17 de abril de 2024
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Mais de 30 mutuns-de-penacho são reinseridos em matas de MS e SP

'Um marco para a biodiversidade'

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A iniciativa pioneira da Companhia Energética de São Paulo (CESP) dividiu-se em duas fases, com a libertação de 40 aves na Reserva Cisalpina (Brasilândia/MS) e na Área de Soltura do Rio Iguapeí (Castilho/SP).

Um ano após o início do projeto de reintegração do mutum-de-penacho pela CESP na região da UHE Porto Primavera, 77,5% das aves já estão totalmente adaptadas ao seu habitat natural. Isso representa 31 das 40 aves soltas, um feito aplaudido pela empresa. A adaptação dessas aves criadas em cativeiro ao novo ambiente é especialmente notável, considerando os desafios enfrentados, como os ataques de predadores naturais.

"O Projeto Soltura do Mutum-de-penacho completa um ano com uma conquista extraordinária. Atualmente, mais de 30 aves estão completamente adaptadas aos seus novos habitats, superando nossas expectativas. Este resultado é extremamente positivo, considerando a diversidade dos ambientes e os desafios, especialmente os predadores. A conservação da biodiversidade é um dos nossos pilares. Temos um compromisso com um futuro sustentável e acreditamos que estamos contribuindo para o meio ambiente e a sociedade", destaca Jarbas Amaro, gerente de Operações e Sustentabilidade da CESP.

O Projeto de Soltura do Mutum-de-Penacho começou há mais de duas décadas, quando aves dessa espécie foram resgatadas durante a formação do reservatório e levadas para o Centro de Conservação de Aves Silvestres (CCAS), da UHE Paraibuna, no Vale do Paraíba (SP). Em outubro do ano passado, 40 aves começaram a ser preparadas para retornar à região; um processo que envolveu desde análises clínicas até treinamento para sobrevivência em meio aos predadores e busca por alimentos.

Das 40 aves, 20 foram destinadas à Área de Soltura e Manejo de Fauna da Foz do Rio Aguapeí, em Castilho (SP), e outras 20 à Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cisalpina, em Brasilândia (MS). Em ambas as áreas, foram construídos viveiros idênticos aos existentes em Paraibuna para facilitar a adaptação. A transferência e soltura ocorreram em duas etapas: uma em novembro e outra em janeiro, após um período de quarentena e adaptação das aves ao novo ambiente.

"Acreditamos que a adaptação está ocorrendo de forma muito positiva e natural, pois mais de 75% das aves estão vivas. Podemos esperar bons resultados em breve, incluindo a reprodução, pois já vemos casais junto a aves selvagens. Embora ainda não seja possível confirmar a existência de filhotes, os sinais são promissores", completa Sérgio Posso, professor da UFMS e coordenador do projeto.

Para contextualizar a importância do resultado, o professor menciona um estudo de reintrodução da espécie Jacutinga (Aburria jacutinga), da mesma família do mutum-de-penacho, onde a taxa de sobrevivência foi de apenas 39,13% em 2022.

MONITORAMENTO

O processo de adaptação das aves está sendo monitorado por meio de câmeras trap – armadilhas fotográficas – e de sistema de monitoramento por radiotransmissores instalados no dorso das aves. O avanço da adaptação desses animais é explicado pelo professor Posso:

“Nos primeiros três meses, era comum avistar grupos maiores de indivíduos próximos ao viveiro de soltura, pois as aves foram criadas em condições controladas, com acesso regular a água e comida, dentro do viveiro. No entanto, o processo gradual de adaptação foi fundamental para que esses animais começassem a explorar os ambientes e desenvolvessem relações ecológicas específicas”.

Uma das ações realizadas foi a disposição de alimentos cada vez mais distante do viveiro, incentivando a integração das aves ao ambiente.

"Além de ser uma espécie ameaçada de extinção, o mutum-de-penacho desempenha um papel vital na dispersão de sementes, contribuindo para o reflorestamento e a conservação ambiental. Isso está alinhado com os programas de reflorestamento da CESP na região", ressalta Jarbas Amaro.

Até o final de janeiro de 2024, serão apresentados os primeiros resultados do monitoramento, incluindo a diversidade das espécies identificadas nas câmeras e a territorialidade dos animais. Todas as ações seguem metodologia aprovada pelo IBAMA, garantindo a eficácia e a segurança do projeto.