Após quatro anos à frente da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários de Mato Grosso do Sul, Fernando Souza deixou o cargo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa (ALEMS)
Em entrevista exclusiva ao MS Notícias, Souza revelou ser pré-candidato a deputado estadual pelo Progressistas e afirmou que sua experiência no Executivo reforçou a necessidade de ampliar a atuação indígena também no Legislativo.
“Os quatro anos que estivemos à frente da subsecretaria foram uma experiência importante. Estar no Executivo é uma coisa. Agora, a gente precisa avançar nesse outro espaço que é o Legislativo”, disse.
Segundo Souza, a ausência de representantes indígenas na Assembleia limita o alcance de políticas públicas em um Estado que reúne uma das maiores populações indígenas do país.
Ele defendeu que a presença indígena na Casa de Leis pode influenciar diretamente na formulação de projetos e na distribuição de recursos.
“Todo o orçamento do Estado passa pela Assembleia. Ter uma voz indígena lá é fundamental para garantir que parte desse recurso chegue às comunidades, para a efetivação de políticas públicas estruturantes”, comentou.
O pré-candidato também lembrou que, atualmente, não há parlamentares indígenas na ALEMS.
“Hoje, infelizmente, nós não temos representatividade. Ainda temos pessoas não indígenas falando por nós, tentando levar as nossas pautas, mas é um espaço que a gente ainda não avançou”.
Souza destacou, entretanto, o crescimento gradual da presença indígena na política municipal.
“Hoje temos 17 vereadores indígenas no Estado, e esse número vem crescendo a cada eleição. A expectativa é que cheguemos a pelo menos 25 no próximo pleito”, prospectou.
Indígena da etnia Terena, Fernando Souza defende diálogo para sanar conflitos fundiários em MS. Foto: ReproduçãoPara Souza, a eventual eleição de um deputado indígena em Mato Grosso do Sul teria caráter histórico.
“Vai ser algo inédito para o Estado e pode abrir uma porta para ampliar essa representatividade no futuro”, mensurou.
Durante a entrevista, ele ressaltou que sua gestão na subsecretaria foi marcada pelo diálogo com diferentes esferas de governo.
“Foi uma gestão de diálogo, com aproximação entre instituições. Entendemos que esse é o caminho para avançar na implementação de políticas públicas”, disse.
Segundo o pré-candidato, essa postura deve ser mantida no Legislativo, inclusive na relação entre partidos.
“A pauta indígena e as pautas sociais são de todos os partidos. Pelo menos deveriam ser. Estamos falando de mulheres, quilombolas, população LGBT, idosos. Todos esses segmentos fazem parte da sociedade e precisam ser contemplados”, argumentou.
Ao tratar dos conflitos fundiários, Souza defendeu a construção de soluções por meio da mediação.
“É necessário ter capacidade de dialogar com ambos os lados, comunidades indígenas e produtores. Cada caso precisa ser analisado separadamente”, analisou.
Souza reconheceu que o tema envolve competências federais, mas entende que o Legislativo estadual pode contribuir.
“A Assembleia precisa assumir seu papel, promovendo esse diálogo com responsabilidade”, defendeu.
Para o pré-candidato, a superação dos conflitos passa pela escuta e pelo reconhecimento das diferentes trajetórias.
“A população indígena tem sua história, assim como os produtores rurais também têm. Não é saudável para ninguém manter esse conflito por décadas”, declarou.
Souza concluiu defendendo que o caminho para reduzir tensões no campo passa pela construção de consensos.
“O diálogo é o melhor caminho. Com respeito, paciência e responsabilidade, é possível buscar um denominador comum, promover a paz e garantir segurança jurídica para todos”.











