29 de maio de 2024
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INTERNACIONAL

A história da família real antes, durante e depois de Elizabeth 2ª

Entenda a história e o futuro da Inglaterra

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A rainha Elizabeth 2ª, que faleceu nesta quinta-feira (8.set.22), foi a monarca mais longeva da história do Reino Unido. Ela estava no poder desde 1953, liderando a Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte e dos países da Commonwealth, formados por parte das antigas colônias inglesas, como a Austrália e o Canadá.

A monarquia britânica é anterior a constituição da Inglaterra. Precisamente no Reino de Wessex, unido a partir do século 9 após a derrota para os vikings. Os monarcas que governaram o país durante mais de 4 séculos – exceto por breves períodos de domínio da coroa dinamarquesa – pertenciam à casa (ou família) Saxônica.

Em 1215, foi publicada a Carta Magna. O primeiro texto constitucional do Ocidente. A sua publicação – como, aliás, ocorre até hoje em alguns países – não significou sua efetivação.

A Carta foi criada como uma forma de os chamados “barões rebeldes” terem maior controle sobre o poder real, à época nas mãos de João (1199-1216), que sucedeu a Ricardo Coração-de-Leão (1189-1199), cujo legado de guerras havia traumatizado os ingleses.

A carta teve sua versão definitiva publicada somente dez anos depois, em 1225. Todavia, é um documento importante por estabelecer um novo tipo de relação entre o Rei – ainda um poder divino – e a nobreza, que, por sua vez, representava (formalmente) seus vassalos. Mas, sobretudo, por ser um marco do Direito inglês na defesa das garantias individuais dos “homens livres” (os nobres).

O PARLAMENTO INGLÊS

Um conselho para o rei já existia antes mesmo da formação da Inglaterra. Era o chamado Witan, que perdurou por cerca de 400 anos, até o século 11. Com a Carta Magna, é lançada também a pedra fundamental do que viria a ser o Parlamento inglês, símbolo tão forte da política britânica quanto a própria monarquia.

Chamado originalmente de o “Grande Conselho” (Great Council), tinha como objetivo orientar o rei em seu governo. Conforme sua evolução, ainda no século 14, estabeleceu-se a divisão de duas casas, que permanece até hoje:

  • A Casa dos Comuns (House of Commons), composta pela burguesia e representantes dos condados; 
  • A Casa dos Lordes (House of Lords), composta por membros da nobreza do clero.

Em 1707, o Parlamento da Inglaterra e o Parlamento da Escócia se uniram, formalizando a união entre os dois reinos – que eram governados pela mesma Coroa desde 1603, com a ascensão de James 1º (Inglaterra) e James 4º (Escócia) – e criando o Reino da GrãBretanha.

Os membros da Casa dos Comuns foram eleitos pelo voto direto. O líder do partido mais votado tornou-se o primeiro-ministro.

Os membros da Casa dos Lordes foram eleitos de maneira indireta, além de terem membros permanentes e alguns hereditários remanescentes – até 1999 os assentos eram transmitidos diretamente a sucessores de membros que faleciam.

INDEPENDÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA – E DA EUROPA

No reinado de Henrique 8º (1509-47) ocorreu um evento determinante para a história da Inglaterra: o rompimento da Coroa britânica com a Igreja Católica e a fundação da Igreja Anglicana, que tem como líder o rei ou a rainha.

A reforma – que levou a uma série de conflitos sangrentos no país – marcou também a independência da Inglaterra com relação à Europa, o que se tornou uma característica do país, que nunca se integrou completamente à União Europeia e, em 2016, decidiu deixá-la no referendo do “Brexit”. Aquele foi um período de ascensão para o país, marcado pela colonização de outras regiões, o surgimento do idioma inglês moderno e, já no reinado de Elizabeth I (1558-1603), do teatro elisabetano.

