04 de abril de 2026
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SAÚDE

Como a medicina acredita que pode curar a diabetes

Doença é uma das que mais mata no Brasil e no mundo

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Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgados em 2018, cerca de 16 milhões de brasileiros sofrem de diabetes. Ainda de acordo com o relatório, a taxa de incidência da doença cresceu 61,8% nos últimos dez anos.

Outro dado preocupante é o crescimento no número de mortes em decorrência da diabetes. O país registrou crescimento de 12% no número de mortes por diabetes entre 2010 e 2016, aponta o Sistema de Informações sobre Mortalidade, também do ano passado. O relatório mostra que ocorreram 54.877 mortes em 2010 para 61.398 no ano de 2016.

Diante desse cenário, pesquisas pelo mundo têm buscado encontrar a cura da diabetes. Um estudo publicado na revista norte-americana Cell Metabolism mostra que a enzima que inibe a atividade da insulina não fica no fígado, como se acreditava anteriormente, e sim no tecido adiposo de todo o corpo. Essa descoberta pode levar a novas terapias para combater a doença.

Para chegar a essa descoberta, pesquisadores alimentaram ratos com uma dieta rica em gordura, induzindo o diabetes tipo 2 nos animais. O passo seguinte foi desativar o gene responsável pela PKCe no fígado, de uma parte dos camundongos, e em todo o tecido adiposo de outra parte.

"A grande surpresa foi que, quando removemos a produção de PKCe especificamente no fígado, os ratos não estavam protegidos", conta Carsten Schmitz-Peiffer, um professor associado no Instituto Garvan de Pesquisa Médica, em Darlinghurst, na Austrália.

Na Espanha, um novo medicamento produzido pelos pesquisadores do Centro Andaluz de Biologia Molecular e Medicina Regenerativa, em Sevilha, também testados em camundongos pode sugerir a cura para diabetes do tipo 1 - é mais comum em crianças e adolescentes.

A doença destrói as células beta do pâncreas, responsáveis pelo armazenamento e pela secreção da insulina, criando uma dependência permanente da injeção desse hormônio.

“Se forem realmente capazes de transferir isso aos seres humanos, e isso não acontecerá em breve, terá aplicações não apenas na prevenção como também no tratamento. Isso abre uma porta para curar o diabetes tipo 1”, diz o pesquisador Ramón Gomis, professor emérito da Universidade de Barcelona e ex-diretor do Instituto de Investigaciones Biomédicas Idibaps, em entrevista ao El País.

Uma pesquisa do DataFolha do ano passado mostrou que, no Brasil, a maioria dos brasileiros não tinha informações sobre a diabetes. Segundo a reportagem, só 10% dos entrevistados citaram que ela pode causar a morte, 7% afirmaram que ela pode causar cegueira e 7% disseram que a doença não tem cura.

Enquanto a cura definitiva não aparece, é preciso ficar atento nos cuidados com a saúde. "A população precisa saber que atividade física, alimentação adequada e o combate a doenças como hipertensão e colesterol alto podem ajudar a prevenir o diabetes", afirmou Hermelinda Pedrosa, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, à Folha de São Paulo.

O diabetes é uma epidemia global e o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking dos países com o maior número de casos, atrás de China, Índia e Estados Unidos.