29 de maio de 2024
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GOVERNO FEDERAL

Margareth Menezes escolhe secretários e presidentes de fundações

Conheça os nomes anunciados pela ministra da Cultura

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Empossada ministra da Cultura do governo Lula (PT), Margareth Menezes anunciou na 2ª.feira (2.jan.23) os nomes de 7 secretários de órgãos da pasta e de presidentes de três fundações. Reportagem publicada originalmente no TeatrineTV. 

Num post nesta 3ª.feira (3.jan.23), Margareth pregou que o novo Minc [Ministério da Cultura] é uma espaço para superação de desavenças. Eis o post:

A neta do ex-guerrilheiro Carlos Marighella, a vereadora de Salvador, atriz e produtora cultural Maria Marighella, foi nomeada para comandar a Fundação Nacional de Artes (Funarte).

Maria Marighella - Foto: Reprodução/ Instagram/ @mariamarighella

Ela foi coordenadora de Teatro da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e Diretora de Espaços Culturais da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA). Essa é a 1ª vez que uma mulher nordestina chega ao cargo de presidência da Funarte. Num post na sua rede social, Maria agradeceu Margareth e lembrou a situação inédita. Eis o post:

Autora da Lei do Dia da Dignidade Menstrual, Maria agradeceu a confiança da ministra e disse que refundará também a Funart.

João Jorge Rodrigues, presidente do Olodum e mestre em direito, chefiará a Fundação Palmares. O advogado Integrou o conselho da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) de 2009 a 2016. Ele tem mestrado em direito público pela Universidade de Brasília.

Jorge à direita usa o microfone numa roda de conversa no Larica's Cultural em Campo Grande (MS). Foto: @OlodumOficial

Recentemente, o Olodum esteve em Campo Grande (MS), e por meio de uma ação do Campão Cultural, o Grupo reuniu-se com pessoas de comunidades negras e de movimentos sociais, como o Projeto Livres. "Uma segunda-feira de muito aprendizado por aqui. Hoje (10.10.22), visitamos uma região quilombola na cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul e é sempre importante para nós compartilhar lutas e histórias!", escreveu ele numa sequência de fotos na rede social. Na ocasião, o grupo se reuniu para uma roda de conversa intermedidada pela a educadora social e presidenta do Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro (MS), Romilda Pizani. Eis o post:

 

Durante a gestão de Bolsonaro a Fundação Palmares teve o nome envolvido em polêmicas, principalmente pela direção de Sérgio Camargo, afastado do cargo em março deste ano para a disputa eleitoral. Camargo permaneceu no cargo em meio à denúncias de assédio moral, perseguição e medidas polêmicas, como a exclusão de figuras históricas da lista de personalidades homenageadas pela Fundação.

Entre os excluídos estavam os cantores Gilberto Gil e Elza Soares, a deputada federal Benedita da Silva e a filósofa e escritora Sueli Carneiro. O ex-presidente chegou a defender a mudança do nome da instituição, que homenageia Zumbi dos Palmares, para Princesa Isabel.

O JOÃO

João Jorge Rodrigues, presidente do Olodum e escolhido para comandar a Fundação Cultural Palmares no governo Lula. Foto: Reprodução/InstagramJoão Jorge Rodrigues, presidente do Olodum e escolhido para comandar a Fundação Cultural Palmares no governo Lula. Foto: Reprodução/Instagram

Produtor cultural, João também é dirigente carnavalesco, militante do movimento negro e mestre em direito público. Ele fundou o bloco Olodum em 1979, grupo que desfilou pela 1ª vez no carnaval de 1980, em Salvador, e desde então se tornou uma das principais instituições culturais da Bahia. 

Também na década de 80, o Olodum germinou o Projeto Rufar dos Tambores, que logo se tornou a Escola Olodum, atraindo ainda mais a juventude do Pelourinho e Centro Histórico.

A ideia inicial era tirar crianças das ruas. Atualmente, eles têm 360 alunos e oferecem ações educacionais com base na história da população negra, que são agregadas ao ensino convencional. Além disso, o Grupo Cultural Olodum ainda conta com Bando de Teatro Olodum, que revelou artistas como Lázaro Ramos, Érico Brás e Jorge Washington.

O ministro também dirigiu a Fundação Gregório de Matos, órgão de gestão cultural da Prefeitura de Salvador, entre 1986 e 1998.

CONHEÇA OS DEMAIS NOMEADOS

Secretaria-Executiva – Márcio Tavares

O historiador Márcio Tavares falou mais claramente na 5ª.feira (22.dez.2022) em seu perfil no
Twitter que seria o secretário-executivo do Ministério da Cultura: "Terei muito orgulho de ajudar na reconstrução do MinC, sob sua liderança, na função de Secretário Executivo do ministério. Esperem
muito trabalho e entrega. A cultura vem com força!", escreveu naquela ocasião, na legenda de uma foto ao lado de Margareth.

