30 de novembro de 2021
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'RAPOSA NO GALINHEIRO'

Autopremiação marota da cobra deixa a fauna artística em polvorosa

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Cidade Morena tem teatro onde o impossível e o inimaginável acontece, se nos palcos já deu até de homem virar urubu, agora deu de, com as mesmas mãos, criar condecoração e pôr no próprio pescoço. Chamou toda a cena para o momento ápice em que ele e seus próprios se levariam ao pódio, como crianças donas da bola que jogam de acordo com suas próprias regras para ganhar. 

Ao pássaro iluminador faltou clareza. Teve o penacho de se premiar e botar cinza nos olhos de outros tantos que interpretaram segundo pedia o papel. A situação tá feia, a classe diz se unir e vive dos mesmos costumes de sempre. Discursam, mas fazem contra o que dizem. Pregam união e se separam. Prometem apertar as mãos coletivamente, mas entrelaçam-se a si mesmos e batem nas próprias costas, sozinhos.

Cabe ao ator usar dos seus artifícios para nos fazer acreditar, seja lá no que for. Nesse caso difícil é saber qual frase é mais assertiva, se do francês da fábula que falava "é um prazer dobrado enganar quem engana'', ou a tupiniquim que dizia "é muita maquiagem para esconder os buracos de solidão".