17 de setembro de 2021
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JOGOS PARALÍMPICOS

Yeltsin e Silvânia, filhos do MS, conquistam ouro em Tóquio em provas de atletismo

Sul-mato-grossenses chegaram ao lugar mais alto do pódio nos 5000m para cegos e salto em distância, respectivamente

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Sul-mato-grossenses brilharam no primeiro dia de provas de atletismo ontem (26.ago.2021), nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, com duas medalhas de ouro que foram para Yeltsin Jacques, fundista da classe T11, para cegos, e Silvânia Costa, no salto em distância também da classe T11, segundo informações do Comitê Paralímpico Brasileiro. 

Yeltsin Jacques foi o primeiro a disputar uma prova de atletismo em Tóquio e ficou na posição mais alta do pódio, completado pelos anfitriões do jogos, os japoneses Kenya Karasawa e Shinya Wada. Nos 5.000m pela classe T11, para cegos, o sul-mato-grossense fez o tempo de 15min13s62. 

Depois de dominar a liderança do pelotão na maior parte da prova, a duas voltas para o fim, Yeltsin chegou a ser ultrapassado por Kenya Karasawa, até a arrancada aos 14min53m que garantiu sua ultrapassagem e, de quebra, o recorde das Américas.

Para seu percurso, Yeltsin usou dois atletas-guia na prova, sendo Laurindo Nunes Neto quem iniciou a disputa, enquanto Carlos Antônio dos Santos finalizou os últimos metros com o medalhista paralímpico. 

“Foi uma prova de bastante estratégia, eu já tinha definido uma estratégia próxima com os meninos. Eles foram me passando as informações durante a prova para gente se posicionar conforme o combinado para evitar o choque”,

Além disso, o estudo para os jogos contou com uma "forcinha" da esposa que está aqui em Mato Grosso do Sul. 
“Quando o Carlos [Antônio do Santos] entrou, ele falou sobre o queniano e o japonês. A minha esposa já tinha estudado essa e me avisou: o japonês não ganha de você na chegada, e foi dito e feito. Obrigado! A medalha é do Brasil. Nós treinamos mais de dois anos especificamente para esta prova, então o trabalho foi feito, cumprido e Deus abençoe nós todos. E agora vamos para o 1.500m representar o Brasil", disse o atleta. 

Campo-grandense, Yeltsin vem acumulando conquistas como atleta paralímpico, com uma medalha de prata nos 1.500m e um bronze nos 800m no Mundial da França 2013, ouro nos 1.500 e nos 5.000m nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015, além de um bronze na prova de 5.000m e outro ouro nos 1.500m no Parapan de Lima 2019.

Ainda, Júlio Cesar Agripino foi outro brasileiro a correr a prova, ficando em 7º lugar com o tempo de 16m26s31. 

Até agora, o Brasil já acumula 92 medalhas na história dos Jogos Paralímpicos. 

90ª MEDALHA DE OURO BRASILEIRA

Silvânia Costa

Silvânia Costa foi mais uma sul-mato-grossense a deixar seu nome marcado em ouro, após saltar 5,0m na sua quinta tentativa e ficar com o lugar mais alta do pódio. Lorena Spoladore foi a outra brasileira na mesma disputa, que ficou na quarta colocação. 

"Que felicidade! Eu entrei com muita garra e determinação. Eu ralei muito, com a oportunidade que o CPB me ofereceu. A gente aproveitou o máximo e  consegui chegar aqui e cumprir a nossa meta e objetivo", disse a atleta bicampeã paralímpica.

"Acho que o principal é quando o atleta sai satisfeito sabendo que perdeu primeiro para ele mesmo. E a gente superou todas as dificuldades e agora eu quero ver o hino e a bandeira do pódio. Eu nunca pensei em desistir. Eu sabia que este momento iria ser meu e que só dependia de mim os meus objetivos. Uma coisa eu não perdi: a minha garra, a determinação e a minha força de vontade. Então essa medalha vem com todo esse trabalho de apenas cinco meses”, concluiu. 

Após a conquista, a atleta mal descansou e já partiu para competir também nos 400m, mas abandonou a prova no início por uma distensão muscular.

92 MEDALHAS

Ainda, na manhã de hoje (27.ago.2021), o paraibano Petrúcio Ferreira se manteve como o homem paralímpico mais rápido do mundo e venceu a prova dos 100m pela classe T47 (para amputados de braço), com o tempo de 10s53, cravando o novo recorde paralímpico, que era até então de 10s57, anotados por ele mesmo nos Jogos do Rio 2016.