28 de novembro de 2020
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CANDIDATURA NA PANDEMIA

Miglioli faz reunião de pré-campanha e diz: isolamento é "questão da prefeitura"

Cúpula do Solidariedade não se manifestou sobre atitude que compromete a imagem pública da legenda em MS

Apesar da contagem que avança rapidamente – hoje com mais de 10,2 mil mortos no País - a pandemia de Covid-19 parece não importar para políticos mais interessados em buscar votos que reforçar a mobilização da sociedade na prevenção à doença. Diversos partidos recomendam aos seus filiados que façam a pré-campanha, mas respeitando os protocolos médicos de segurança preventiva, uma recomendação ignorada por boa parte deste segmento político.

Em Campo Grande, o engenheiro Marcelo Miglioli, pré-candidato do Solidariedade, faz sua pré-campanha sem demonstrar compromisso com o povo que pretende convencer a conduzi-lo à prefeitura e expõe a sociedade ao alcance do vírus que já infectou 346 e é a causa de 11 óbitos até às 11h deste sábado, 9, segundo relatório da Secretaria Estadual de Saúde. E exatamente neste mesmo dia ele reuniu cerca de 25 mulheres no endereço que utiliza como QG da pré-campanha.

Marcelo Miglioli minimizou os riscos de contágio a que submeteu suas convidadas. Ao realizar a reunião já começou cometendo dois graves deslizes: primeiro, dando as costas às orientações da Organização Mundial de Saúde, que elenca o isolamento social como fator número um de prevenção; e, segundo, desrespeitou um decreto municipal em vigor desde 19 de março deste ano, proibindo reuniões com mais de 19 pessoas. Além disso, o pré-candidato não tomou o cuidado de aconselhar ou mesmo exigir a todos os presentes o uso de máscaras e a guardarem distâncias entre si de pelo menos um metro e meio.

Ao menos uma pessoa não usava máscara nesta reunião, segundo registrou a reportagem de um site, o Midiamax, que questionou Miglioli sobre o fato. Ele explicou que reuniu as mulheres para abordar aspectos das candidaturas femininas do partido, mas não fez qualquer abordagem sobre a pandemia, seus riscos e cuidados. Ao site, assegurou ter tomado todas as medidas de prevenção, reunindo só mulheres e em pouca quantidade para evitar aglomeração. 

Porém, sobre o fato de ter infringido o decreto municipal que proíbe reuniões com mais de 20 pessoas, foi irônico: “Não estou burlando, estamos fazendo evento em um espaço desse, aberto, não quero entrar nessa questão da prefeitura”. Com esta declaração Migiloli define seu grau de preocupação com os efeitos da pandemia e os impactos na população, evidenciando ser político-eleitoral o compartimento em que aloja as decisões das políticas publicas de saúde.

OUTROS MUNICÍPIOS

Infelizmente, não são poucas as pré-candidaturas que se atiram com voracidade à pré-campanha, uns mais comedidos e outros sem qualquer hesitação para ganhar visibilidade ampla com as suas intervenções. O pré-candidato do PSL à Prefeitura de Corumbá, Elano Holanda de Almeida, vem abrindo caminho movido pela crença de que será contemplado nas urnas pelo “efeito Bolsonaro”.

Elano Almeida participa das manifestações locais e nacionais que além de fazer a defesa do presidente Jair Bolsonaro emendam nelas os pedidos por intervenção militar e reedição de medidas discricionárias como o AI-5, o fechamento dos poderes (Congresso e Judiciário) e ataques virulentos a políticos que carimbam como “inimigos” do bolsonarismo, entre eles os presidentes do Senado, David Alcolumbre (DEM/AM) e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ).

Assim, para pré-candidatos como Marcelo Miglioli e Elano Almeida, a saúde da sociedade não é mais importante que a saúde de seus projetos eleitorais. Com as reuniões aos moldes da que Miglioli fez, e com manifestações que dão manchete e visibilidade midiática a Elano Almeida, o vírus tem os ambientes que precisa para propagar-se com maiores velocidade e alcance. E as responsabilidades serão sempre depositadas na conta da vizinhança.