 
Antes disso, porém, em 13 de dezembro de 2022, ele já havia comentado o convite num outro post na rede social. Eis a pulicação:

Tavares é mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutor em Artes pela UnB (Universidade de Brasília). Ele também atua como secretário nacional de Cultura do PT desde 2017 e coordenou a campanha de Cultura de Lula em 2022.

Secretaria de Comitês de Cultura – Roberta Martins

Socióloga e educadora, é gestora municipal de Cultura de Niterói desde 2013. Já foi Coordenadora-Geral de Estratégias e Gestão das Ações da Diretoria de Programas Integrados do Ministério da Cultura.

Secretaria de Formação, Livro e Leitura – Fabiano Piúba

Fabiano dos Santos - Escritor. Na foto: Escritor Fabiano dos Santos, em uma biblioteca. Foto: Fco Fontenele, em 02/03/12

Doutor em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mestre em História pela PUC/SP e historiador graduado pela UFC, ele foi Diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura (MinC) entre 2009 e 2011 e no ano de 2014.

No Ministério da Cultura também assumiu a função de Secretário Substituto da Secretaria de Articulação Institucional entre 2008 a 2010 e de Coordenador de Articulação Federativa do Programa Mais Cultura no ano de 2008. No Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe (CERLALC/UNESCO), organismo internacional ibero-americano e intergovernamental, assumiu no período de 2012 a 2013 a Direção de Leitura, Escrita e Bibliotecas.

Foi Coordenador de Políticas de Livros e Acervos da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará entre 2005 e 2006, ocasião em que concebeu o projeto Agentes de Leitura e coordenou a Bienal Internacional do Livro do Ceará.

Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural – Zulu Araújo

 Edvaldo Mendes Araújo, de 69 anos, mais conhecido pelo nome Zulu Araújo. Foto: Redes

Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia. Desde 2015 é Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon – vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Durante dez anos foi diretor e conselheiro do Grupo Cultural Olodum. Foi diretor de Promoção, Intercâmbio e Divulgação de Cultura Afro-brasileira da Fundação Palmares e, em 2007, o então ministro Gilberto Gil o indicou para presidir a instituição, onde permaneceu até 2011. Também ocupou a direção da Casa da Cultura da América Latina e a Coordenação Geral do Festival Latino-americano e Africano de Arte e Cultura, foi administrador e coordenador cultural da Praça do Reggae, assessor especial da SecultBA e da Fundação Cultural do Estado, além de atuar como coordenador-geral na celebração dos 300 anos de Zumbi dos Palmares.

Secretaria de Fomento e Economia da Cultura – Henilton Menezes

Esse é Henilton Menezes. Foto: Reprodução (web)

Henilton Menezes é jornalista, gestor cultural, produtor musical e produtor cinematográfico. Gestor de cultura do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) entre 2003 a 2009, foi responsável pela concepção e gestão de editais de cultura e pela instalação e gestão dos centros culturais do BNB em Souza (PB), Juazeiro do Norte (CE) e Fortaleza (CE). Entre os anos 2010 e 2013, exerceu a função de Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, sendo atualmente sócio-diretor da Grimpa Consultoria e Gestão Cultural.

Ele é autor do livro “A Lei Rouanet muito Além dos (F)Atos". Na publicação, por meio de uma linguagem acessível a todos os públicos, Henilton propõe um debate que se desenrola acerca da Lei, de forma positiva, reforçando o entendimento de que se deve ter sobre as políticas elaboradas em nosso país.

Secretaria do Audiovisual – Joelma Gonzaga

Com filmes premiados e exibidos nos principais festivais do mundo, como Cannes, Locarno, Festival do Rio, dentre outros, Joelma Oliveira Gonzaga nasceu em Salvador e há mais de uma década constrói uma sólida carreira como produtora executiva e criativa.

Com vasta experiência em articulação nacional e internacional, atualmente é head de produção da Maria Farinha Filmes, Membra do conselho fundador da União Nacional de Produtores Executivos - UPEX, e atua também como conselheira do Instituto Nicho 54.

Ela é conhecida por diversos trabalhos na TV e no cinema, a exemplo da série ‘Aruanas’ (2019/2021), na TV Globo, que abordava a questão ambiental, e da produção executiva do filme ‘Doutor Gama’ (2021), sobre a vida do advogado, jornalista, escritor e herói abolicionista baiano Luiz Gama. 

Joelma também atuou em projetos da produtora Laboratório Fantasma, do cantor Emicida, e produziu a série exclusiva do YouTube ‘O Som do Rio’, com Val Munduruku, ativista indígena, e Maria Gadú, cantora, compositora e ativista socioambiental, filmada no Rio Tapajós.

