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RELIGIÃO E ELEIÇÃO

"Deus odeia o culto [a Nossa Senhora Aparecida]", diz pastor de Flávio Bolsonaro

Extremista de direita disse que se eleito, um de seus primeiros atos seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo", privilegiando evangélicos

Batismo de Flavio Bolsonaro na igreja de JB Carvalho e Michelle, Jair Bolsonaro em evento com JB - Fotomontagem: Reprodução/Instagram flaviobolsonaro e Divulgação/Comunidade das Nações

Um projeto de lei apresentado há quase duas décadas para alterar o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil voltou ao debate durante a campanha presidencial de 2026 e passou a ser associado ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

A proposta, no entanto, não foi apresentada pelo candidato. O Projeto de Lei 2.623/2007 é de autoria do então deputado federal Victório Galli, à época filiado ao PMDB de Mato Grosso. O texto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e arquivado em 22 de agosto de 2008.

A proposta pretendia alterar a Lei nº 6.802/1980, que instituiu o feriado nacional de 12 de outubro. A expressão “Padroeira do Brasil” seria substituída por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

Na justificativa, Galli argumentou que a mudança estaria relacionada ao princípio do Estado laico e evitaria que a legislação atribuísse a todos os brasileiros uma devoção religiosa específica. O feriado de 12 de outubro seria mantido.

COMO O CASO CHEGOU A FLÁVIO

A associação com Flávio Bolsonaro ocorreu após um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, na GloboNews, sobre uma suposta movimentação de setores evangélicos para alterar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida.

A fala passou a circular nas redes sociais associada ao candidato, embora não tenha apontado Flávio como autor ou responsável pela proposta. Posteriormente, a GloboNews corrigiu a informação e afirmou que o projeto mencionado era antigo e não tinha relação com o senador.

Flávio reagiu às publicações e negou ter qualquer relação com uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O candidato afirmou que a informação era falsa e disse que “não existe esse projeto”.

O projeto citado, porém, de fato existiu. O registro oficial da Câmara mostra que Galli apresentou a proposta em dezembro de 2007 e que o texto pretendia retirar da legislação a referência de Nossa Senhora Aparecida como padroeira de todo o Brasil.

RELAÇÃO COM O MEIO EVANGÉLICO

A discussão também passou a envolver a relação de Flávio com lideranças evangélicas. O candidato frequenta a Comunidade das Nações, igreja liderada pelo bispo JB Carvalho, que também aparece associado ao debate sobre a devoção católica.

Segundo registros publicados na imprensa, Carvalho já fez críticas ao culto à chamada “Rainha dos Céus”, expressão utilizada em sua interpretação de passagens do livro bíblico de Jeremias. A associação dessa posição religiosa com uma eventual proposta de alteração da legislação, porém, não estabelece autoria ou participação de Flávio no projeto de 2007.

Em agosto de 2026, Flávio também publicou um vídeo em que afirmou que, caso seja eleito presidente, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A declaração foi feita durante a campanha presidencial e repercutiu pelo conteúdo religioso da fala.