Mato Grosso do Sul terá, a partir de 2027, uma deputada federal cuja trajetória política começou longe dos tradicionais gabinetes partidários e ganhou notoriedade justamente pela exploração pública da imagem de empresária do ramo de entretenimento adulto.
Isa Marcondes (Republicanos), conhecida como “Cavala” e que se apresenta publicamente como “dona de zona”, foi eleita neste domingo (4.out.26) para uma das oito cadeiras de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados. Ela recebeu 76.716 votos e ficou na 7ª colocação entre os eleitos.
O resultado também coloca Isa entre as quatro mulheres eleitas para representar o Estado em Brasília. Pela primeira vez, a bancada sul-mato-grossense terá metade de suas cadeiras ocupadas por mulheres: Camila Jara (PT), Rose Modesto (União Brasil), Mara Caseiro (PL) e Isa Marcondes (Republicanos).
A eleição de Isa representa ainda uma das mudanças na composição da bancada federal. Cinco dos atuais deputados foram reconduzidos, enquanto Rose Modesto retorna à Câmara e Mara Caseiro e Isa passam a ocupar pela primeira vez uma cadeira no Congresso Nacional.
DE DONA DE ZONA A DEPUTADA FEDERAL
Antes de chegar à política institucional, Isa ganhou notoriedade em Dourados justamente por sua atuação no ramo de casas noturnas.
Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo em 2024, ela afirmou ser “dona de zona” e explicou que administrava uma boate onde, segundo seu próprio relato, as mulheres realizavam os programas por conta própria. Na mesma entrevista, declarou nunca ter tido problemas com a Justiça relacionados ao estabelecimento.
A atividade comercial acabou incorporada à estratégia eleitoral.
Na disputa pela Câmara Municipal de Dourados em 2024, Isa transformou a expressão “zona” em marca de campanha. “Dourados está uma zona e de zona eu entendo” foi um dos slogans utilizados para atacar problemas da administração municipal e pedir votos.
A estratégia funcionou eleitoralmente. Isa recebeu 2.992 votos e foi a candidata mais votada para a Câmara Municipal de Dourados naquele pleito.
Agora, dois anos depois, o mesmo fenômeno político chega ao Congresso Nacional: a empresária que fez da própria reputação de “dona de zona” uma marca eleitoral transformou a notoriedade construída no interior do Estado em 76.716 votos para deputada federal.
A “CAVALA” CHEGA A BRASÍLIA
O apelido “Cavala” também passou a integrar a identidade pública da política douradense.
Durante a campanha municipal, Isa se apresentou como uma personagem política fora do padrão tradicional e utilizou vídeos, bordões e críticas à administração pública para conquistar espaço nas redes sociais e entre o eleitorado.
A Agência Lupa registrou que Isa se autointitulava “dona de zona” e que utilizava a expressão relacionada à atividade empresarial em sua comunicação eleitoral.
AO CONGRESSO
A campanha de Isa para deputada federal manteve parte da linguagem que havia marcado sua chegada à política.
Reportagens publicadas durante a campanha destacaram que ela percorreu cidades sul-mato-grossenses apontando problemas de infraestrutura e utilizando as redes sociais como principal ferramenta de exposição. Em Campo Grande, por exemplo, ganhou repercussão ao mostrar buracos em ruas e avenidas e criticar a administração municipal.
O desempenho eleitoral, contudo, não ocorreu apenas pela votação individual.
Isa e Beto Pereira, também do Republicanos, conquistaram as duas cadeiras destinadas ao partido. Na apuração divulgada com 99,28% das seções totalizadas, Beto tinha 77.244 votos e Isa, 76.716 — uma diferença de apenas 528 votos entre os dois.
A eleição proporcional considera também a votação obtida pelas legendas. O Republicanos somou votos suficientes para garantir duas das oito cadeiras de Mato Grosso do Sul.











