25 de janeiro de 2026
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RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Lula critica Trump por querer guerra e rasgar Carta da ONU

'Eu não quero guerra. Eu sou um homem da paz', afirmou o líder brasileiro

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O presidente do Brasillula-da-silva/">Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta 6ª feira (23.jan.26) que o mundo vive um momento “muito crítico” na política internacional.

Durante evento em Salvador, Lula disse que a Carta da ONU está sendo “rasgada” e que está prevalecendo a “lei do mais forte”.

Lula afirmou que o multilateralismo está sendo substituído por posturas unilaterais, com governos que priorizam a força em vez do diálogo.

Ele citou crises recentes na América Latina e mudanças políticas em países centrais como sinais desse avanço.

O presidente criticou o discurso de Donald Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde o americano disse que os EUA querem “acesso total” à Groenlândia e anunciou um conselho para paz em Gaza.

As declarações de Trump foram vistas com receio pela comunidade internacional, segundo relatos do evento.

“Estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial. O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo. Está prevalecendo a lei do mais forte. A Carta da ONU está sendo rasgada”, afirmou Lula.

Ele citou eleições recentes na América Latina, em que candidatos de direita venceram, além da eleição de Trump, como parte de um contexto de instabilidade democrática.

Para o presidente, o cenário atual contraria a agenda de reformas defendida pelo Brasil desde 2003, como a ampliação do Conselho de Segurança da ONU.

“Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países — como México, Brasil e países africanos — o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU”, disse.

Lula afirmou que o contexto internacional exige atenção especial do Brasil em 2026, ano de eleições, diante do que classificou como riscos à democracia em diferentes partes do mundo.

O presidente disse que tem intensificado contatos diplomáticos nas últimas semanas para articular uma reação internacional ao enfraquecimento do multilateralismo.

“Eu estou há uma semana telefonando para países do mundo inteiro”, afirmou, citando conversas com líderes como Vladimir Putin, Xi Jinping e o primeiro-ministro da Índia.

O objetivo dessas conversas, segundo ele, é avaliar a possibilidade de uma reunião internacional para reafirmar o compromisso com o multilateralismo.

Lula afirmou que a política externa brasileira não se baseia em alinhamentos exclusivos e que o Brasil busca manter relações com diferentes países, independentemente de orientações ideológicas.

“O Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, quer ter relação com Cuba, quer ter relação com a China, quer ter relação com a Rússia. A gente não tem preferência”, afirmou.

Ele ressaltou, porém, que o país não aceita relações de subordinação.

“O que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”, disse.

Lula criticou discursos que exaltam o poder militar como instrumento de intimidação no cenário internacional.

“Eu não quero guerra. Eu sou um homem da paz”, afirmou.

Segundo ele, menções a exércitos e armamentos reforçam uma lógica de intimidação que não contribui para a estabilidade global.

“Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, com a China, com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia”, afirmou.

Para Lula, o caminho defendido pelo Brasil é o da diplomacia e do diálogo, em uma “guerra do convencimento” baseada em argumentos e no fortalecimento da democracia.

“O que eu quero é fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, mostrando que a democracia é imbatível”, disse.

Ele afirmou que cooperação e o compartilhamento de experiências positivas entre países são mais eficazes do que a imposição de força.