PARLAMENTARISMO

Antes da criação da Grã-Bretanha, a Inglaterra teve um breve período republicano parlamentarista. A burguesia ascendente no reinado de Carlos I (1625-45) já tinha muito poder financeiro e era vista como uma ameaça à coroa e à nobreza, que viviam de renda. Para frear a ascensão dessa nova classe, a coroa e os nobres queriam uma participação em seus negócios, além de aumentar os impostos. O acirramento dos conflitos da Inglaterra com a Escócia levou o rei a restaurar o Parlamento em 1640 e buscar o apoio financeiro da burguesia no combate. Esta novamente se opôs e, liderada por um de seus representantes, Oliver Cromwell (1599-1658), depôs a monarquia após uma guerra civil (que ficou conhecida como a “Guerra Civil Inglesa”, “Revolução Inglesa” ou “Revolução Puritana”, posto que o puritanismo era a religião da burguesia).

Os conflitos de Cromwell com o Parlamento e sua morte em 1658 levaram à restauração da coroa pela nobreza. Esse período foi tema da série Wolf Hall, disponível Amazon Prime. Ascendeu ao trono Carlos II (1630-85), que também tentou burlar o Parlamento. O conflito só teve fim com a ascensão de Maria II (1662-94) e seu marido, Guilherme III (1650-1702), ao trono inglês, em 1688. Neste ano, foram lançadas as bases da constituição formal da monarquia parlamentar inglesa na Inglaterra.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E ERA VITORIANA

Pode-se dizer que o século 19 é o período de ascensão e hegemonia da Grã-Bretanha no mundo. Com a primeira revolução industrial, iniciada no final do século 18, o país estabelece um novo modo de produção – o capitalismo. A sua força econômica – feita também às custas de muita exploração dos cidadãos do país e das colônias – dá base ao Império Britânico, que começaria a ruir após a Segunda Guerra, em 1945. Durante quase todo o século 19, a nação foi liderada pela Rainha Victoria, conhecida também por seu puritanismo, que marcou o período.

OS WINDSOR

A família Windsor ascende ao trono inglês em 1917, durante a Primeira Guerra (1914-18). Com a abdicação do rei Eduardo 8º (1894-1972), que governou por menos de um ano em 1936, seu irmão, Jorge 6º (1895-1952) assume o trono. Em 1952, Elizabeth ascende, após a morte do pai. Em junho de 2022 a rainha comemorou 70 anos de reinado – que a fizeram superar a longevidade da rainha Victoria no trono. Foram anos marcados tanto pelo reposicionamento da Inglaterra na nova ordem mundial quanto da própria monarquia inglesa. 

Com a ascensão dos Estados Unidos no pós-Guerra e o fim das colônias, terminou o Império britânico, que, entretanto, manteve parte de sua influência geopolítica por meio da Commonwealth. O país que chegou a ser a maior economia do mundo perdeu não só sua liderança global, mas também sua posição no continente, sendo superado pela Alemanha e a França ao longo do século 20.

A partir da década de 1980, com as reformas liberais de Margaret Thatcher (1925-2013), o Estado social inglês começou também a retroceder, ampliando a desigualdade. No século 21, o Reino Unido enfrentou duas grandes crises: o plebiscito de separação da Escócia, em 2014, e o Brexit, dois anos depois.

A MONARQUIA E A MÍDIA

As viagens no Reino Unido e no exterior dominaram grande parte da vida profissional da rainha. Antes, ela havia dito: “Não há nenhum dos súditos de meu pai, do mais velho ao mais novo, que eu não queira cumprimentar”. Durante seu reinado, ela visitou todos os reinos e todas as regiões do Reino Unido, retornando muitas vezes. Embora grande parte da vida dela tenha sido passada em contato com seus ministros e representantes do Reino Unido e da Commonwealth, foi sua presença nesses lugares durante suas muitas visitas oficiais que teve mais significado para aqueles que moravam lá.

O reinado de Elizabeth II também foi marcado por um reposicionamento midiático da monarquia: a sua coroação foi a primeira da História a ser transmitida pela TV.

