29 de maio de 2024
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VIOLÊNCIA POLÍTICA

Tarcísio de Freitas repudia ataque de Douglas Garcia contra Vera Magalhães

Comissão Arns manifestou apoio à jornalista

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A Comissão Arns emitiu hoje nota pública para manifestar apoio à jornalista Vera Magalhães frente aos recentes ataques cometidos pelo candidato Jair Bolsonaro (PL) e pelo deputado Douglas Garcia (Republicanos) contra a profissional (leia abaixo no final do texto). 

A violência ocorreu debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, promovido pela TV Cultura em parceria com o UOL e a Folha de S.Paulo, a jornalista Vera Magalhães foi agredida pelo deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos).

Segundo a própria jornalista, ainda durante o debate, o parlamentar começou a gravá-la, sem autorização dela. Ao final do evento, ele repetiu as ofensas feitas por Jair Bolsonaro (PL), dizendo que ela é a “vergonha do jornalismo” e voltou a reproduzir informações falsas sobre seu salário da Fundação Padre Anchieta.

“Ele veio mentir novamente. Ele foi ao debate para me acossar, me intimidar, achar que com isso irá me calar e que terei medo. Isso não é aceitável. O Brasil é uma democracia e pressupõe uma imprensa livre”, disse Vera em suas redes sociais.

VEJA A MANIFESTAÇÃO DE VERA:

O jornalista Leão Serva, que mediava o debate, defendeu Vera e retirou o celular da mão do deputado. Ao ser retirado do local, o deputou gritou "jonazistas".

Ela ainda afirmou que irá registrar um boletim de ocorrência contra o deputado e exigiu esclarecimentos também de Tarcisio de Freitas (Republicanos). Garcia foi ao evento a convite do candidato apoiado por Jair Bolsonaro.

“Desde o debate [presidencial], estou recebendo ataques violentos e virulentos de uma base Bolsonarista autorizada pelo presidente da República. Ele me atacou e eles se sentem autorizados a repetir os ataques”, explicou a jornalista.

Ainda segundo Vera, ela precisou sair escoltada do local.

POSICIONAMENTO DE LEÃO SERVA

Após os ataques, o diretor de jornalismo da TV Cultura explicou os acontecimentos e criticou as atitudes do deputado durante o debate.

“O deputado Douglas Garcia possui um histórico de perseguição e assédio contra a jornalista Vera Magalhães há algum bom tempo. Há alguns anos, ele foi à TV Cultura, usando as prerrogativas de deputado, para obter uma cópia do contrato de trabalho dela. Ele foi a Alesp e divulgou, como salarial mensal, o que ela recebe por ano”, explicou.

Ainda de acordo com o jornalista, o parlamentar foi ao evento com o objetivo de causar essa confusão e “lacrar” em cima da apresentadora do Roda Viva.

“Única coisa possível a se fazer naquela hora era afastá-lo da ‘lacração’. Por isso, interrompi a gravação que ele estava fazendo”, finalizou.

REPOSTA DE TARCÍSIO DE FREITAS

Vera Magalhães usou suas redes para informar que o candidato Tarcísio de Freitas entrou em contato e lamentou o episódio e irá fazer uma declaração pública contra os ataques.

NOTA

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns vem a público manifestar seu apoio à jornalista Vera Magalhães e, ao mesmo tempo, expressar seu mais veemente repúdio aos ataques sofridos por esta profissional reconhecida, que fazem parte de uma campanha demolidora, mal-intencionada e misógina visando desqualificar o trabalho das mulheres na imprensa brasileira.

São repulsivas as cenas de desacato e violência protagonizadas pelo deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos) no debate entre candidatos ao governo de São Paulo, promovido ontem pelo UOL, em parceria com a Folha e a TV Cultura. Repulsivas, mas não inéditas. Além de a jornalista já ter sido alvo de abordagens anteriores do mesmo deputado, os ataques de ontem ecoam, até em seus termos, o mesmo que Vera Magalhães sofreu da parte do candidato Jair Messias Bolsonaro (PL), em debate presidencial promovido pelo Grupo Band, dias atrás.

É evidente que os golpes contra jornalistas mulheres no Brasil, nos últimos anos, têm origem e objetivo certos. Na origem, confundem-se a ignorância, o machismo e a covardia de quem se compraz em agredir profissionais do sexo feminino - no caso, que atuam na imprensa - perpetuando aquela execrável lei de que para os fortes sempre compensa bater nos mais fracos. No objetivo, o que se tem visto é uma cafajestice programada para a divulgação intencional dessas ações intimidatórias pelas redes sociais, humilhando as jornalistas das formas mais virulentas, tentando silenciá-las e, ao mesmo tempo, buscando encobrir os verdadeiros pontos fracos dos seus agressores.

Vera Magalhães, colunista de O Globo e âncora da TV Cultura, tem sido a bola da vez, assim como foram Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, Miriam Leitão, do jornal O Globo, e Amanda Klein, da Jovem Pan, casos mais visíveis numa infinidade de situações que nem sempre chegam ao conhecimento público. Nelas, inclui-se a rotina quase diária de agressões contra repórteres, proferidas naquele tal cercadinho onde o presidente da República pensa governar e se comunicar com a Nação.

É preciso dizer “basta” a essa prática infame. Além do apoio e da solidariedade à Vera e às suas colegas, a Comissão Arns conclama que todas estas agressões sejam investigadas na sua integralidade, inclusive com a participação e o apoio dos veículos de mídia que as jornalistas representam, para a total apuração dos atos de violência e a devida responsabilização dos seus autores.

Liberdade de expressão não se confunde com liberdade de agressão. A imprensa livre é, e vai continuar a ser, um pilar da nossa democracia. Seus demolidores não podem ficar impunes.

FONTE: TV CULTURA