21 de abril de 2021
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ECONOMIA REGIONAL

Rota Bioceânica tem prós e contras que envolvem prejuízo ambiental

Ações de avanço econômico passam por polo tecnológico; reforma de incubadoras, atualização do PRODES, e pela RILA, que tem dividido moradores e empresário

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Com os reflexos da crise pandêmica, seja para a saúde; cultura ou demais áreas, o desenvolvimento econômico é a base dos discursos para o ano de 2021. Em Campo Grande, Herbert Assunção é responsável pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia é administrada, e através do órgão garante esse investimento para impulsionar a economia.

Em nota a Sedesc afirmou que o Agronegócio será impulsionado incentivando novas agroindústrias; colocando Centro de Referência e Fortalecimento da Agricultura, como forma de dar base à agricultura orgânica e familiar. Além disso, quatro incubadoras da Capital serão modernizadas e reestruturadas.

Outra alternativa para a cidade é a criação de um Polo de Tecnologia e Inovação incentivando a pesquisa regional. "O Polo Tecnológico já está em estudos, há um consultor contratado pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, para implantarmos esse polo até o final do ano. Há várias pessoas envolvidas e brevemente deverá aparecer convocação de audiência pública, outros tipos de reuniões, etc., para iniciarmos o Polo de Inovação e Tecnologia de Campo Grande", finaliza o secretário da Sedesc.

Atenções estão voltadas para a atualização do Programa de Incentivos para Desenvolvimento Econômico e Social (PRODES) - lei sancionada há quase duas décadas, abordada e debatida na Câmara dos vereadores -; para a reestruturação de incubadoras; criação de Polo de Tecnologia, além de um grande depósito de esperanças nos reflexos e efeitos da concretização da Rota Bioceânica.

BIOCEÂNICA

Também conhecida como Rota de Integração Latino Americana (RILA), a Prefeitura de Campo Grande e Secretaria esperam que a Bioceânica transforme a Cidade Morena em protagonista da rota que ligará o Atlântico ao Pacífico. Um corredor rodoviário com extensão de 2.396 quilômetros, ligando o Oceano Atlântico aos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, passando por Paraguai e Argentina.

Um dos primeiros passos efetivos em Mato Grosso do Sul é a construção da primeira ponte sobre o Rio Paraguai, obra de grande impacto ambiental que está programada para começar esse ano e ser concluída em 2022, estimada em US$ 75 milhões.

Por trás desse caminho, que deixa mais curta a distância do Brasil até um dos principais consumidores de commodities mundiais, a Sedesc se diz trabalhando para trazer algum protagonismo para Campo Grande nesse trajeto.

"Aqui será o início dessa rota rodoviária que terá também apelo turístico econômico/social muito forte. Isso está sendo desenvolvido em parceria com a UniRila (Rede Universitária da Rota de Integração Latino-Americana), capitaneada pela UEMS (Universidade Estadual de MS), e com os demais parceiros que compõe esse conceito de Rota de Integração Latino Americana", afirma Herbert Assunção.

Trajeto da Rota Bioceânica que interliga quatro país, aposta da Sedesc e Prefeitura para dar "protagonismo" à Campo GrandeTrajeto da Rota Bioceânica que interliga quatro país, aposta da Sedesc e Prefeitura para dar "protagonismo" à Campo Grande - Foto: (Última Hora)

PREÇO DO DESENVOLVIMENTO

Para a Organização Não Governamental Ecologia e Ação (Ecoa), os proponentes apresentaram os "desafios ambientais" como pontos a serem vencidos, listando: a Floresta Amazônica; o Pantanal e a Cordilheira dos Andes.

Situado na parte sul do Pantanal Sul-mato-grossense, às margens do Rio Paraguai, fronteira do Brasil com Paraguai, Porto Murtinho tem pouco mais que 15 mil habitantes, com 80% da população vivendo essencialmente do turismo de pesca, segundo dados do Ecoa.

Uma parcela da população local, e pequenos empresários, não descartam a obra como um novo fato de degradação ambiental. Obras ligadas à Hidrovia Paraná Paraguai devem afetar a saúde do rio Paraguai e seus afluentes e, consequentemente, a principal fonte de renda local, como manifestou em nota a empresária do setor de turismo, Maria Elena Aguilera.

Pesquisadores especializados reconhecem o potencial de desenvolvimento e crescimento econômico, mas mostram que, sem o acompanhamento de políticas públicas nos mais variados setores, problemas sociais como a exploração sexual; violência urbana; saneamento básico e falta de acesso a bens e serviços, devem se agravar.

Os impactos entendem-se de Porto Murtinho e Carmelo Peralta (Paraguai). Já em terras paraguaias, indígenas Ayoreos que sobrevivem da pesca; captura de iscas para a pesca turística e lavouras de subsistência, estão entre os mais afetados.

Resultado dessa obra, indiretamente o desmatamento se dá pela expansão da agricultura e da pecuária nos municípios da região, na bacia do rio Paraguai, mais especificamente, na sub-bacia do rio Miranda, que drena para o Pantanal. Bonito e Jardim, devido suas riquezas ambientais, terão no turismo o principal gerador de emprego e renda, mas, com isso, o desmatamento, queimadas, perda do sol para o uso de agrotóxicos vêm na mesma conta.

Vale ressaltar que o crescente fluxo de veículos de grande porte aumenta o risco de atropelamento, e apontar a piora dos problemas sociais em comunidades marginalizadas, ameaçadas de perder seus meios de vida tradicionais, que são diretamente ligados ao ambiente.