19 de maio de 2024
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Jovem renuncia a herança de R$ 22 bilhões; "Que vantagem eu teria?"

Sua avó ocupa a posição número 687 no ranking das pessoas mais ricas do mundo

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A alemã Marlene Engelhorn, de 29 anos, renunciou a herança de 4,2 bilhões de euros (cerca de R$ 22 bilhões), do império da gigante química Basf. Ela disse achar que "não fez nada para receber o dinheiro, sendo pura sorte, acaso do nascimento". Também questionou o que faria com tanto dinheiro.  

Engelhorn receberia o dinheiro após sua avó, Traudl Engelhorn-Vechiatto, de 94 anos, falecer. A jovem, entretanto, ficará com 10% da herança. Sua avó ocupa a posição número 687 no ranking das pessoas mais ricas do mundo, segundo a revista Forbes. Uma fortuna gerada pelos mais de 150 anos da empresa familiar.

Há dois anos, a anciã matriarca revelou seu testamento à família. Naquela ocasião, Engelhorn deixou claro que não queria sua parte na íntegra.  

A jovem declarou que não estava feliz com essa organização do capital mundial, portanto, quando receber o dinheiro iria partilhar com milhares de pessoas. Segundo ela, o dinheiro "faz provavelmente poucas pessoas felizes".

Para a jovem, muito dinheiro corre o risco de se tornar um problema e não uma vantagem, porque a riqueza excessiva pode levar à tensões, problemas e mal-entendidos em vez de soluções.

"Que vantagem eu teria em ser super rica, uma riqueza só para mim? Vou acabar ficando sozinha”, declarou a jovem, salientando como, segundo ela, faz muito mais sentido compartilhar esse dinheiro com a sociedade.

Marlene também considerou que não deveria ser de sua decisão o que fazer com o dinheiro da família para o qual ela não trabalhou.

“Ser uma pessoa que desfrutou dos benefícios da riqueza por toda a vida e sei como nossa economia é distorcida. Não posso ficar sentada esperando que alguém, em algum lugar, faça alguma coisa”, explicou à BBC apresentando o movimento AG Steuersrechtigkeit, conhecido mundialmente como “Taxmenow”, fundado por ela mesma e formado por herdeiros de grandes fortunas que são exigindo um aumento dos impostos sobre as grandes propriedades. Isso porque, via de regra, no mundo, quanto mais rico, menos se paga impostos. E quanto mais pobre, mais impostos paga, para manter os ricos cada vez mais ricos.  

IGUALDADE ECONÔMICA 

Durante protesto em 23 de maio de 2022, o milionário britânico Phil White saiu ao lado de Marlene para protesto em Davos, na Suíça. Ele cobrou na época: "Enquanto o resto do mundo está desmoronando sob o peso de uma crise econômica, bilionários e líderes mundiais se reúnem neste complexo privado para discutir pontos de virada na história", em manifestação contrária ao Fórum Econômico Mundial (WEF), que acontecia naquele dia, entre líderes políticos e empresariais. 

"É ultrajante que nossos líderes políticos ouçam aqueles que têm mais, sabem menos sobre o impacto econômico desta crise, e muitos dos quais pagam infamemente pouco em impostos. O único resultado crível desta conferência é tributar os mais ricos e tributar nós agora", disparou Phil White, na época da foto da capa.  

Na última década, um número crescente de milionários e bilionários nos EUA e na Europa se manifestou, pedindo aos governos que imponham impostos mais altos, incluindo impostos sobre a riqueza dos mais ricos.

Embora apenas um pequeno número de milionários estivesse em Davos para participar do protesto, os ativistas enviaram uma carta aberta a todos os delegados de Davos, assinada por mais de 150 milionários em vários países, que se uniram aos manifestantes da esquerda mundial, que luta para erradicar a pobreza. 

Novos signatários da carta, que foi enviada inicialmente em janeiro, incluem o ator americano Mark Ruffalo. Entre os primeiros apoiadores do movimento estão a herdeira da Disney, Abigail Disney, Nick Hanauer, empresário norte-americano e investidor inicial da gigante online Amazon, e Morris Pearl, ex-diretor administrativo da empresa de investimentos BlackRock.

Marlene Engelhorn, disse durante a manifestação: "Chegamos ao fim da linha quando mais um quarto de bilhão de pessoas serão empurradas para a pobreza extrema este ano."

A instituição de caridade Oxfam, que publica um relatório sobre a desigualdade durante o fórum de Davos todos os anos, afirmou que nos últimos dois anos um novo bilionário foi criado a cada 30 horas.

No outro extremo do espectro de renda, a Oxfam espera que cerca de um milhão de pessoas caiam na pobreza extrema a cada 33 horas este ano, disse a diretora executiva internacional da instituição de caridade, Gabriela Bucher, à BBC.

"A desigualdade entre os países vem diminuindo nas últimas duas décadas", disse ela.

“Durante a pandemia, aumentou e com as taxas que estamos vendo agora, parece que está indo em direções extremas que estão criando essas condições catastróficas e refletem na vida das pessoas”.

Com BBC News.