10 de abril de 2021
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VACINAÇÃO COVID

Butantan pede aval emergencial à Anvisa para uso da vacina Coronavac

Instituto pré-submeteu dados que mostram eficácia de 78%, considerada excelente por especialistas, e Agência tem mais nove dias para análise

Pedido oficial do Instituto Butantan, para uso emergencial da vacina Coronavac no Brasil, enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tem o período de 10 dias para análise dos dados, a contar da data em que foi expedido (7.dez.2021).

Mesmo com as idas e vindas quanto à aplicação da vacina, causada pela onda negacionista que nasce no Palácio da Alvorada, essa é a primeira solicitação de autorização para que uma vacina circule em território nacional. Foi feita 10 dias após os primeiros dados serem pré-submetidos à Anvisa, através de uma série de reuniões que motivaram o pedido de aval.

Informações divulgadas pela Folha de São Paulo apontam que a vacina teve eficácia de 78% nos estudos finais feitos no Brasil (número que se aplica à prevenção de casos leves da doença). Esse estudo já teve dados revisados pelo Comitê Internacional Independente, situado na Áustria.

Através do Ministério da Saúde, de Eduardo Pazuello, 100 milhões de doses da Coronavac serão adquiridas por um contrato firmado com o Butantan, segundo a agência Folhapress. Pazuello explanou que a entrega será feita em um primeiro lote, contendo 46 milhões de doses, entregues até janeiro, com o restante (54 milhões) repassado ao Governo Federal ao longo do ano.

Edição extra do "Diário Oficial da União", contendo uma dispensa de licitação para aquisição da vacina no valor de R$ 2,7 bilhões foi publicada ontem (07.jan.2021). Em dezembro, a Coronavac voltou a ser incluída no plano nacional de vacinação contra a COVID-19. Vale lembrar o atrito entre Ministério da Saúde, Jair Bolsonaro e João Doria (Governador de São Paulo pelo PSDB).

Estima-se que cada dose da vacina do Butantan custe pouco mais de US$ 10, sendo necessárias duas para ter eficácia. Segundo o diretor da instituição, Dimas Tadeu Covas, a Instituto tem em mãos hoje 10,8 milhões de doses. Isso seria suficiente para imunizar 5,4 milhões de pessoas. Inicialmente, o plano era aplicá-las com intervalo de duas semanas.

No entanto, com a escassez da vacina, discute-se ampliar ao máximo a aplicação da primeira dose, postergando a segunda injeção, o que aconteceu em outros países, como alternativa de garantir mais pessoas com a primeira aplicação, mas é uma prática condenada por especialistas, que dizem, sobre o caso brasileiro, que a imunização deve ser feita na população conforme ocorreu nos estudos clínicos.

TIRE SUAS DÚVIDAS:

- Qual a real eficácia da Coronavac?

R: Entre as pessoas vacinadas, nenhuma desenvolveu caso grave da doença. Turquia e outros países apresentam taxas mais altas que os 78% do Brasil, com o país do Oriente Médio registrando 91,25% de eficácia. Essa variação é normal e só ilustra o grupo no qual a vacina foi testada, sendo profissionais de saúde Brasil.

- E aquelas vacinas que são "mais fortes", tornam a Coronavac ruim?

R: Não! É preciso que uma parcela expressiva da população seja vacinada, impedindo assim que o vírus chegue em quem foi vacinado, mas não desenvolveu imunidade, já que nenhuma vacina tem 100% de eficácia. Não significa que quem tomar está imunizado.

Quando comparamos cada país e suas respectivas vacinas estudadas, a Moderna e Pfizer precisam de ultracongeladores para ficarem armazenadas em temperaturas extremamente baixas, e teriam de ser importadas. A Coronavac é fabricada pelo Instituto Butantan, no Brasil, e sua distribuição é mais facilitada em território nacional já que pode ser mantida em geladeira comum.

- Quais grupos serão vacinados primeiro?

R: Se aplicada pelo Governo de São Paulo, começa por profissionais de saúde, indígenas e quilombolas, segundo o plano de João Doria. Em 8 de fevereiro, serão vacinadas as pessoas com 75 anos ou mais. Uma semana depois, começam as pessoas com idade entre 70 e 74 anos.

Quem tem entre 65 e 69 anos seria vacinado em 22 de fevereiro e o restante das pessoas acima dos 60 anos, a partir de 1º de março.

Sem data específica, no plano federal, a vacinação começa com profissionais da saúde, idosos a partir de 75 anos, população indígena e quem tem mais de 60 anos e vive viva em asilos ou instituições psiquiátricas. Esse está dividido em três etapas subsequentes:

Pessoas de 60 a 74 anos; pessoas com doenças que elevam o risco de agravamento da Covid-19, como as doenças cardiovasculares; e professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade.

- Tomei vacina, posso me aglomerar e sair sem máscara?

R: Não! Ela não te garante absolutamente que seu corpo vai gerar uma resposta imune. A doença só é controlada quando a sociedade atinge a chamada imunidade de rebanho, onde o vírus não consegue se espalhar de uma pessoa infectada para outras, interrompendo a cadeia de avanço.

Como exemplo, os EUA podem levar meses para sentir impacto da vacinação no número de mortes e contaminações. Mesmo com mais de 1 milhão de pessoas vacinadas, no Reino Unido o comércio voltou a fechar e as aulas foram suspensas, para tentar conter um novo avanço da doença.