Secretaria de Direitos Autorais e Intelectuais – Marcos Souza

Marcos Alves de Souza. Foto: VP/EHMestre em Antropologia pela UnB e servidor do Ministério da Economia desde 2002. Dirigiu o setor de direito autoral do MinC entre 2004 e 2016. Foi assessor da liderança do PT no Senado para a área da cultura de 2018 a 2022, onde foi um dos redatores da Lei Paulo Gustavo.

Advogado e mestre em Direito Público pela UnB. Um dos fundadores e atual presidente do bloco Olodum. Já foi diretor da Fundação Gregório de Matos, órgão cultural da Prefeitura de Salvador, e integrou o conselho da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Atriz formada pela Universidade Federal da Bahia. É vereadora de Salvador pelo PT. Foi coordenadora de Teatro da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e da Fundação Nacional de Artes (Funarte), além de Diretora de Espaços Culturais da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA).

Fundação Biblioteca Nacional – Marco Lucchesi

O escritor Marco Lucchesi, novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional. Foto: Reprodução (web)Professor titular de Literatura Comparada na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), tendo exercido a presidência de 2018 a 2021. Atuou na Coordenação Geral de Pesquisa e Editoração da Biblioteca Nacional, responsável pela edição de catálogos e fac-símiles no período entre 2006 e 2011 e foi membro do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura (2015-2017).

Entre seus muitos livros, estão Cultura da paz (Oficina Raquel, 2020), Adeus, Pirandello (Rua do Sabão, 2021) e Ficções de um gabinete ocidental (Civilização Brasileira, 2009). Traduziu diversos autores, dentre os quais Umberto Eco, Vico, os poemas do romance Doutor Jivago, obras de Guillevic, Primo Levi, Rumi, Hölderlin, Khliebnikov, Trakl, Juan de la Cruz, Francisco Quevedo, Angelus Silesius.

Ele agradeceu a nomeação em um posta na sua conta do Twitter:

NOVAS DIRETORIAS E COMITÊS DE CULTURA

Cerimônia de posse ministra da Cultura, Margareth Menezes. Foto: Reprodução| TwitterA equipe de Margareth Menezes informou que anunciará em breve os nomes dos presidentes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fundação Casa Rui Barbosa e da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

O Ministério da Cultura, criado pelo decreto 11.336 publicado na 2ª.feira (2º.jan.22) no Diário Oficial da União (assinado pelo presidente Lula), vem com muitas novidades estruturais.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante anúncio de ministros de governo.  Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilEntre as novidades estão a crriação de Assessoria de Participação Social e Diversidade; Assessoria de Assuntos Parlamentares e Federativos; Diretoria de Promoção das Culturas Populares; Diretoria de Desenvolvimento Econômico da Cultura; Diretoria de Políticas para os Trabalhadores da Cultura; e Diretoria de Educação e Formação Artística.

A Secretaria dos Comitês de Cultura deverá criar os novos Comitês de Cultura em todos os estados, conforme prometido pelo presidente também na campanha. Os comitês terão o objetivo de descentralizar as ações de fomento, atendendo às diversidades regionais e as características de cada local.

O QUE FAZ O MINISTÉRIO
Entre as atribuições do Ministério da Cultura estão:

  • política nacional de cultura e a proteção e promoção da diversidade cultural.
  • proteção do patrimônio histórico, artístico e cultural;
  • direitos autorais;
  • assistência nas ações de regularização fundiária, para garantir a preservação da identidade cultural dos remanescentes das comunidades dos quilombos;
  • desenvolvimento e implementação de políticas e ações de acessibilidade cultural;
  • formulação e implementação de políticas, programas e ações para o desenvolvimento do setor de museus.

Em maio deste ano, Lula prometeu devolver à Cultura status de ministério, pasta que foi dissolvida na gestão de Jair Bolsonaro a uma secretaria especial do Ministério do Turismo. Durante o governo de Bolsonaro, já foram responsáveis pelo setor os atores Mário Frias e Regina Duarte.

A intenção de Lula é dar à nova pasta uma estrutura mais robusta do que teve em governos anteriores.

O petista também quer implementar o Sistema Nacional de Cultura, com descentralização dos recursos. Ele defende ainda potencializar processos criativos e fortalecer a memória e diversidade cultural, ao valorizar a arte e a cultura popular e periférica. E garantir a liberdade artístico-cultural.

ERRAMOS! Havíamos reportado erroneamente que João Jorge esteve em Campo Grande (MS), quando na verdade apenas o grupo Olodum esteve na cidade sul-mato-grossense. Fizemos a correção. Pelo erro, pedimos desculpas!