22 de abril de 2021
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PREOCUPAÇÃO

Seca no Pantanal: Secretário alerta para condições hídricas críticas dos rios de MS

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As chuvas das últimas semanas conseguiram amenizar a situação dos incêndios no Pantanal, porém ainda são insuficientes para repor o nível das águas dos principais rios do Estado. A situação é crítica sobretudo no rio Paraguai, com a maior parte de sua extensão abaixo do nível mínimo. O alerta é do secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, que nesta quinta-feira (5) participou da 4ª reunião da Sala de Crise do Pantanal, organizada pela Agência Nacional das Águas (ANA) e com participação de técnicos dos dois estados (MS e MT) e de diversos órgãos e instituições ligadas ao clima no país.

“Vamos ter um longo período ainda de não reposição do volume normal dos rios. A previsão é de que nesse Verão as chuvas não ocorram com a intensidade de anos anteriores, isso é preocupante porque estamos em constante alerta quanto a possíveis incêndios florestais decorrentes de raios. Durante a semana já fizemos o combate de oito focos na região do Pantanal”, disse Verruck.

A quarta reunião da Sala de Crise do Pantanal trouxe prognósticos apresentados por técnicos do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), todos apontando para a situação crítica dos rios, a seca mais longa da história no Pantanal com graves consequências para a fauna e flora – também para os 3 milhões de habitantes da região – e as previsões de chuvas abaixo da média para os próximos meses.

Técnicos do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) também fizeram apresentações durante a reunião. O analista de Recursos Hídricos Lincoln Corrêa Curado, da Sala de Situação do Imasul, apresentou um panorama dos níveis dos principais rios da BAP (Bacia do Alto Paraguai), dados de precipitações, das cheias e secas na região. A chefe da Unidade de Monitoramento do Imasul, bióloga Marcia Cristina de Alcântara, detalhou o estudo que o órgão desenvolve para avaliar os impactos da seca e das queimadas na qualidade das águas do rio Paraguai e falou sobre a rede de monitoramento da qualidade das águas no Estado; e o biólogo Heriberto Gimenes Júnior, coordenador do Laboratório de Ictiofauna do Imasul, falou sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido no órgão e a atualização do inventário da ictiofauna da Bacia do Alto Paraguai, que já identificou dezenas de novas espécies.

Seca no Pantanal

O Boletim da Sala de Situação do Imasul desta sexta-feira (6) mostra que em quatro pontos de medição o rio Paraguai apresenta níveis abaixo do mínimo, portanto considerada situação de emergência. Na região do Porto Esperança o nível do rio está 72 centímetros abaixo do mínimo, e em Ladário, apesar de haver subido um pouco, ainda continua com 14 centímetros negativos (abaixo do mínimo medido pela régua).

Já os rios Aquidauana, Miranda, Piquiri e Taquari estão em melhores condições. Desde o início de novembro, em apenas um ponto do rio foi registrada chuva e de apenas 1,2 milímetro. Nos demais não houve precipitações ainda nesse mês. A previsão é de que não ocorra transbordamento dos rios nesse da Bacia do Alto Paraguai nesse ano e que a inundação da planície pantaneira seja menor. Por um lado isso é bom, tendo em vista o temor de que a inundação possa arrastar para os rios as cinzas e restos das queimadas, podendo provocar o fenômeno chamado dequada, que é a baixa oxigenação das águas de modo a levar à mortandade de peixes.

A combinação de altas temperaturas (outubro teve picos de 44 graus C em algumas cidades), baixa umidade e seca prolongada fez de 2020 recordista de focos de incêndios na região pantaneira, conforme dados apresentados pelo INPE com base em registros desde 1988. Foram mais de 20 mil focos de incêndios na região neste ano, superando de longe os recordes anteriores de 2002 e 2005, quando ocorreram 12,5 mil focos. O mês de setembro foi o mais crítico, com 8 mil focos. As equipes de monitoramento e combate aos incêndios mantém-se alertas devido à escassez de chuvas e temperaturas elevadas.