21 de abril de 2021
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DESCASO

Mães denunciam falta de insumos básicos que são distribuídos pelo CEM

Há anos matriarcas enfrentam descaso do Centro de Especialidades Médicas na busca por remédios, fraldas e dietas para filhos especiais

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Grupo de mães denuncia descaso que enfrentam no atendimento do Centro De Especialidades Médicas Presidente Jânio Da Silva Quadros (CEM), em busca de dieta especial e demais insumos, como fralda e medicamentos, para suas crianças especiais.

Com medo de retaliação, o grupo prefere não identificar seus nomes, já que diversos episódios nessa longa luta por direitos, colocaram elas no lado oposto da balança. Pelo menos duas mães relataram suas dificuldades ao MS Notícias, mas o grupo de matriarcas e avós que são prejudicadas é igualmente extenso.

Entre as denúncias feitas, há a acusação de um comportamento seletivo por parte dos responsáveis pelo repasse dos insumos, conseguidos legalmente através da Prefeitura ou do Estado.

"É uma hierarquia e eles mandam. Várias vezes tem dietas e as coisas lá, eles escolhem as mães para quem dar. Uma pega acaba de sair, vai outra e pra essa eles falam que não tem. Tem mãe que está há 3 ou 4 meses sem pegar fralda. Eu não pego dieta há 3 meses, remédios tem um ano e meio já que eu compro. Eles falam que está em licitação e essa licitação nunca acaba", diz uma das matriarcas que denunciam as ações do CEM.

Outra revela semelhante dificuldade na conquista dos itens. "Sempre diziam que estava em falta. Entrei pela Defensoria e consegui o chamado 'sequestro', que pegam o dinheiro do município, do Estado, repassam para a minha conta para eu comprar os insumos, leite, fralda e coisas que minha filha usa", explica.

Ela diz que mantém a expectativa de que essa situação se reverta, mas conta que apenas uma vez conseguiu fraldas para sua filha na unidade. "Levei oito meses para conseguir esse dinheiro e, nesse meio tempo, fiquei comprando. Agora entrei para tentar ressarcir o que era de direito da minha filha. Consegui o dinheiro em dezembro para comprar o que minha filha está usando. Você tem que ficar peregrinando e insistindo, porque não é fácil. Todas as vezes que a gente vai no CEM, nunca tem leite, nem suplemento, nunca tem a fralda", afirma.

A primeira mãe conta ainda que, no último dia 15 de janeiro, esteve no Hospital mais uma vez e, dos itens que precisava, saiu com apenas dois. "Fui lá para pegar e saí com o equipo e frasco na mão, para a infusão de dieta, porquê não tinha fralda, nem a dieta em si".

Ela revela que as mães ficaram, por mais de um ano, pegando dieta com data de validade vencida. Ainda chama atenção que tentou contato com a imprensa local na época, que chegou a gravar VT com um grupo de 10 matriarcas, mas que não subiram o material pois, em contato com a Prefeitura e pessoal do CEM, alegaram que estava tudo lá. "Ainda falaram 'ai, eu não posso soltar notícia falsa'. Nós ficamos ainda como mentirosas", afirma.

"Chegamos a ir ao CEM, as 10 mães, e teve um episódio que quase saímos presas de lá. Fomos para pegar as coisas para as crianças e dissemos que não sairíamos sem os itens. 'Alegaram que tem, então a gente quer. Não saímos daqui enquanto não levarmos', e não tinha", conta ainda

Com o alarde, ela fala que equipes de TV começaram a chegar e que, com isso, os itens "começaram a aparecer". "Pedimos para entrar no depósito. Chamaram policiais e o pessoal veio com escopeta apontando para a gente, intimidando mesmo. Só estávamos ali para pegar as coisas das crianças, já que falaram que tem. Começou a brotar fralda, dieta que há muito tempo não pegávamos. Que, na verdade, o estoque estava cheio, tinha, mas como eu falei eles escolhem mães para dar".

Segundo informações, todas do grupo têm processos, pela Prefeitura ou pelo Estado, que autorizam o recebimento de insumos. "Que a Casa da Saúde está anos sem fornecer, têm colega minha que pega fralda por lá e está há dois anos sem, para ver o tamanho do descaso. Eles ignoram o processo, simplesmente olham e alegam que está em licitação e compra", finaliza.

O Centro de Especialidade Médicas foi procurado, assim como a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) que transferiu a responsabilidade do caso, mas até o momento da publicação da matéria a equipe de reportagem não recebeu explicação com relação aos estoques e denúncias realizadas. Fica aberto espaço para o posicionamento da instituição.