22 de junho de 2024
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Dupla de ouro do BB poderá resgatar a Petrobras?

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De um qualificado atirador tucano, a indicação de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras mereceu bem mais um elogio objetivo do que um ataque político. "Nas circunstâncias, é um bom nome, certamente o melhor que o governo tinha", afirmou o economista Luis Carlos Mendonça de Barros. "Sua nomeação demonstra que o foco que a presidente Dilma quer dar à Petrobras é o financeiro, atacar esse problema. É a área dele".

O mercado, no entanto, não pensou como Mendonção, e reagiu com uma derrubada de 7% nas ações da companhia, que nas vésperas haviam subido mais de 15%. É claro que desequilibraram o jogo limpo, nessa gangorra, os pesos pesados da mais grossa especulação, mas boa parte do mergulho se deu porque muitos sonhavam com a indicação dos ultra-ortodoxos-privatistas Roger Agneli ou Paulo Leme – ou talvez com Henrique Meirelles. Diante dessas hipóteses, de fato, a nomeação de Bendine está vai na contramão. O que não significa que ele não tenha chances de cumprir sua missão de sanear a maior estatal brasileira.

Ao lado do vice-presidente de Finanças Ivan Monteiro, o novo presidente da maior companhia brasileira recuperou, no comando do Banco do Brasil, a liderança do ranking brasileiro para o BB, cresceu em ativos, clientes e concessão de crédito e não inchou em número de funcionários. Nas mais diferentes frentes do mercado, o BB vem jogando de igual para igual com as instituições privadas, mantendo-se sempre nas primeiras posições de desempenho.

Alinhados com os principais pontos da política econômica dos anos Lula-Dilma, Bendine e Monteiro têm o reconhecimento do mercado por terem deixado o BB longe de crises e em crescimento num momento de dificuldades dos mais variados tipos.

Agora, na Petrobras, os desafios são incomparavelmente maiores. A dupla assume sem a companhia de outros diretores, que terão de ser escolhidos para áreas altamente especializadas como prospecção, tecnologia e distribuição. Haverá, é certo, forte impacto entre funcionários da companhia, cujo espírito de corpo é um dos mais fortes do setor público brasileiro. As resistências, por isso, já são esperadas, mas nunca se sabe até onde podem chegar seus efeitos.

Como vantagem para Bendine e Monteiro está o estilo discreto de administrar. Ambos não são dados aos holofotes e podem, neste momento, suavizar, com sua discrição, o peso do noticiário negativo sobre a empresa.

O maior nó da estatal, e também o mais imediato, é o da publicação de um balanço crível, que registre perdas com o escândalo de corrupção investigado pela operação Lava Jato. Fala-se num buraco de até R$ 4 bilhões entre contratos superfaturados e pagamentos ilícitos a um longo rol de beneficiados. O presidente e o vice de Finanças que deixam o Banco do Brasil têm assinado balanços trimestrais da instituição, nos últimos anos, sem levantar qualquer dúvida do mercado. Demonstrações, de resto, que vêm apresentados resultados seguidamente melhores. Enfrentada essa missão, as demais, passando a ser a primeira a recuperação do caixa da companhia, poderão começar a ser resolvidas.