27 de maio de 2024
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Começa dragagem em pontos críticos do rio Paraguai; obra é necessária também em MS

O nível baixo das águas e o assoreamento têm dificultado o tráfego de embarcações

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O governo do Paraguai deu início, na semana passada, às obras de dragagem em pontos críticos do leito do rio Paraguai que impedem a livre navegação. A informação é do Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai e foi repassada ao secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. As obras de dragagem estão sendo executadas e custeadas pelo governo paraguaio no trecho do rio que separa o país vizinho da Argentina, na área conhecida por Vuelta Queso (quilômetro 60 do rio), e os trabalhos devem se estender por duas semanas nesse ponto.

O nível baixo das águas e o assoreamento têm dificultado o tráfego de embarcações. Segundo fonte do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, haveria 29 embarcações paradas em pontos críticos do rio pela dificuldade de navegação. Mas esse número pode se elevar na medida em que o fluxo de transporte aumente a partir de fevereiro, com o início do escoamento da safra agrícola.

Estão previstas obras de dragagem em três pontos do rio Paraguai: desde a confluência com o rio Paraná até o quilômetro 387, o segundo trecho se estende do quilômetro 387 até o 704 e o terceiro, desse ponto até a confluência com o rio Apa, onde o rio passa a fazer divisa entre Brasil e Paraguai. Nos três setores, estima-se que serão extraídos entre 1,5 milhão a 2 milhões de metros cúbicos de sedimentos em um período de 36 meses.

Verruck salienta que a dragagem é necessária e urgente para viabilizar o transporte hidroviário. “Toda vez que temos um ponto que interrompe a navegação, é preciso desconectar as barcaças, o rebocador passa com uma ou duas barcaças, para depois refazer a composição. Portanto, tempo e custo de viagem aumentam, encarecendo o produto e reduzindo os ganhos do produtor”, pontuou.
Problema idêntico ocorre no trecho em que o rio Paraguai banha o território sul-mato-grossense. “Nós temos três pontos que é necessária a dragagem, o governo de Mato Grosso do Sul já solicitou autorização ao governo federal para executar as obras e estamos aguardando o licenciamento ambiental do Ibama. Até o momento o Ibama não autorizou. Para que essa hidrovia seja competitiva, precisa receber obras de infraestrutura. O Paraguai está fazendo a parte dele e no Brasil estamos fazendo articulações junto ao Ibama e ao Dnit para que autorize a dragagem desses três pontos.”

Todas essas obras permitem um alongamento do uso da hidrovia durante todo o ano, o que não ocorre atualmente nos períodos de seca em que trechos do rio ficam inavegáveis para grandes embarcações. "Estratégia fundamental para a atração e consolidação dos investimentos que estamos fazendo em Mato Grosso do Sul. Temos uma política de expansão das exportações pela conexão rodo-hidroviária de Porto Murtinho e também os investimentos em mineração nos municípios de Ladário e Corumbá. Portanto a hidrovia se torna um importante canal de escoamento, até porque as alternativas que temos atualmente, que são a ferrovia e a rodovia, carecem também de investimento", analisa Verruck.

O secretário acrescenta que a melhoria do leito natural, a sinalização adequada, o derrocamento e a dragagem são fundamentais para que a hidrovia do rio Paraguai - que corta vários países em toda sua extensão - cumpra seu papel de eixo logístico para o Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia. "Recentemente tivemos o problema da imposição de pedágio pela Argentina, o que já estamos articulando junto aos governos de todos os países envolvidos para solucionar. No entanto, esse primeiro passo dado pelo Paraguai para revitalizar a hidrovia é importante e Mato Grosso do Sul aguarda autorização para fazer sua parte", concluiu.

A movimentação de cargas pela hidrovia do Paraguai a partir dos portos de Mato Grosso do Sul superou 4,2 milhões de toneladas no ano passado. O crescimento do transporte hidroviário foi de 36,94% de janeiro a outubro de 2022 em relação ao mesmo período de 2021, quando foram escoadas pouco mais de 3 milhões de toneladas pelo modal. Os dados são do último levantamento da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Entre os produtos o maior volume ficou com o minério de ferro que totalizou 3,9 milhões de toneladas no período, seguido pela soja com 300 mil toneladas, açúcar com 20 mil toneladas e ferro e aço com 10 mil toneladas.