25 de novembro de 2020
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CORONAVÍRUS

Bolsonaro faz piada em dia de quase 18 mil mortes por Covid-19 no Brasil

"Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma tubaína"

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O presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, assinará na manhã de hoje, 5ªfeira (20.maio) novo protocolo que permitirá a utilização da cloroquina em pacientes em estágio inicial de contágio do coronavírus.

Em live com o jornalista Magno Martins ontem, 3ªfeira (19.maio), o presidente ressaltou que o documento não obrigará nenhum paciente a ser medicado com a substância, mas dará a liberdade para que ele faça uso do remédio caso julgue necessário.

"O que é a democracia? Você não quer? Você não faz. Você não é obrigado a tomar cloroquina", disse. "Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma tubaína", ironizou, referindo-se a uma marca de refrigerante.

O presidente ressaltou que se fosse o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, tomaria a substância. O político do PSB, que tem criticado a postura de Bolsonaro diante da crise sanitária, anunciou na segunda-feira (18) que foi diagnosticado com a doença.

"Eu acho que quem falou que era veneno, não pode tomar [cloroquina]. Eu sou cristão. O governador pode tomar a cloroquina. Pode ser que não precise. Mas, no seu lugar, eu tomaria", afirmou.

Bolsonaro reconheceu que, no futuro, podem concluir que a substância serviu apenas como uma espécie de placebo no combate à doença. Ele, no entanto, observou que a comunidade médica também pode chegar à descoberta de que ela foi útil na cura de pacientes.

A utilização da cloroquina para o tratamento do coronavírus ainda não tem evidências científicas que apontem eficácia e vai na contramão de estudos recentes.Atualmente, o protocolo adotado pela pasta prevê o uso do medicamento apenas por pacientes graves e críticos.

A divergência em torno do uso da cloroquina é apontada como o principal motivo da saída do oncologista Nelson Teich do comando da Saúde, na semana passada. Teich teria afirmado que não mancharia seu currículo, indicando o medicamento, não apoiado por grande parte dos cientistas. 

Bolsonaro também afirmou na live de ontem que nunca teria provocado governadores. E acusou João Dória de agir como ditador. 

Na tarde de ontem, o MS Notícias reportou que um empresário bolsonarista é um dos fabricantes da Cloroquina, e que isso alimenta a vontade e a insistência de Bolsonaro à indicação do medicamento. Além dele, o presidente americano Donald Trump também indica o medicamento. No entanto, nenhum dos do dois gestores políticos tem formação médica.  

Fonte: Folha Press