23 de junho de 2021
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PMDB será o aliado mais adversário de Dilma

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O PMDB não quer mesmo ter uma convivência tranquila com a presidente Dilma Rousseff (PT) durante o segundo mandato dela, a partir de 1º de janeiro. O que já era um grande indício se tornou uma certeza desde a noite de ontem, quando o vice-presidente Michel Temer reuniu para um jantar de confraternização, no Palácio do Jaburu, em Brasília, mais de cem políticos eleitos pela legenda. A ideia era mostrar algum tipo de união em torno do governo que, afinal, tem no próprio Temer seu maior representante na administração federal, mas a ideia não deu certo.

Os jornalistas que cobriram o encontro saíram repletos de afirmações de confronto direto à presidente Dilma Rousseff. O governador do Mato Grosso do Sul, André Puccineli (PMDB), cujo candidato à sua sucessão, Nelsinho Trad, ficou em terceiro lugar na disputa pelo governador estadual, era um dos mais agressivos. Chamando a presidente por "essa mulher", ele passou o jantar dando como recado principal a efetivação da prática política do famoso 'toma-lá-dá-cá'.

“Se formos mesmo participar desse segundo mandato, temos de tirar tudo o que pudermos dela”, disse André.

A eleição no MS foi vencida pelo tucano Reinaldo Azambuja, com o petista Delcídio Amaral em segundo lugar. O PMDB, assim, deixou o poder para se tornar a segunda força no Estado.

Em alta entre os deputados federais, na condição de favorito à disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, o líder Eduardo Cunha avisava, desde a entrada, que não vai mesmo assumir qualquer compromisso com a sustentação política da nova gestão de Dilma.

“O PMDB não está aí para agradar ao governo, mas para agradar o Brasil, correspondendo às expectativas dos nossos eleitores”, disse ele à entrada do jantar.

Até mesmo o ex-líder do governo no Senado Eduardo Braga, que perdeu a eleição para o governo do Amazonas, mostrou as garras contra o PT, partido que responsabilizou por sua derrota no Estado. De acordo com o jornalista Josias de Souza, do jornal Folha de S. Paulo, até mesmo o ex-ministro Eliseu Padilha, cotado para ocupar algum ministério na hipótese de uma sequência natural da aliança que elegeu a chapa Dilma-Temer parecia declinar antecipadamente de um convite.

“Não conseguirei nomear nem o cara que serve o cafezinho, disse ele”, despertando gargalhadas entre os colegas.

Hoje, em novo esforço para dar um mínimo aspecto de coesão entre seu partido e a presidente eleita, Temer chefiou a reunião do comando político da legenda. Uma de suas missões será evitar uma trombada de frente do partido com o plano anunciado por Dilma de promover uma reforma política por meio de um plebiscito. No máximo, os chefes do PMDB aceitarão, em tese, um referendo.

O jantar do Jaburu, prevaleceu a avaliação de que o signo de 2015 será de permanentes embates políticos entre o Executivo e o Legislativo, tornando as dificuldades políticas do primeiro mandato como café pequeno, para ficar na imagem de Padilha, para presidente.

Enxergando a montanha de dificuldades que surgem pela frente, políticos como o ex-presidente Lula e o atual governador do Ceará, Cid Gomes, sugerem que o PT articule uma frente de partidos de esquerda no Congresso para tentar se contrapor ao rolo compressos peemedebista. A aliança de quatro anos que se repetiu para a eleição de 2014 nunca esteve tão frágil como agora.

Karla Machado com Brasil 247