23 de outubro de 2021
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Com 28 anos a serviço da comunidade, Centro Infantil Menino Jesus fecha por falta de verba

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“Uma grande sensação de decepção e de tristeza”. Foram com essas palavras que a funcionária Roseli Andrade, 42 anos, que trabalha há cinco anos no Centro de Educação Infantil (CEI), Lar do Menino Jesus no Bairro São Francisco, descreveu o sentimento pelo fechamento da creche que durante 28 anos atendeu crianças da comunidade e que fechará as portas nesta sexta-feira (11) por falta de recursos para manter o local.

De acordo com a Roseli, a casa tentou se manter durante vários meses e não conseguiu suprir a demanda de gastos após a redução do repasse financeiro realizado pela prefeitura de Campo Grande, vindos do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).

“Nós somos funcionárias e sentimos muito pela situação que se encontra a creche, é uma estrutura boa se comparada a outros locais, temos uma história aqui e ver que as coisas não aconteceram e que precisamos desses recursos para manter o local. São histórias, é todo um trabalho que foi executado com amor durante muito tempo. É muito triste, agora cada um vai procurar um emprego, cada um vai seguir a sua vida e as crianças vão ser remanejadas a outros locais. Foi um processo muito desgastante e essa decisão foi difícil, não temos mais nada para reivindicar, para cobrar, pois tudo que poderíamos fazer já foi feito, agora é seguir a vida”, lamenta a funcionária. 

Crise financeira

Com a falta do repasse, a folha de pagamentos foi prejudicada, juntamente com outras despesas essenciais como merendas, materiais para atividades de sala de aula, reformas necessárias na estrutura do CEI e materiais de higiene. “Esse montante daria só para pagar os funcionários e não temos só isso para pagar. São despesas importantes e mínimas para manter o local e o cuidado, principalmente por que cuidamos de crianças”, comenta Roseli. 

De acordo com a presidente do SENALBA-MS (Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social e Orientação Profissional no Estado do MS), Maria Joana Barreto Pereira, as dificuldades financeiras que as entidades sociais vêm enfrentando retratam uma triste realidade atualmente em Campo Grande.  “Infelizmente presenciamos mais uma instituição social tendo de encerrar atividades tão necessárias à população. Este ano foi muito difícil para essas instituições, que amargaram atrasos nas assinaturas dos convênios, bem como dos repasses financeiros. Há meses temos alertado sobre este problema, a sociedade é a maior prejudicada. Outro caso crítico, é com a Associação Recanto São João Bosco que em 2015 está se mantendo com muitas dificuldades. Também, o Hospital Nosso Lar que reduziu drasticamente o número de leitos para não encerrar as atividades”, pontua. 

São em torno de 13 profissionais que atendiam em média 70 crianças entre 6 e 3 anos, em bairros da região do Vila Marli, Centenário Vila Nasser, Portal de Lagoa, Jardim Seminário, Saraiva e Coophasul. O MS Notícias entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Campo Grande para falar a respeito dos recursos do FUNDEB, porém não obteve êxito nas ligações até o fechamento desta matéria.