A partir disso e de maneira controlada, os membros da família aproximaram-se aos poucos do mundo midiático ao longo da segunda metade do século 20. É verdade que nem sempre com bons resultados. Houve uma série de escândalos – ao menos do ponto de vista da moral da coroa – envolvendo seus familiares. É bom lembrar que a história dos Windsor é marcada, já em seu segundo reinado, pela abdicação do Rei para casar-se com uma divorciada americana.

Nos anos 1950, a princesa Margaret, irmã de Elizabeth, apaixonou-se por um fotógrafo e dependeu de autorização da rainha para concretizar o casamento – após anos de relação secreta.

Nos anos 1980, teve início a crise que marcou a dinastia: os problemas no casamento de Charles e Diane Spencer. Lady Di acabou morrendo em 1997 – já divorciada do príncipe herdeiro, que agora assumiu o trono.

A resistência da rainha em colocar a bandeira em meio mastro – sinal de luto – gerou a maior crise da monarquia desde a abdicação de seu tio. Ao longo do século 21, porém, a monarquia inglesa recuperarou sua popularidade com o casamento de William com Kate Middleton – a primeira não-aristocrata a casar-se com um membro da família real (o primeiro foi o marido da princesa Margaret) – e, depois, de Harry e Meghan. A paz, contudo, não foi duradoura. A saída do casal da família real em 2021 e a revelação do cotidiano palaciano opressivo, o que incluiu episódios de racismo e que foi denunciado por Meghan em uma entrevista à Oprah, renderam novos capítulos (e devem render novas temporadas de The Crown).

As famosas caixas vermelhas da rainha continham os papéis do Estado que Elizabeth recebia todos os dias. Seus deveres incluíam concordar formalmente em transformar projetos de lei em Atos do Parlamento, ou leis. Ela também tinha um relacionamento especial com seusprimeiros-ministros, reunindo-se com elesregularmente- geralmente semanalmente. Ela era famosa por “encorajar ou alertar” enquanto sempre se mantinha politicamente neutra.

Em junho de 2022, já muito debilitada, a rainha foi a grande homenageada em decorrência do Jubileu de Platina, evento que celebrou 70 anos de uma vida dedicada à monarquia.

O FUTURO DA COROA 

O filho mais velho de Charles com a princesa Diana, o príncipe William, hoje com 40 poderá assumir a coroa após o pai, que assume aos 73 anos.  

Depois deles vem o príncipe George, de 9 anos, filho mais velho de William com Kate Middleton. George é sucedido por sua irmã, Charlotte, de 7 anos. Em seguida, aparece o caçula do casal, o príncipe Louis, de 4 anos. Veja o gráfico de sucessão: 

Linha de sucessão do trono britânico  Foto: Editoria de arte

O sexto lugar na linha de sucessão é ocupado pelo príncipe Harry, caçula de Charles e de Diana. Apesar de ter abandonado suas obrigações oficiais como integrante da família real, não perde seu direito de nascença ao trono.

Ainda assim, o rompimento com a Coroa fez com que perdesse seus títulos reais, honrarias militares honorárias e financiamento real, como foi anunciado pelo Palácio de Buckingham em fevereiro.

Seu filho com a ex-atriz americana Meghan Markle, Archie Harrison Mountbatten-Windsor, de 3 anos, é o sétimo na linha de sucessão. Já a caçula do casal, Lilibet Diana, nascida no dia 4 de junho de 2021 é a oitava.

Em nono lugar aparece o príncipe Andrew, segundo filho homem da rainha Elizabeth II. Nascido quando sua mãe já era rainha, ele se afastou de suas funções reais em 2019, após uma criticada entrevista à BBC sobre sua amizade com Jeffrey Epstein, empresário bilionário acusado de tráfico sexual.

O duque de York disse nunca ter visto seu amigo, que cometeu suicídio na prisão enquanto aguardava julgamento, agir inadequadamente. Ele também nega as alegações de que teria estuprado uma das meninas traficadas por Epstein, à época bilionário.

