13 de junho de 2021
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Em falta na Capital, motoristas entram em lista de espera por extintor ABC

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Em Campo Grande está cada vez mais difícil encontrar extintores ABC. Isso porque a resolução 333/2009 determinava que a partir de 1º de janeiro de 2015 os veículos automotores só poderiam circular equipados com extintores de incêndio com carga em pó ABC.

E como o brasileiro tem o costume para deixar tudo para a última hora, no último dia de prazo, os campo-grandenses foram às ruas à procura do extintor, que de acordo com a vendedora de uma loja que fica na Rua do Rosário, em menos de duas horas, foram vendidas 300 unidades. Por isso, a saída encontrada pelos comerciantes para ajudar clientes e organizar as vendas foi fazer uma lista com nome e telefone dos clientes para avisá-los no dia em que o produto chegar à Capital. Na maioria das lojas, a lista chega a ter 200 nomes.

De acordo com a atendente da loja, o extintor estava sendo comercializado por R$ 100. “Antes do vencimento a loja estava com o movimento normal, mas no dia 31 de dezembro, vendemos em menos de duas horas, o lote que tínhamos com 300 extintores. Fizemos uma lista que já tem uns duzentos nomes para avisar os clientes quando chegar novamente", explica a vendedora.

Levando em consideração que o distribuidor do produto não conseguiu atender a demanda e o produto está em falta em outros estados, o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) adiou por 90 dias a exigência do uso do extintor ABC para carros, que passou a valer no último dia 1º. Durante esse período, os motoristas não poderão ser multados.

Segundo a vendedora de outra loja de extintores que fica na Rua 13 de maio, no centro de Campo Grande, com a prorrogação de mais 90 dias, o movimento da loja voltou ao normal. “Antes era uma ligação atrás da outra de clientes procurando o extintor ABC, hoje, com a divulgação na mídia do adiamento, os clientes estão ligando menos. A procura estava tão grande, que tínhamos até dores no ouvido de tanto atender ao telefone. Também fizemos uma lista para atender os clientes, temos mais de duzentos nomes na fila de espera”, diz a vendedora, que comercializa o produto por R$ 95.

As lojas que comercializam o produto na Capital informaram que a previsão é de receber mais extintores ABC após a primeira quinzena de janeiro. Alguns motoristas já circulam tranquilamente pelo centro de Campo Grande com o novo extintor, como o taxista Lindomar de Souza, 37, que afirmou ao MS Notícias que mesmo com o prazo estendido, o dono da frota de táxi onde o taxista presta serviço já havia se antecipado e providenciado a troca do extintor. “O dono da frota já fez a troca e estamos circulando com o novo extintor desde o mês passado”, diz o taxista.

Já o taxista Antônio de Souza Gonçalves, 42, afirmou que seu carro foi fabricado em 2010 e já veio com o novo extintor, já que a norma afeta veículos fabricados até 2009 e os produzidos a partir de 2010 já possuem o novo modelo. “Eu nem precisei me preocupar com isso porque o meu carro já veio com o novo extintor”, diz Antônio.

Mas, alguns motoristas estão preocupados com a falta do extintor ABC e garantem que não pretendem deixar para trocar na última hora, pois a ausência do equipamento após os 30 dias de prazo, terá multa de R$ 127,69 e perda de cinco pontos na carteira de habilitação. O vendedor de roupas Manoel Carvalho de Queiroz, 44, disse que já procurou o extintor em diversas lojas e deixou seu nome na lista de espera para adquirir o produto assim que a loja receber.

“Eu já deixei meu nome em uma loja porque não quero ser multado por falta de extintor não. Assim que chegar a moça ficou de me ligar e dai vou lá comprar”, explica o vendedor.

A decisão foi tomada depois de uma reunião entre o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, e diretores do Denatran, que relataram a dificuldade dos motoristas em encontrar o extintor ABC para compra em lojas de todo o país.

Dany Nascimento