20 de janeiro de 2021
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CESTA BÁSICA

Capital fecha o ano com variação de 28,08% e registra retração de -2,14

Valor dos produtos comprometem quase 60% do salário mínimo líquido do campo-grandense

Alguns produtos da cesta básica brasileira subiram em todas as capitais no 2020 pandêmico, seja pela desvalorização do câmbio, pelo alto volume das exportações ou por fatores climáticos, que tem como efeito longos períodos de estiagem ou de chuvas intensas. É o caso da carne; do leite UHT e manteiga; arroz agulhinha; óleo de soja; batata; açucar; da farinha de trigo; do pão francês e do tomate, que não pouparam cidade alguma do aumento de preços. 

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) apontam que o custa da cesta báscia teve alta em 13 capitais e redução em 14. Em 18 de março de 2020 houve a suspensão, da realização presencial, da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, sendo adotada a tomada de preços a distância, com exceção da cidade de São Paulo. Foi lá que a cesta básica apresentou o maior valor, custando R$ 631,46 (cerca de 65,33% do salário mínimo), com variação mensal de 0,36% e 24,67% ao ano. 

Segundo o Departamento, baseado no maior valor, registrado em SP, estima-se que o salário mínimo deveria ser equivalente a R$ 5.304,90. Esse cálculo do necessário é feito levando-se em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

De acordo com o DIEESE, Salvador (32,89%) e Aracaju (28,75%) registraram as maiores altas de preços no conjunto dos alimentos. Campo Grande está entre as capitais em que foram registradas as menores diminuições, cerca de -2,14%, com a cesta custando R$ 576,48, quase 60% do salário mínimo líquido do campo-grandense. A Cidade Morena fechou 2020 com o registro de uma variação de 28,08% ao ano. 

Quando é comparado o valor da cesta com o salário mínimo após desconto referente à Previdência Social (que com a Reforma foi alterado para 7,5% em março de 2020), constata-se que, em média, o trabalhador que recebe pelo piso nacional comprometeu 56,57% do salário líquido comprando alimentos básicos. 

CAMPO GRANDE

Em 2020, com a variação de -2,14%, mensalmente a cesta básica custou. 

MESES VALOR DA CESTA BÁSICA
Março R$ 474,53
Abril R$ 495,69 
Maio R$ 455,35 
Junho R$475,01  
Julho R$ 479,79 
Agosto R$ 484,46 
Setembro R$ 492,80
Outubro R$ 520,12 
Novembro R$ 589,08

Ainda segundo o DIEESE, uma família campo-grandense com dois adultos e duas crianças, gastaria R$ 1.729,44 no valor da cesta básica. A batata foi o produto que mais variou (4,16%) em dezembro. Comparado com novembro, o que também subiu foi: a banana (2,92%), feijão carioquinha (2,71%), açúcar cristal (1,72%) e farinha de trigo (1,25%).

Enquanto a batata preço médio de R$ 4,76 um quilo, o tomate, que teve redução mais expressiva (-20,33%), ficou com o preço médio de R$ 4,78 um quilo do fruto. Estima-se que, só para colocar comida na mesa o campo-grandense precisou trabalhar 121 horas e 22 minutos, que corresponde há cinco dias de serviço no mês, reservados para a busca de alimento.