27 de setembro de 2021
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EMPRESA DE SEGURANÇA

"Rondai não tem dinheiro nenhum para fazer o pagamento de vocês", dizem à vigilantes da Caixa

"Tem vigilante passando necessidade, de novo", denunciam trabalhadores. Além de calotes nos depósitos do FGTS

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A Rondai Segurança é alvo de novas acusações de atrasos nos salários dos seus funcionários que atuam como Vigilantes da Caixa Econômica Federal em Mato Grosso do Sul. Em áudio a que a reportagem do MS Notícias teve acesso, uma funcionária responsável pelos pagamentos da empresa no sindicato diz aos trabalhadores que a Rondai não tem dinheiro para os pagar, que está dependendo da liberação de um processo parado na Justiça do Trabalho. Além de atrasos nos salários, os vigilantes dizem não estarem sendo depositados os Fundos de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e não estarem sendo feitos os pagamentos àqueles que saem de férias. 

A empresa não pode mais participar de licitações e está perdendo contratos com empresas do governo. O MS Notícias denunciou que em dezembro a Rondai não havia feito os pagamentos de 13º salários de mais de 120 funcionários que atuam para empresa como vigilantes na Caixa Econômica Federal em Mato Grosso do Sul. A denúncia feita pelos próprios trabalhadores pressionou a empresa a pagar os 13º. Porém, alguns trabalhadores alegam que se descobrem quem está fazendo as denúncias, a empresa pune.

Os funcionários alegam que além de não pagar o salário desse mês a empresa ainda bloqueou seus tíquetes de alimentação. “Tem vigilante passando necessidade, de novo...”, explicou trabalhador que terá o nome preservado.

“Não depositaram nada. Da outra vez pagaram os décimos por conta da reportagem, agora está tudo atrasado de novo. Ao invés de pagar, caso descubram quem denunciou à imprensa, estão ameaçando trocar de posto”, disse o trabalhador.

Os vigilantes ainda denunciam a precariedade nos materiais de serviço à eles fornecidos. “A gente está trabalhando de colete velho, arma velha. Tem vigilante trabalhando como funcionário, entregando álcool em gel na Caixa. A Rondai diz que não tem dinheiro. Quem entrou de férias não recebeu. Ela recebe todo dia 17 de cada mês, porque a empresa não paga? Ela alega que a Caixa não estava repassando, é mentira”, disse indignado um trabalhador.  

ADVOGADA FAZ AMEAÇAS A IMPRENSA

Na última reportagem publicada no MS Notícias, uma advogada da Rondai identificada apenas como "Jaqueline", alegou que não diria nada sobre quando os pagamentos dos funcionários seriam feitos e chegou a ameaçar o jornalista ao telefone, dizendo que o mesmo era obrigado a retirar a reportagem do ar pois se tratava de conteúdo mentiroso, ou era isso, ou a advogada moveria ação judicial contra o portal. A reportagem pode ser conferida AQUI. "Se essa notícia não for retirada do site, eu vou processar tanto o sindicato quanto o MS Notícias...Vocês têm prova de que a me empresa está falindo", ameaçou a advogada.  

Apesar das ameaças, a advogada não soube informar ao site, no conteúdo, o que se tratava de mentira. Apenas disse que a empresa não pretendia 'fechar as portas', afirmação contrária a opinião do presidente do Sindicato dos Empregados das Empresas de Segurança e Vigilância (Seesvig/MS), Celso Adriano da Rocha, que em entrevista disse: "A empresa alega não ter recursos financeiros. Porque a Rondai está em processo de fechamento, porque eles não podem participar de processo licitatório durante 2 anos, e com isso eles estão perdendo todos os contratos", explicou. 

Ouça o áudio em que uma integrante do sindicato dos vigilantes diz que a Rondai não tem dinheiro para pagar funcionários. 

MS Notícias · Sindicato diz que Rondai não tem dinheiro para pagar vigilantes da Caixa

Funcionários de filiais da empresa em Cuiabá, no Mato Grosso, indicam que a empresa também atrasa salários lá, bem como tem FGTS não depositados. 

A reportagem falou com Celso, que disse: "Quanto ao bloqueio do cartão a empresa passou que está providenciando o pagamento para liberar o crédito bloqueado e o do mês... Quanto ao salário, a empresa não pagou porque está descapitalizada devido às várias demissões recentes, mas que até amanhã estará regularizando... Ontem assinamos um parecer para a JF liberar um crédito para a Rondai de um contrato de 2018 e com esse valor irão regularizar as pendências", esclareceu.   

O MS Notícias tentou falar com Juliano Zambiasi, Presidente do Grupo Rondai em Sonora, local da matriz da empresa, mas ele não respondeu as mensagens e nem atendeu os telefonemas. 

A reportagem também enviou questionamentos a Caixa Econômica Federal, perguntando se é do conhecimento a situação; Se procede que funcionários estão trabalhando com coletes, armas e adereços outros precários; Se a Caixa tem conhecimento sobre o não depósito dos FGTS dos funcionários. O MS Notícias não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. 

O MS Notícias ainda perguntou ao Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul se há processos contra a Rondai na instância, quais crimes podem estar cometendo os empresários caso sejam comprovadas as situações denunciadas pelos trabalhadores. O site aguarda posicionamento.  

 

*Correção! O áudio enviado à reportagem partiu de uma integrante da Seesvig/MS e não de uma funcionária da Rondai. O sindicalista Celso, após a publicação da reportagem, comunicou o erro. Portanto o site fez a correção.