Andrew esteve casado entre 1986 e 1996 com Sarah Ferguson, com quem teve duas filhas, as princesas Beatrice, nascida em 1988, e Eugenie, em 1990. Elas ocupam, respectivamente, o décimo e o 11° lugar na linha de sucessão ao trono. Em 10 de fevereiro do ano passado, Eugenie deu à luz seu primeiro filho, August Brooksbank, que a segue imediatamente na ordem de sucessão ao trono.

AS SEIS RAINHAS

Confira as mulheres que reinaram na Inglaterra e no Reino Unido:

Vitória tornou-se rainha muito cedo, aos 18 anos. Seu entorno achava que podia não estar preparada e se deixar influenciar pelo então primeiro-ministro lorde Melbourne.

Com Ana, temia-se que pudesse deixar-se levar pelas mulheres, como a poderosa duquesa de Malborough.

A rainha Ana engravidou 17 vezes (só um filho sobreviveu). Vitória teve nove.

Elizabeth II teve dois antes e dois depois da coroação, a que o pequeno Charles, aos 3 anos, a única criança presente, assistiu contrariado diante dos oito mil convidados. Setenta anos depois, caberá a ele comandar o trono do Reino Unido.

NOVO REI 

A morte da minha amada Mãe, Sua Majestade a Rainha, é um momento de grande tristeza para mim e para todos os membros da minha família.Monarca assume imediamente como rei Charles 3º após morte da rainha Elizabeth 2ª. Foto: Reprodução

O rei Charles III deve se reunir com a primeira-ministra britânica, Liz Truss, na sexta-feira. A conservadora viajou a Balmoral na terça, onde teve uma audiência com a rainha — a fotografia das duas é a última divulgada de Elizabeth II em vida.

Charles agora é rei, disse o Palácio de Buckingham em comunicado anunciando a morte de Elizabeth, embora uma coroação – tradicionalmente realizada em Abadia de Westminster – será planejada mais tarde para coroar oficialmente o novo rei (a esposa de Charles, Camilla, agora é a rainha consorte, de acordo com o palácio).

Charles também deve se dirigir à nação e à Comunidade Britânica. O agora rei, se pronunciou nesta tarde sobre a morte da mãe. Ele disse: 

"Uma declaração de Sua Majestade, Seu Rei:

A morte da minha amada Mãe, Sua Majestade a Rainha, é um momento de grande tristeza para mim e para todos os membros da minha família.

Lamentamos profundamente o falecimento de uma Soberana querida e de uma Mãe muito amada. Eu sei que sua perda será profundamente sentida em todo o país, nos Reinos e na Comunidade Britânica, e por inúmeras pessoas ao redor do mundo.

Durante este período de luto e mudança, minha família e eu seremos confortados e sustentados por nosso conhecimento do respeito e profundo afeto em que a Rainha era tão amplamente mantida." 

A publicação original em inglês:

Com a ascensão de Charles ao trono, sua mulher, a duquesa da Cornualha, Camilla Parker Bowles, se torna, assim, a rainha consorte. O título veio com a "bênção" de Elizabeth II durante o Jubileu de Platina da monarca, que celebrou 70 anos de seu reinado e aconteceu em fevereiro deste ano.

"Quando, na plenitude do tempo, meu filho Charles se tornar rei, sei que vocês darão a ele e à sua esposa Camilla o mesmo apoio que têm dado a mim; e é o meu sincero desejo que, quando a hora chegar, Camilla será conhecida como rainha consorte enquanto continua seu serviço leal", falou a rainha, na ocasião. 

QUEM É O NOVO REI?

O rei Carlos III, anteriormente conhecido como Príncipe de Gales, nasceu em 1948 e tornou-se herdeiro com a ascensão da rainha Elizabeth II em 1952.

Como Príncipe de Gales, Sua Majestade tem um interesse vivo e ativo em todas as áreas da vida pública há décadas.

Além de seus deveres oficiais e cerimoniais no Reino Unido e no exterior, The King foi fundamental no estabelecimento de mais de 20 instituições de caridade ao longo de 40 anos, incluindo The Prince's Trust e The Prince's Foundation.

