21 de janeiro de 2021
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Daniela Mercury fala sobre carreira e novos projetos

A cantora Daniela Mercury esteve em Campo Grande semana passada para realziar dois shows beneficentes em prol do Hospital do Câncer. A equipe do MS Notícias conversou com ela por telefone para saber mais sobre esta cantora da MPB que traz em seus shows muito mais que música e desperta a consciência e o senso de humanidade naqueles que desfrutam de suas apresentações e ouvem suas músicas. Leia abaixo entrevista na íntegra. Por Dany Nascimento Conversamos com o presidente do HC Carlos Coimbra sobre esse show e ele contou que você mesma procurou a direção do hospital quando esteve em Campo Grande no ano passado, oferecendo apoio. Como soube do problema que a unidade enfrentou com o escândalo da Máfia do Câncer? Por que decidiu ajudar? Daniela: No ano passado eu fiz um show no Parque das Nações Indígenas e conversando com algumas pessoas tive conhecimento da máfia que desviava dinheiro do hospital e depois a Malu esteve em Campo Grande para ministrar uma palestra e procuramos a direção do hospital, oferecendo apoio. Eu decidi oferecer apoio porque eu venho de uma família que sempre valorizou muito o próximo, sempre buscou formas de estender a mão ao outro, então desde cedo eu aprendi a pensar no outro, no que eu posso fazer de bom para ajudar. Não costumo dizer que é um ato de solidariedade, porque no meu conceito, é um ato de responsabilidade, estou fazendo a minha parte como ser humano. Todos sabem que eu sou embaixadora da Unicef ( Fundo das Nações Unidas para a Infância) e eu luto e sempre vou lutar pela defesa dos direitos humanos. Com esse escândalo, o hospital perdeu 40% das doações e com o apoio de artistas como Michel Teló, Maria Cecília e Rodolfo, João Bosco e Vinicius, entre outros, o hospital vem reconquistando as pessoas que ajudavam e agora com o seu apoio, já recebemos informações de que as pessoas estão voltando a dar credibilidade ao hospital, como você se sente fazendo parte de algo tão positivo? Daniela: A luta contra o câncer é complicado porque estamos diante da pior doença do mundo e temos que buscar sempre a cura do mundo, eu me sinto muito feliz porque eu multiplico amor. Temos que servir um ao outro, sou humanista e é gratificante cantar em prol de alguém e essa não é a primeira vez que eu faço parte desse time que está na luta contra o câncer, eu já participei de campanhas. Meu gesto é muito pequeno perante a força que tem um hospital que presta esse atendimento em Campo Grande. Eu tenho certeza que com o comprometimento da sociedade vamos deixar claro para a sociedade que infelizmente a Máfia do Câncer desviou dinheiro, mas agora temos que voltar os olhos para a unidade porque muitas pessoas precisam de atendimento e contam com o hospital. A iniciativa de ajudar uma unidade que cuida de pessoas com uma doença tão agressiva como o câncer partiu de algo que você passou ou realmente surgiu devido a importância que uma ação como esta tem para as pessoas? Daniela: Surgiu porque eu sou da sociedade, eu sou a favor do ser humano e utilizo a força que tenho através da minha música, para transmitir mensagens de conscientização ao ser humano, que precisa de amor, precisa de carinho, precisa de atenção. O importante é sempre fazer algo para ajudar o próximo. Você pretende visitar o hospital nos dois dias que ficará em Campo Grande? Podemos acompanhar? Daniela: Pretendo visitar o hospital no segundo dia de show, porque acho que vai ser mais tranquilo e acredito que será possível conciliar com os compromissos que temos na Capital. Considero importante ter um contato e confesso que eu gostaria de cantar para alguns pacientes na unidade, levando alegria porque música faz bem para a alma. Você sempre foi uma pessoa que defendeu a cultura das pessoas negras, dos índios e falou por diversas vezes durante seu show aqui em Campo Grande no ano passado que é necessário que as pessoas mudem e quebrem todo tipo de preconceito e discriminação, os produtores de MS reclamam constantemente de terem suas terras invadidas por índios, como