06 de dezembro de 2021
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"ALIADO DO LACAIO"

Após trair Índia, Bolsonaro quer vacinas ao Brasil, mas pagará caro

As vacinas desenvolvidas pela farmacêutica britânica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford estão sendo fabricadas no Instituto Serum da Índia

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O governo da Índia liberou as exportações comerciais de vacinas contra a covid-19. As primeiras remessas cobradas serão enviadas nesta 6ª-feira (22.jan.21) ao Brasil e Marrocos, disse o secretário de Relações Exteriores da Índia, Harsh Vardhan Shringla, a informação é da  Agência de notícais Reuters. Diplomatas na ativa e aposentados avaliam que o Brasil está pagando um preço alto na questão das vacinas contra a Covid 19, por não ter valorizado as relações com a Índia e a China nos dois últimos anos. 

"A carga vinda da Índia será transportada em voo comercial da companhia Emirates ao aeroporto de Guarulhos e, após os trâmites alfandegários, seguirá em aeronave da Azul para o aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro", detalhou o Ministério da Saúde em nota.

Os canais estão obstruídos, resumiu um embaixador ao O Globo. E não há nem como o Brasil recorrer ao Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, criado há cerca de uma década), para que os dois países enviem insumos e imunizantes gratuitos ao Brasil. Isso porque o governo Bolsonaro comprou briga, de uma forma ou de outra, com todos os integrantes do bloco.

As vacinas desenvolvidas pela farmacêutica britânica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford estão sendo fabricadas no Instituto Serum da Índia, o maior produtor mundial de vacinas, que recebeu pedidos de países de todo o mundo pela vacina gratuita, o governo Bolsonaro não pediu, e agora terá que pagar por meio da Fiocruz, R$ 59,4 milhões para a importação de 2 milhões de doses prontas da vacina. 

Isso ocorre, quando Bolsonaro, contrariando uma aliança histórica com a Índia no que diz respeito à produção de medicamentos genéricos, trocou de lado e se colocou junto com os EUA contra uma proposta apresentada pelos indianos e sul-africanos, em outubro do ano passado, na Organização Mundial do Comércio (OMC), que permitia a suspensão de patentes de remédios e vacinas usados no combate à pandemia. Outro fator que irritou os indianos e chineses foi o fato de o Brasil ter concordado em abrir mão do status de nação em desenvolvimento na OMC, a pedido dos EUA, o que poderá enfraquecer as negociações com os países desenvolvidos.

— O Brasil traiu os indianos, quando eles tentaram suspender as patentes em tempos de calamidades, e preferiu defender os laboratórios americanos. Bolsonaro sempre ridicularizou o comércio Sul-Sul (entre nações em desenvolvimento). Agora estamos na rua da amargura — disse Ricupero, que também foi embaixador do Brasil EUA, ministro da Fazenda e secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Para um diplomata que não quis se identificar, o governo brasileiro está "num mato sem cachorro" e, com a substituição de Trump por Joe Biden, o Brasil rompeu as pontes com os EUA, a China, a União Europeia e a América Latina. Esse embaixador destacou que ninguém respeita subservientes, "nem os aliados dos lacaios".

"ABORTOU VIAGEM"

Uma semana após o Brasil abortar um voo que iria para a Índia buscar os tais 2 milhões de doses de vacinas, o governo vinha tentando conseguir trazer os imunizantes para o país, os vizinhos da Índia,  Butão, Maldivas, Bangladesh e Nepal pegaram os imunizantes de graça. O Brasil, porém tem que pagar e ainda não quitou a dívida, conforme adiantou nesta 5ª-feira a BBC News.  

Os brasileiros serão imunizados inicialmente com 6 milhões de doses da Coronavac. Essas doses estão sendo produzidas no Brasil, com a "logo" do governador de São Paulo, João Dória (PSDB), isso porque o próprio presidente Jair Bolsonaro classificou várias vezes as vacinas como: "Vacina do Dória". O tiro pela culátra de Bolsonaro saiu no domingo (17.jan.21) quando Dória posou para foto ao lado de Mônica Calazans, de 54 anos, moradora em Itaquera, na zona Leste da capital paulista. Ela trabalha no hospital Emílio Ribas, referência no tratamento de Covid-19 no país e foi mulher a ser vacinada no Brasil.

A previsão do Ministério da Saúde é que 354 milhões de doses sejam aplicadas até o fim do ano, quantidade suficiente para vacinar pouco mais de 84% da população maior de 18 anos não gestante, público-alvo do plano nacional de imunização.

O Ministério da Economia disse à Gazeta do Povo que a campanha de vacinação contra a Covid-19 custará cerca de R$ 20 bilhões aos cofres públicos.

O Brasil tem o segundo maior número de mortes da Covid-19 depois dos Estados Unidos.  

*Com informações da Gazeta do Povo, O Globo e G1.