Sua Majestade trabalhou em estreita colaboração com muitas organizações, apoiando publicamente uma ampla variedade de causas relacionadas ao meio ambiente, comunidades rurais, meio ambiente construído, artes, saúde e educação.

BIOGRAFIA 

O príncipe de Gales, filho mais velho da rainha e do príncipe Philip, duque de Edimburgo, nasceu no Palácio de Buckingham às 21h14 do dia 14 de novembro de 1948. Um mês depois, em 15 de dezembro, Charles Philip Arthur George foi batizado na Sala de Música da Palácio de Buckingham, pelo Arcebispo de Canterbury, Dr. Geoffrey Fisher.

A mãe do príncipe foi proclamada rainha Elizabeth II aos 25 anos, quando seu pai, o rei George VI, morreu aos 56 anos em 6 de fevereiro de 1952. Com a ascensão da rainha ao trono, o príncipe Charles - como filho mais velho do soberano - tornou-se herdeiro aparente aos três anos de idade.

O Príncipe, como Herdeiro do Trono, assumiu os títulos tradicionais de Duque da Cornualha sob uma carta do Rei Eduardo III em 1337; e, na nobreza escocesa, do Duque de Rothesay, Conde de Carrick, Barão Renfrew, Senhor das Ilhas, e Príncipe e Grande Administrador da Escócia.

O príncipe tinha quatro anos na coroação de sua mãe, na Abadia de Westminster, em 2 de junho de 1953. Muitos que assistiram à coroação têm lembranças vívidas dele sentado entre sua avó viúva, conhecida como rainha Elizabeth, a rainha mãe, e sua tia, princesa Margaret.

EDUCAÇÃO

A rainha e o duque de Edimburgo decidiram que o príncipe deveria ir à escola em vez de ter um tutor no palácio. O príncipe começou na escola Hill House, no oeste de Londres, em 7 de novembro de 1956.

Após 10 meses, o jovem príncipe tornou-se pensionista da Cheam School, uma escola preparatória em Berkshire. Em 1958, enquanto o Príncipe estava em Cheam, a Rainha o criou como Príncipe de Gales e Conde de Chester. O príncipe tinha nove anos.


Em abril de 1962, o príncipe começou seu primeiro mandato em Gordonstoun, uma escola perto de Elgin, no leste da Escócia, que o duque de Edimburgo havia frequentado.

O Príncipe de Gales passou dois mandatos em 1966 como estudante de intercâmbio em Timbertop, um remoto posto avançado da Geelong Church of England Grammar School em Melbourne, Austrália.

Quando ele retornou a Gordonstoun para seu último ano, o Príncipe de Gales foi nomeado guardião da escola (menino-chefe). O príncipe, que já havia passado seis níveis O, também obteve os níveis A e recebeu uma nota B em história e um C em francês, juntamente com uma distinção em um trabalho de história especial opcional em julho de 1967.

O príncipe foi para a Universidade de Cambridge em 1967 para estudar arqueologia e antropologia no Trinity College. Ele mudou para a história para a segunda parte de seu diploma e, em 1970, recebeu um diploma de 2: 2.

INVESTIDURA E CARREIRA MILITAR

Sua Alteza Real foi investido como Príncipe de Gales pela Rainha em 1 de julho de 1969 em uma cerimônia colorida no Castelo de Caernarfon. Antes da investidura, o príncipe passou um período na University College of Wales em Aberystwyth, aprendendo a falar galês.

Em 11 de fevereiro de 1970, Sua Alteza Real tomou seu assento na Câmara dos Lordes.

Em 8 de março de 1971, o príncipe voou para a Royal Air Force (RAF) Cranwell em Lincolnshire, para treinar como piloto de jato. A seu próprio pedido, o príncipe recebeu instrução de voo da RAF durante seu segundo ano em Cambridge.

Em setembro de 1971, após o desfile de desmaio em Cranwell, o príncipe embarcou em uma carreira naval, seguindo os passos de seu pai, avô e ambos os bisavós.

O curso de seis semanas no Royal Naval College, Dartmouth, foi seguido pelo serviço no destróier de mísseis guiados HMS Norfolk e duas fragatas.

