma loja da rede. Depois disso, o STF pediu a inclusão do nome do bolsonarista na lista de procurados da Interpol e obteve a ordem judicial de difusão vermelha. Procurado pelo Itamaraty no México, o hotel confirmou estar hospedando Trovão. 

Depois de localizado, em nota, a defesa de Zé Trovão disse que o México só teria obrigação de prender e extraditar seu cliente caso ele já tivesse uma condenação e que, na avaliação da defesa, ele não poderia ser preso. “Ele está decidindo se ficará no México ou irá para outro país, dentre os quais analisa a possibilidade dos Estados Unidos”, afirmaram os advogados Levi de Andrade e Alexandre Zeigelboim. A interpretação, entretanto, é contestada pelos investigadores, que dizem que o mandado de prisão preventiva expedido pelo STF é suficiente para a extradição.

Dois vídeos, quase que simultâneos, foram postados por Trovão após a descoberta de sua localização. No primeiro vídeo ele diz que se entregaria. “(sic) Viraliza esse vídeo aí. Em alguns momentos eu devo ser preso, eu não vou mais fugir, chega, chega! Eu tô cansado disso... Para quem não sabe eu estou no México e a embaixada brasileira acaba de entrar em contato com o hotel que eu estou, tá? Então em alguns momentos provavelmente a polícia vem aqui me recolher e vai me levar preso. Eu não cometi nenhum crime, eu estou indo para o Brasil provavelmente preso, preso por crime de opinião”, argumentou.  

Pouco depois, Trovão voltou atrás de que iria se entregar. Ele também disse algo novo, que a sua luta não é por Jair Bolsonaro, nem contra nem a favor, diferentemente do que disse no vídeo postado direcionado ao presidente. “(sic) Um vídeo em cima do outro. Vamos embora, Zé Trovão por cá, vamos embora. Pessoal, nossa luta é contra os desmantelos do STF, contra o Alexandre de Moraes. A nossa luta é contra a corrupção, contra a bandidagem. Nós não estamos de maneira nenhuma defendendo o presidente Bolsonaro, nem contra, nem a favor, nós estamos lutando pelo Brasil, Brasil, Brasil, tá? Brasil! E essa luta é brasileira. Pelo amor de Deus! As paralisações aí precisam ter faixa com a cara do Alexandre de Moraes pedindo o impeachment dele. Vamos, tirem as faixas que está escrito Bolsonaro, apoio a Bolsonaro, tirem essas faixas pelo amor de Deus. Vamos lutar, vamos lutar pelo certo, nós não estamos lutando a favor do Bolsonaro, nós estamos lutando a favor da família brasileira, dos bons costumes”, disse. 

E na sequência, Zé disse que não vai se entregar e que está fugindo de novo. “(sic) Eu tô aqui numa correria do caramba, eu tô aqui, tô de novo tendo que fugir, de novo! Porque eu queria me entregar, mas ninguém quer deixar eu me entregar, porque eu quero me entregar, porque o povo brasileiro tem que saber que eu tô do lado de vocês”, finalizou pedindo que empresários fechem suas lojas e tudo seja paralisado, para segundo Trovão, salvar o país.