16 de maio de 2022
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FEMINICÍDIO | CAMPO GRANDE (MS)

Na frente dos filhos: Adailton tortura esposa com choques por 27 dias até a morte

Corpo da vítima foi encontrado dentro da própria casa, com sinais de estrangulamento, perfurações nas costas, dentes quebrados e cabelos cortados

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Francielle Guimarães Alcântara, de 36 anos, morreu na quarta-feira (26.jan.22) em Campo Grande (MS), após durante 27 dias ser torturada pelo marido Adailton Freixeira da Silva, de 46 anos, vulgo “Baianinho”. O assassino está foragido. 

Segundo o delegado Camilo Kettenhuber, ela foi mantida em cárcere na casa em que vivia com esposo e com os filhos na Rua Cachoeira do Campo, no Bairro Portal Caiobá. O corpo de Francielle foi encontrado dentro da própria casa, com sinais de estrangulamento, perfurações nas costas, dentes quebrados e cabelos cortados.

A polícia diz que a mãe foi torturada e assassinada na frente dos filhos de 17 anos e um bebê de 1 ano e 8 meses. O adolescente chegou a tentar reanimar a mãe, mas ela já estava morta.

"Desde o dia 1º de janeiro desse ano a Francielle era mantida em cárcere, ela não podia sair para lugar algum e nem falar com ninguém. O adolescente, filho do casal, também era mantido dentro da residência. A Polícia Militar chegou a ir ao local cerca de 3 vezes, mas Francielle, com muito medo das ameaças e torturas que recebia, dizia que estava tudo bem e dispensava a viatura", explicou o delegado.

Segundo a perícia médica, uma parte do corpo de Francielle não tinha nem pele, devido a queimaduras dos choques que ela recebia do marido. "Ela usava bandagens nas feridas, encontramos e apreendemos esses curativos. Além disso, ela tinha diversas perfurações de faca pelo corpo, marcas de pancadas na cabeça e teve o cabelo cortado pelo marido durante as torturas", detalhou Camilo.

Adailton fugiu do local do crime por volta da meia-noite da quarta-feira, em uma moto Honda CD 300, de cor preta e não foi mais visto. "Acho que sua mãe morreu", foi o que ele disse para o próprio filho, de acordo com o delegado.

Depois da frase e de ser questionado pelo adolescente sobre o que ele tinha feito, o homem pegou o capacete e foi embora.

As imagens estão sendo recolhidas pela polícia nesta quinta-feira (27.jan.22) e serão encaminhadas para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), que ficará responsável pelo caso.

INVESTIGAÇÕES 

O assassino trabalhava como soldador e atuava como agiota em Campo Grande.

As investigações apontam ainda que os médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) atenderam a vítima e declararam morte natural, ignorando todas as lesões no corpo da mulher.

A Polícia Civil detalha que durante o socorro, o médico responsável não levou em conta as lesões encontradas nas costas, nádegas e pescoço da vítima antes de declarar morte. Ao ter a hipótese do feminicídio, a PC pediu para que perícia fosse feita no corpo de Francielle.

"Quando os policiais da 6ª delegacia viram o caso, pediram perícia no corpo da vítima, o que foi feito pelo IMOL depois que o corpo foi removido do local. Foram constatadas as lesões causadas pela agressão", detalha o delegada.

*Com Campo Grande News.