O príncipe se qualificou como piloto de helicóptero em 1974 antes de ingressar no 845º Esquadrão Aéreo Naval, que operava no porta-aviões HMS Hermes. Em 9 de fevereiro de 1976, o príncipe assumiu o comando do caçador de minas costeiro HMS Bronington por seus últimos nove meses na Marinha.

FAMÍLIA E VIDA CONJUGAL

Em 29 de julho de 1981, o Príncipe de Gales casou-se com Lady Diana Spencer na Catedral de São Paulo.

O pai de Lady Diana, então visconde Althorp e mais tarde o oitavo conde Spencer, tinha sido um escudeiro tanto de Jorge VI quanto da rainha. Sua avó materna, Ruth, Lady Fermoy, era amiga íntima e dama de companhia da rainha-mãe.

O príncipe e a princesa de Gales tiveram dois filhos: o príncipe William, nascido em 21 de junho de 1982; e Príncipe Harry, nascido em 15 de setembro de 1984.

Desde o casamento, o príncipe e a princesa de Gales fizeram turnês no exterior e realizaram muitos compromissos juntos no Reino Unido.

O VELÓRIO DA RAINHA 

O velório de Elizabeth II acontecerá na Abadia de Westminster daqui a dez dias.

A cerimônia seguirá as regras de um protocolo pronto há anos e revisado periodicamente, com orientações que devem ser seguidas à risca pela Coroa, pelo governo e até mesmo pela imprensa britânica. Batizado de “London Bridge” (“Ponte de Londres”), o plano tem vários detalhes que especificam desde a etiqueta para as bandeiras até os pormenores do cerimonial. 

Os documentos já previam a possibilidade de a monarca morrer em Balmoral, como ocorreu — a chamada "Operação Unicórnio". Elizabeth passava cerca de três meses por ano na casa de veraneio na Escócia, motivo para necessidade dos preparativos.

Outros planos trabalhavam com a possibilidade de a rainha morrer em Londres, no exterior ou durante uma visita a outras províncias britânicas, de acordo com informações detalhadas pelo site Politico em 2021. A "Operação Unicórnio", contudo, foi a posta em prática: incluía a suspensão imediata do Parlamento, medidas de contenção para visitantes e o que fazer com o corpo.

Em breve, o cortejo da monarca deve seguir de trem de Aberdeen, cidade próxima a Balmoral, para Edimburgo, onde será posto no Palácio de Holyroodhouse, sua residência oficial na Escócia. Haverá uma recepção na Catedral de Saint Giles, com o corpo presente, com a participação de líderes britânicos, integrantes da sociedade civil e outras autoridades.

O cronograma exato ainda não está claro, mas, dois dias após a morte, o caixão será posto no trem real, que viajará em baixa velocidade pela costa britânica até Londres, sendo saudado por uma guarda de honra a cada estação. Quando chegar à capital, irá direto para a Sala do Trono. Há ressalvas que dizem que, se o transporte por trem não for possível, poderá ser realizado por avião.

O plano foi posto em prática antes mesmo da morte, começando quando o quadro da rainha parecia irreversível. O médico sênior da monarca, um gastroenterologista chamado professor Huw Thomas, esteve no comando nas últimas horas de sua vida: cuidou da paciente, controlou o acesso ao quarto dela e decidiu quais informações deveriam ser tornadas públicas.

Como ocorreu com chefes de Estado que a precederam, o Palácio de Buckingham emitiu boletins alertando que a saúde da soberana se deteriorava aos poucos. Entre eles, o divulgado na manhã desta quinta afirmando que os médicos de Elizabeth II estavam “preocupados” com sua saúde e a puseram sob supervisão.

A viagem de seus parentes a Balmoral, na Escócia, também serviu para preparar os britânicos para o impacto da notícia — grande parte deles nunca precisou diferenciar o país daquela que o representava há 70 anos. Durante seu reinado, Elizabeth II e a nação tornaram-se um só.

FONTES:

Guia do Estudante.

O Globo.