12 de maio de 2021
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O governo de Puccinelli e o tom da esquerda histórica

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Até 2012 e durante mais de 15 anos o bioquímico e bacharel em história Mário Sérgio Maciel Lornzetto foi um dos principais parceiros e homem-forte da trajetória de André Puccinelli )PMdB). Amigo, conselheiro, articulador, estrategista e responsável por suas finanças, serviu-o desde o mandato na Câmara Federal até às passagens pela prefeitura de Campo Grande (de 1997 a 2004) e governo do Estado (2007-2012).

A contribuição de Lorenzetto com o currículo vitorioso de Puccinelli tem seu caráter decisivo reconhecido por quem conhece toda a história, sobretudo no que diz respeito à formação política do ex-assessor. Como ativista e estudioso teórico da esquerda, ele cresceu atuando no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e nos movimentos sociais em Campo Grande, sempre em papéis dirigentes ou de relevância na formulação tática ou estratégica.

Impossível desvincular de algumas ações e decisões bem-sucedidas de Puccinelli a influência ou a presença de Lorenzetto, tanto na Secretaria Municipal de Planejamento e Finanças de Campo Grande como na Secretaria Estadual de Fazenda de Mato Grosso do Sul. Isto, nas agendas técnicas e gerenciais. Na seara política, efetiva e determinante foi também sua participação nas campanhas e demais intervenções envolvendo os projetos pessoais e partidários de Puccinelli.

Lorenzetto deixou o convívio com o governador e dedica-se à família e às suas ocupações empresariais/profissionais. Mas no staff encarregado das demandas nervosas de Governo, Puccinelli dispõe de outro assessor com perfil pessoal e histórico de atuação política desenvolvidos na mesma fonte que alimentou Lorenzetto: a experiência do ativismo de esquerda. O advogado Carlos Roberto de Marchi, o Neno, consultor legislativo do governador, é contemporâneo de Lorenzetto. Mais: foram camaradas de PCB, dividiram estandartes e palavras-de-ordem inspiradas no ideário marxista-leninista, exerceram papéis dirigentes e a responsabilidade de pensar, formular e executar estratégias de gestão e mobilização.

TRAJETÓRIA -  Neno é paranaense de Querência do Norte. Sua família veio para Mato Grosso do Sul em 1970, quando desembarcou em Naviraí para montar uma farmácia. Ele ainda era uma criança, mas já na adolescência despertava para os desafios da geração que viveria as lutas pela democracia. Começou a trajetória política no movimento estudantil ainda em Naviraí e quando mudou-se para Campo Grande, em 1983, para continuar os estudos, já era conhecido por alguns “olheiros” do PCB, o partidão, que tinha forte presença junto aos estudantes.

Foi recrutado por dois de seus grandes amigos, Orlando Rocha e Paulo Ribeiro Jr. Em diversas intervenções do PCB e dos estudantes Neno se destacou. Ajudou a fundar a União Sulmatogrossense dos Estudantes Secundaristas (Usmes), da qual foi presidente e vice-presidente. Depois, foi assessor parlamentar na Assembléia Legislativa, desligou-se do PCB, formou-se em Direito, voltou a Naviraí e conquistou dois mandatos de vereador. Regressou a Campo Grande, chamado para chefiar o gabinete do deputado Roberto Orro, e de lá, convidado por Lorenzetto, passou a integrar o núcleo de apoiadores de Puccinelli, fazendo parte de suas campanhas ao governo.

A presença de Neno de Marchi no cenário político e administrativo deve-se ao acúmulo de intervenções resolutivas submetidas à sua responsabilidade em diversas e complexas demandas, tratadas sempre com discrição, serenidade e de forma objetiva. Diferente de Lorenzetto, que era esquivo e temperamental, Neno é tímido e não afeito a celebrações. Foi assim, acanhado, mas sacudido pela emoção, que entrou no plenário da Assembléia Legislativa no dia 12 deste mês para ser homenageado com o título de Cidadão Sulmatogrossense, honraria proposta pelo deputado estadual Júnior Mochi, líder da bancada do PMDB.

Edson Moraes, especial para MS Notícias