18 de junho de 2021
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ATAQUE | SAUDADES (SC)

"Tchau, papai e tchau, mamãe", foram últimas palavras de Murilo, morto em creche

Vítima de ataque a creche, criança de 1 ano de 9 meses foi assassinada em 4 de maio, em Saudades (SC)

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O pai de Murilo, uma das 3 crianças assassinadas na creche Aquarela, em Saudades, em Santa Catarina, no último dia (4. maio), o eletricista Maurício Massing, de 35 anos, sente ecoar na em sua memória as últimas duas palavras que ouviu o pequeno de 1 ano 9 meses dizer naquele dia. "Tchau, papai!”, lembrou.

A mãe de Murilo, Kerli da Silva, de 28 anos, relembra com detalhes a manhã antes de deixar o filho na creche. “Ele acordou bem cedo naquela manhã. Tomou leite na cama com o irmão e, quando terminou, veio até a cozinha com as mamadeiras, dizendo "pia, pia", para que eu as colocasse na pia. Depois, fomos para a escola e, ao chegar, a professora de quem ele mais gostava estava sentada no chão. Veio uma outra mulher pegá-lo, e ele não quis. Só quando a Larissa (professora) se levantou que ele foi. No carro, já vinha falando: "issa, issa, boi". Dizia que ia à escola brincar com a Larissa e com o boi. E, então, me disse tchau. Perguntei se ele queria me entregar o bico, falou que não. E disse: "Tchau, mamãe", contou Kerli ao EXTRA, portal do grupo Globo.

Três horas mais tarde a Kerli foi informada sobre o ataque contra a creche. "Estava todo mundo muito desesperado, chorando muito, correndo de um lado pro outro. Cheguei no mesmo instante que o pai da Sarah (uma das vítimas). Fomos pelo lado de cima da creche, e ele conseguiu entrar pelos fundos, porque não tinha ninguém barrando. Quando estava indo atrás dele, uma professora gritou: 'O Murilo foi levado pro hospital'. Aí eu voltei, senão teria entrado com ele", disse a mãe.

Kerli partiu em direção ao hospital, a menos de cinco minutos dali, mas também foi vetada na entrada. Nervosa, não soube responder qual roupa seu filho estava usando. Graças à mãe de uma amiga que trabalha na unidade e a avistou, ela conseguiu ter informações sobre o Murilo. (E recebeu ali a trágica notícia:) Ele chegara já sem vida.

Cerca de uma hora depois, o pai da criança recebeu a mesma notícia na recepção do hospital. Ele havia viajado a serviço à cidade vizinha de Pinhalzinho e retornou tão logo foi avisado sobre o caso.

"Quando cheguei em Saudades, já falaram para eu ir direto ao hospital. Minha mulher estava no quarto, tinha passado mal. Ao chegar na recepção, perguntei pelo meu filho e descobri que estava morto", disse Maurício, emocionado.

Após o ataque, o criminoso também foi levado a um hospital na cidade de Chapecó em estado gravíssimo. O jovem cortou o próprio pescoço com a faca usada no crime, mas não conseguiu concluir a tentativa de suicídio e ficou estirado no chão. As vítimas foram enterradas na quarta (5. maio) no cemitério municipal. As crianças foram sepultadas lado a lado.

Além dos pequenos, duas educadoras também foram mortas pelo autor, Fabiano Kipper Mai, de 18 anos.