01 de dezembro de 2020
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LOCKDOWN À VISTA

Explosão de contágios é um risco que ronda MS; governo avalia lockout

Estado continua entre os piores na taxa de adesão popular ao isolamento social horizontal, o mais amplo

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) está por decidir um lockout (confinamento) radical ainda esta semana se não melhorar a adesão popular ao isolamento social mais amplo, o horizontal. Em calamidades como é o caso da pandemia do Coid-19, este é o melhor e mais eficaz procedimento a ser adotado, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), para inibir a rápida e maciça propagação do contágio, numa explosão numericamente imprevisível de contaminações.

Em virtude dos baixos índices de adesão dos sulmatogrossenses ao protocolo da OMS, Azambuja vislumbra a necessidade de decretar o isolamento horizontal, que mantém em casa pessoas de todas as faixas etárias, liberando somente quem trabalha nas atividades rigorosamente pré-estabelecidas, como os serviços de saúde, o abastecimento alimentar e a segurança publica. O governador ficou perplexo e assustado com a grande circulação de pessoas no último fim de semana, em Campo Grande e no interior, especialmente no sábado de Aleluia.

Além da taxa média de 43% - cerca de 25% abaixo do ideal nesta fase -, Azambuja se preocupa com a evolução dos contágios no Estado, que até à tarde de ontem (segunda-feira, 13), registrava 113 casos confirmados e quatro óbitos, enquanto outras 63 pessoas estão sendo monitoradas. Na semana anterior haviam morrido duas pessoas, ambas de Batayporã, com idades acima de 60 anos. Domingo e segunda mais dois óbitos foram notificados na Capital, também idosas, do grupo de risco.

O Estado começou a monitorar a movimentação humana no dia nove deste mês. Desde então já ficou três vezes com a pior taxa de adesão ao distanciamento social amplo. Em comparação com estados vizinhos, Mato Grosso do Sul empatou com Mato Grosso na última colocação, tendo em conta o índice de 56,6% de isolamento, atrás de São Paulo (56,8%), Minas Gerais (58,8%), Paraná (59,7%) e Goiás (61,8%).

NA CAPITAL

O prefeito Marquinhos Trad (PSD) explica o toque de recolher nas redes sociais. Foto: Reprodução/Redes sociais

Com igual ênfase, o prefeito campo-grandense Marquinhos Trad (PSD) faz coro à apreensão do governador. Está contrariado com o comportamento de uma expressiva parcela da população que não respeitou as limitações do isolamento social amplo e vem ignorando os apelos para que fiquem em casa. Após de liberar parcialmente o comércio, Trad constatou que algumas condicionalidades não foram respeitadas, principalmente no que diz respeito às aglomerações, uso de máscaras e luvas e distância mínima de dois metros entre as pessoas.

Por conta disso, o prefeito já acena com a reedição de rigores que havia afrouxado, para atender pedidos dos comerciantes e setores da comunidade. Um desses rigores é o toque de recolher, cujo horário de início voltará ao que era antes, a partir das 20h. Até ontem (segunda-feira) estava mantido o início às 22h e o término às 5h. Todavia, Marquinhos reuniu-se com representantes das Forças Armadas para pedir reforço na fiscalização das ruas, praças e outros espaços de grande fluxo e concentração de pessoas.

“As pessoas respeitam essas forças, muito mais que nossos fiscais, então decidimos pedir ajuda para intensificar as fiscalizações, orientando as pessoas a não saírem de suas casas, a mensagem é simples e continua sendo essa: fique em casa”, insistiu o prefeito. “Espero que as Forças Armadas nos atendam, para que a fiscalização se intensifique o mais rápido possível, notadamente nos finais de semana. Porque é impressionante a desobediência da população com esse tanto de gente na rua”, exclamou.

PARAR TUDO 

 O deputado estadual Paulo Corrêa (PR). Foto: Roberto Higa | ALMS 

No Parque dos Poderes, é visível o incômodo das autoridades, entre elas o governador e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Paulo Corrêa, que dividem com seus assessores a expectativa pelos próximos números sobre as respostas da sociedade aos reiterados apelos para não sair de casa. Os poderes Executivo e Legislativo já baixaram medidas drásticas, das mais amplas, como a paralisação das aulas, às mais reservadas, como a suspensão das sessões da Alems.

Agora, porém, as estatísticas nacionais falam mais alto e aceleram o refinamento das restrições. Azambuja não descarta um lockout, com o bloqueio total da movimentação de pessoas e nas atividades, caso a população continue ignorando as recomendações do o isolamento social. Ele pondera que seria uma medida extrema, porém absolutamente necessária no caso de o Estado adernar para uma situação de descontrole no fluxo e na circulação humana, facilitando a propagação rápida e abrangente do coronavírus.