você vê essa situação? Falta conscientização da parte de quem nestes casos, já que os produtores afirmam que pagaram pelas terras e os índios ressaltam que são terras indígenas? Ou é falta de uma atitude mais efetiva do governo do Estado. Daniela: Eu acompanhei muito pelos telejornais essa questão das terras invadidas em Mato Grosso do Sul e torço por justiça. Algumas pessoas conseguem lutar por seus direitos, essa situação dos índios é muito complexa e a sociedade ao todo precisa vigiar para verificar quais são os direitos. Temos que ter consciência das duas partes, tanto dos produtores como dos índios e verificar quais são os verdadeiros direitos. Eu não estive presente para entender de fato o que está acontecendo. Eu estive em Aquidauana há algum tempo e constatei que realmente a situação dos índios é precária, as crianças indígenas são as mais afetadas, pois os índios vivem em situação de miséria. Acredito que falta uma reflexão da sociedade com os poderes políticos para chegar a uma solução, que vai somar na vida de todos. No ano passado você assumiu que estava se relacionando com a Malu Verçosa e a forma como expos o seu namoro, fez algumas pessoas perceberem que o que importa é o amor e o respeito entre duas pessoas e não ter o sexo oposto, como você se sente em relação a isso? Você concorda que às vezes o preconceito pode ser quebrado com atitude encarar suas escolhas de forma natural com carinho e amor como vocês fizeram? Daniela: Na verdade eu publiquei na rede social que estava com a Malu e isso deixou todas as pessoas muito surpresas. Ser humano é ser humano, tem que acolher a vontade que existe entre duas pessoas que se amam e isso tem que se naturalizar. Encarar e enfrentar as dificuldades faz as pessoas avançarem, é uma quebra de padrão, pois essa diferença é o que colore o mundo. O que você diria para pessoas que ainda são extremamente preconceituosas tanto em relação ao negro, ao índio e ao homossexual? Daniela: Para mim, o pior preconceito que existe no mundo acontece com situação financeira, a pessoa que é considerada pobre sofre muito com isso, esse preconceito econômico é o pior. Eu diria para as pessoas preconceituosas que ninguém é melhor que ninguém nesse mundo, somos todos iguais, precisamos das mesmas coisas, precisamos de felicidade, de alegria, de amor. Eu acredito que a internet vai ajudar muito a quebrar todo tipo de preconceito, provando que não importa se a pessoa é magro, rico, pobre, branco, negro, o que importa é como ela é, como é seu caráter, isso que vale. Explique um pouco sobre o livro que você lançou recentemente, que conta sua história de amor com a Malu? Daniela: Esse livro eu e a Malu escrevemos falando do amor que nos une, do respeito e admiração que sentimos uma pela outra, dividimos o nosso coração, nossas dificuldades. Fizemos o lançamento na Bahia, no Rio e em São Paulo e acredito que todos que tiverem oportunidade de ler, terão o prazer de conhecer a importância do amor verdadeiro entre duas pessoas. Notamos em suas apresentações e entrevistas, que você é muita próxima de seus bailarinos e de sua banda, qual é a importância de ter esse contato tão próximo, de que forma isso interfere na composição de seus discos? Daniela: Eles são artistas como eu, às vezes eu paro no palco e fico olhando eles se apresentando e fico espantada com tanto talento. Na verdade eu sou fã dos meus músicos, dos meus bailarinos, da minha equipe toda. Somos uma família porque muitas vezes eu acabo ficando mais próxima deles do que da minha família. Dividimos muitos momentos juntos, nos divertimos juntos e isso é muito bom. Quais seus próximos projetos? Novos discos? DVDs? Daniela: Lancei recentemente o “Daniela Mercury e Cabeça de Nós Todos” que tem um repertório mais voltado para o MPB, com canções como Aquele Abraço. Já estou me preparando também para gravar um novo disco e levo até Campo Grande, o show “Pelada” que é mais acústico, mais para teatro, onde eu conto minhas histórias, recito minhas poesias e canto. Faremos um show mais tranquilo do que o que levei no ano passado no MS Canta Brasil, porque agora é mais suave, é voz e violão.