16 de abril de 2024
Campo Grande 24ºC

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

Governo anunciará R$ 1 bilhão para projetos de minerais estratégicos

Capital poderá ser utilizado para financiamento de pesquisa mineral, desenvolvimento e implantação de novas minas

A- A+

O governo do presidente Lula (PT) deve lançar em março de 2024 o Fundo de Investimento em participações (FIP) Minerais Estratégicos no Brasil, que destinará até R$ 1 bilhão a projetos de minerais estratégicos para transição energética.

Gerido pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e com aporte de até R$ 250 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o fundo deve ser anunciado durante Prospectors & Developers Association os Canada (PDAC) – principal convenção de mineração e exploração mineral do mundo – que acontece de 3 a 6 de março de 2024, em no Metro Toronto Convention Centre, no Canadá.

Os recursos poderão ser utilizados por empresas júnior e de médio porte que enquadrem na tese de investimentos do fundo e que será colocada em prática pelo gestor a ser selecionado por meio de chamada pública.

“Não há transição energética sem mineração e sabemos que o Brasil, com seu amplo território, diversidade geológica e riqueza mineral, será o protagonista e grande alicerce mundial na transição energética”, considerou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. “Dessa forma, lançaremos, junto com o presidente Aloizio Mercadante, o fundo que irá alavancar o setor e atrair ainda mais investimentos para a cadeia dos minerais estratégicos”, completou.

“A transição energética é uma prioridade do governo do presidente Lula. A iniciativa contribui para o aproveitamento do vasto potencial geológico brasileiro, permitindo que o país se posicione como fornecedor de minerais estratégicos para atender à demanda mundial por tecnologias de energia limpa”, destacou o Presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

O FIP Minerais Estratégicos irá viabilizar o desenvolvimento de projetos de minerais considerados estratégicos para a transição energética, descarbonização e produção sustentável de alimentos.

Segundo o plano de trabalho desenvolvido pelo BNDES, espera-se que o Fundo invista em 15 a 20 empresas com projetos de pesquisa mineral, desenvolvimento e implantação de novas minas de minerais estratégicos no Brasil. O BNDES terá participação limitada a 25% do total investido pelo Banco, sendo esperados outros investidores nacionais e internacionais.

“Ao criar esse Fundo, estamos viabilizando que empresas menores consigam acessar o mercado ao mesmo tempo que garantimos uma atividade mais sustentável”, explica o ministro. “O Brasil já é o maior produtor mundial de nióbio, o segundo maior de ferro, magnesita e tântalo, o terceiro de bauxita e o quarto maior em vanádio. Somos o país com a quinta maior reserva de lítio, com 1,2 milhão de toneladas. Com esse incentivo, iremos crescer ainda mais e nos tornar o maior fornecedor de minerais estratégicos do mundo”, avaliou Silveira.

O Fundo irá priorizar os minerais para transição energética e descarbonização, sendo eles, cobalto, cobre, estanho, grafita, lítio, manganês, minério de terras raras, minérios do grupo da platina, molibdênio, nióbio, níquel, silício, tântalo, titânio, tungstênio, urânio, vanádio e zinco. Fosfato, potássio e remineralizadores, minerais fundamentais para a fertilidade do solo, também estão no rol de elementos abrangidos pelo fundo.

A criação do Fundo de Minerais Estratégicos dá continuidade ao apoio do BNDES ao setor de mineração, que nos últimos dez anos soma R$ 8,3 bilhões em financiamentos para cerca de 1.800 empresas. Como disse Mercadante, o “FIP busca estimular um novo ciclo de fomento à produção de minerais estratégicos, com foco em inovação e sustentabilidade, que são pilares da Nova Indústria Brasil e do Plano Mais Produção”.

O FIP Minerais Estratégicos terá como meta também induzir as empresas investidas a adotarem melhores práticas ESG, que possam gerar impacto positivo para comunidades locais e minimizar os impactos ambientais dos projetos. Para isso, serão incentivadas ações de capacitação de mão de obra e de fornecedores locais, de regularização do cadastro ambiental rural (CAR) e recuperação de vegetação nas áreas afetadas, e de gestão eficiente de água e resíduos, além de práticas de transparência e comunicação adequada com as comunidades locais.

“O mundo pode contar com o Brasil nesse enorme desafio pela sobrevivência humana. E, para isso, desenvolveremos uma indústria robusta de transformação mineral e um setor mais eficiente, mais verde, mais seguro, mais global e mais sustentável”, concluiu o ministro.

PDAC

O PDAC é a principal convenção de exploração mineral e mineração do mundo e acontecerá entre os dias 3 e 6 de março em Toronto, no Canadá. O evento reúne expositores, investidores, analistas, executivos de mineração, geólogos e representantes de governos do mundo todo em um ambiente que reúne negociações, discussões sobre a mineração, tendências e tecnologias.